Como não podia deixar de ser, Mick Fanning é um dos surfistas em consideração. Como não podia deixar de ser, Mick Fanning é um dos surfistas em consideração. Foto: RC

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terça, 13 novembro 2018 16:11

Tempestade lá fora! É hora para mais um olhar científico sobre o surf

Uma análise estatística dos últimos 17 anos de World Tour…  

 

Por Pedro B. Júdice, Surfista e Investigador Doutorado na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e Professor na Faculdade de Desporto da Universidade Lusófona. 

 

Esta não é a primeira vez que a tempestade gera reflexões de cariz científico (aqui e aquipor este praticante e entusiasta da modalidade. Desta vez, o Professor Pedro B. Júdice traz-nos uma análise estatística que olha para o que foram os últimos 17 anos de World Tour e onde podemos observar, de uma forma cuidada, quantas e quais as etapas que mais contribuíram para a consagração dos consecutivos títulos mundiais. Estendendo o tópico abordado numa publicação anterior, desta análise científica podemos retirar várias ilações. 

 

A primeira conclusão é que o ano de 2001 foi o ano mais negro da história do Tour, com um total de apenas 5 etapas e o campeão mundial a consagrar-se sem vencer uma única etapa. A segunda ilação, não é nenhuma novidade e está relacionada com o facto de ser o rei Kelly Slater quem detém mais uma vez o recorde do maior número de etapas ganhas no ano em que se consagra campeão, vencendo 60% das etapas no ano de 2008. 

 

Ainda olhando para estes valores, podemos dizer que apenas o talento irreverente de Andy Irons e o incansável trabalho de Mick Fanning fizeram com que se aproximassem deste recorde, vencendo 42% e 40% das etapas nos anos em que se consagraram campeões mundiais de surf (2003 e 2010, respetivamente).

 

 

Se considerarmos os últimos cinco anos, poderemos observar que o recorde de um maior número de etapas ganhas no ano em que se sagrou campeão mundial pertence ao brasileiro Gabriel Medina, vencendo 3 das 11 etapas (27%), no ano de 2014. Olhando para os dados de uma forma longitudinal, conseguimos perceber que nos últimos anos, a tendência é a de que o campeão mundial vença menos etapas, o que atesta uma maior competitividade no WT e consequentemente uma menor discrepância entre a qualidade dos surfistas profissionais do chamado “Dream Tour”.

 

Analisando as etapas que integram o circuito de uma forma constante nos últimos 17 anos, podemos verificar que a etapa que mais determina o campeão mundial, quando vencida pelo mesmo, é a etapa inaugural da Gold Coast (38%), seguida pela lendária etapa de Bells beach (35%) e as etapas de Trestles, Fiji, Pipeline e Hossegor (31%), todas em pé de igualdade. 

 

Curiosamente, a sexta etapa mais vencida pelo campeão mundial no ano em que se consagra campeão é a de Portugal. De uma forma geral, os campeões mundiais apenas vencem as etapas do Taiti e J-Bay no ano em que se consagram campeões, menos de 25% dos casos, sendo as etapas realizadas no Brasil e em Espanha, as que menos determinam o título de campeão mundial (12% e 11%, respetivamente).

 

Outras análises poderiam ser realizadas com base na informação apresentada, mas para finalizar deixamos este facto. Apesar dos tubarões, a etapa que em termos relativos mais determina o campeão mundial é a recente prova de Margaret River, sendo vencida pelos campeões mundiais 67% das vezes. 

 

Quererá isto dizer que os verdadeiros campeões nada temem?

 

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Aproveita para ler a análise anterior aqui.

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