Medina aqui a segurar uma bola de futebol. Campeão do Mundo de Surf começou a aparecer em publico com Neymar(não se conheciam antes) quando a sua agência decidiu ser uma boa estratégia de marketing. Medina aqui a segurar uma bola de futebol. Campeão do Mundo de Surf começou a aparecer em publico com Neymar(não se conheciam antes) quando a sua agência decidiu ser uma boa estratégia de marketing.

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quarta, 06 março 2019 18:40

CLUBES DE SURF CONTESTAM ENTRADA DE CLUBES DE FUTEBOL NA F.P.SURF.

A recente entrada do Sporting Clube de Portugal e do Estoril Praia no seio do Surf têm gerado uma certa controvérsia no seio da comunidade.

O Surf tem-se vindo a afirmar de uma forma sólida na sociedade Portuguesa como uma atividade/modo de vida e desporto. De cerca 10,000 praticantes nos anos noventa a quase 700,000 na atualidade (segundo o ultimo estudo efetuado em Portugal), o surf massificou e tornou-se como um nicho de maior interesse para alguns dos grandes players económicos.

A entrada dos Clubes de Futebol no Surf em Portugal já não é novidade. Após a tentativa ténue do S.L.Benfica há cerca de uma década atrás eis que agora, quando o Surf se encontra a caminho das olimpíadas em 2020 (Toquio), entram com uma outra atitude o Sporting e o Estoril Praia. Ambos os Clubes estão inscritos na Federação Portuguesa de Surf e já contam com duas contratações de peso no Surf nacional, Teresa Bonvalot representa neste momento o Sporting Clube de Portugal e Miguel Blanco o Estoril Praia.

Há aqui diversas questões que se colocam, nomeadamente qual o verdadeiro interesse destes players no Surf? Será que vêm apenas para procurar protagonismo numa modalidade que agora tem números interessantes? Será que o ensino do Surf enquanto negócio é uma mais valia para estes novos players? será que vêm organizar eventos megalómanos de surf? ou será que a sua aparição vai ser tão rápida quanto o seu desaparecimento assim que perceberem que o estilo de vida surf é de dificil "match" com o Futebol? 

Certo é, nesta nova realidade, que estes clubes se encontram a contratar quadros experientes do surf nacional que os irão ajudar construir a sua entrada o mais forte e direcionada possível no Mundo do Surf.

A Surftotal falou com diversas personalidades que lideram alguns dos principais Clubes de Surf em Portugal, clubes estes que têm vindo a dar um forte contributo na construção das bases do Surf Português.

 

Miguel Gomes da Associação de Surf da Costa da Caparica quando questionado sobre esta situação responde:

_"Nenhum destes clubes tem espírito de praia, não devem saber o que são correntes e ou agueiros muito menos o que é a cultura do Surf.

De norte a sul, o trabalho desenvolvido até agora foi realizado por pessoas da praia, que cresceram na praia, a respirar as ondas e o Surf... foram anos e anos de trabalho árduo, com muitos obstáculos, com tantas pessoas a lutarem e vencerem por transformar uma imagem de um "Surf dos rebeldes e drogados" (que nem num autocarro se podia entrar) para o que o Surf é nos dias de hoje e de amanhã. Sim, porque em 2020 há Olimpíadas com Surf...será coincidência?
*Miguel Gomes - Foto/arquivo pessoal
 

Achamos que infelizmente, com a entrada destes clubes, vai haver muita gente deslumbrada que vai achar que é normal eles se envolverem... que até pode ser bom... etc… Nós temos uma visão mais purista, o que é surf é surf, futebol é futebol... ponto. Se olharmos para as grandes potencias do surf como a Austrália, não vemos clubes de futebol com atletas de surf . Ou no Brasil, que aliás no dia em que o futebol se misturou com o Surf, arruinou os clubes que trabalhavam na praia e teve um período negro quase sem provas. O que vemos nos países que identificamos como referência da cultura do Surf ( Austrália, EUA/Hawai. Brasil, ...) são clubes dedicados ao surf onde estão todas as lendas do Surf a passar a sua experiência aos mais novos e a viver o Surf como se tivessem 15 anos. Isto sim é cultura de Surf.
 
