Eurico Gonçalves: "Orgulhoso por estar presente num evento de referência"

Falámos com o longboarder sobre a sua participação no icónico evento 'Nine Foot & Single' que decorrerá na Indonésia, bem como das suas aventuras pelo Sri Lanka.


Conforme noticiámos há poucos dias, Eurico Gonçalves recebeu um convite para participar no icónico evento 'Nine Foot & Single', que terá lugar em Canggu, na Indonésia, no próximo mês. Mas Eurico tem muito para contar, e quisemos saber como foi a sua recente viagem até ao Sri Lanka, bem como fazer um balanço da sua aventura indiana.


Fala-nos do convite que recebeste para o Nine Foot & Single Log Fest. Como surgiu?
Trata-se de um convite para estar presente num evento de características únicas, onde o principal objectivo não é a competição, ainda que importe sempre fazer um bom resultado e sobretudo apresentar bom surf. Ao contrário das competições normais, é um evento onde a partilha de experiências, de conhecimentos, de tendências, e experimentação de novas formas e linhas de surf numa onda, tem um papel mais importante do que a classificação final. Fiquei orgulhoso e honrado por ter sido convidado por pessoas tão especiais para estar presente neste evento de referência. Dele irá certamente fazer parte um line-up exclusivo de pessoas que trazem consigo um desejo por estilos de vida, estéticas e artes singulares.


Para quem não está a par, podes contar-nos um pouco sobre este evento tão especial?
Depois da marca de origem australiana, Deus Ex Machina, abrir em Bali o Templo do Entusiasmo, com o apoio dos seus parceiros Carby Tuckwell, Dare Jennings e Dustin Humphreys, surge o 9 Ft. & Single Log Fest. Quatro dias de festival de surf encabeçado por uma competição de logging "apenas por diversão", para surf com pranchas inspiradas nos anos 50 e 60, pesadas, grossas e Single Fin. Este ano, a 5ª edição do Deus 9FT & Single Log Festival permanece fiel às suas origens. Será composto por um dia dedicado à experimentação de pranchas (fish fry) e workshops com shapers, um campeonato de bodysurf, o Womp Comp, o campeonato dos logs na sua versão Masculina e Feminina, mostras de arte, sessões de cinema, e concertos todas as noites com varias bandas ao vivo no Templo do Entusiasmo em Canggo, Bali. As regras para entrar na competição são simples: os Logs têm que ser single fin (mono quilha, e sem caixa de quilhas estabilizadoras), ter comprimento superior a 9 pés, pesar mais de 5,5 kg, e não ter leash. Este evento é acima de tudo para celebrar uma forma tradicional (dos anos 50 60) de fazer longboard, onde o que se procura é estilo, fluidez, graciosidade, força e trabalho de pés ao andar sobre a prancha. Vão ser 3 dias de puro divertimento e partilha de conhecimento, com muita muita música, arte, life style, onde o surf é visto como uma forma de expressão individual em que conta mais o estilo e menos as pauladas. Dentro e fora de água a partilha é mais forte do que a tensão própria dos cenários de competição.  

 

Sabemos que tens estado no Sri Lanka, que tal a experiência em termos de surf, mas também culturalmente falando?
Bem, a experiência tem sido fantástica, com boas ondas, água quente e pessoas de bom trato. A cultura do Sri Lanka é riquíssima e depois do vento rodar à tarde há sempre algo de novo para se fazer. Fizemos grandes descobertas nesta ilha, na companhia do meu filho que se juntou a nós nas férias da Páscoa, entre as visitas da tarde e as ondas da manhã. As ondas tem estado boas todos os dias para o surf, embora o sul da ilha não seja o melhor para o meu nose ride. Surfamos Hikkadua, que tem uma direita muito parecida com  a onda de Canggo em Bali. Tem também um reef de esquerdas bem engraçadas e divertidas, que funciona quando o mar está maior. De resto, temos surfado na zona de Midigama que tem um slab muito consistente. Ao contrário da India, aqui o Surf está mais desenvolvido, muito à custa de um turismo de Surf que está muito bem organizado.

 


A tua aventura na Índia, que balanço fazes até à data?
Muito positivo, a época correu muito bem e a próxima já está a ser preparada. A reação das pessoas foi surpreendente - 'Surf em Goa?' - era uma pergunta frequente mas que também ajudou no impacto que teve na comunidade, com grande ajuda dos estrangeiros que residentes. A adesão foi maravilhosa. Teve um impacto muito positivo nessa comunidade que viu no