O  maior receio é que estas potências económicas venham tirar o pouco protagonismo que os clubes portugueses tem.. é fácil acenar com a nota e levar as referências nacionais (seguindo-se claro os mais novos). Para quem irão trabalhar os clubes? Passaremos a trabalhar na formação para aqueles que se destacam serem levados para estes clubes (como se passa no futebol!). Será este o papel que queremos seguir?... No que diz respeito aos clubes de futebol, basta ver a projeção que um anuncio de uma contratação teve para entendermos o desfasamento entre os reais clubes de praia para estes clubes...onde ficam os verdadeiros clubes do surf nos media? não estão pois não temos o peso de um Sporting ou de um Benfica…..isto é algo preocupante pois somos nós os verdadeiros embaixadores do desporto.  achamos que isto deve ser algo que a comunidade do surf deve pensar e ter em atenção para as futuras gerações não pensarem que estes clubes são os fundadores do desporto e de toda esta cultura.

 

 
Da Ericeira, Miguel Barata de Almeida diz o seguinte:
 

Tenho estado a procurar amadurecer uma opinião mais formada em relação a este assunto e tenho muitas reservas sobre a sua actuação. São clubes sem qualquer vocação marítima, não irão ajudar no crescimento da modalidade. Devem querer ainda mais visibilidade. Cada um deverá estar ligado às suas modalidades tradicionais. Espero que esta entrada não seja mais do que apoio financeiro a 1 ou 2 atletas e que fiquem longe de nós.

*Miguel Barata de Almeida à direita com dois atletas que participaram numa prova organizada pelo Ericeira Surf Clube.

Miguel Barata de Almeida questionado sobre quais poderão ser os benefícios para o surf com esta situação adianta ainda que _"Só vejo benefícios ao nível da criação de infra-estruturas. O Sporting, por exemplo, poderá sempre investir numa piscina de ondas, em Alcochete. Têm certamente espaço e milhões para o fazerem. Aliviavam as nossas praias e spots, e seria certamente uma boa solução para muitos dias do ano em que o mar não se encontre nas melhores condições.

Pedro Monteiro "Pecas" que lidera o projeto de Surf do Centro Recreativo e Cultural da Quinta dos Lombos em Carcavelos:

A minha opinião é controversa, para ser franco. Um lado de mim olha para esses clubes como clubes que nada têm a ver com a modalidade, que em nada se identificam com o surf, e que nada contribuíram. E depois destes anos, muitos de nós a lutar por uma lógica de clube, ver um “Golias” entrar e levar os melhores atletas para os seus núcleos, leva-me a pensar que não é justo. Leva-me também a pensar que o único objetivo destes clubes é o interesse que não o da modalidade em si, mas o que a mesma lhes pode dar, seja na imagem que os atletas lhes dão porque o surf agora é “sexy”, porque eles alcançam bons resultados e têm boa imagem, e por fim interesse em vender aulas de surf como mais um negócio, e isso leva-me a questionar as suas verdadeiras intenções.

*Pedro "Pecas" Monteiro à esquerda, numa das suas incursões ao apoio da causa Surf adaptado.

Por outro lado, libertando o meu lado mais emocional, tento encontrar alguma legitimidade das entradas destes clubes no Surf, pois uma vez que o mesmo é uma modalidade Federativa sob a tutela do IPDJ, sendo inclusive testada nos Jogos Olímpicos já em 2020, entra assim na esfera das modalidades profissionais, com apoios governamentais contruindo assim uma maior visibilidade. Pegando nestes pontos é normal que surjam novos “players” com interesse em agregar o surf como mais uma modalidade nas suas estruturas.

O Surf tem e terá sempre uma comunidade e um “life style” com o verdadeiro espírito do surf e isso devemos ter sempre presente, o qual devemos tentar defender e preservar. Mas o mundo do desporto competição, é um mundo dos clubes, das marcas e da indústria (porque nós próprios o alimentamos), abrindo assim caminhos para que estas situações surjam.

 

A Surftotal entrevistou os diversos intervenientes envolvidos e irá publicar, uma a uma, todas as entrevistas por forma a que haja um esclarecimento adequado sobre esta situação. Fica atento(a)

 

 

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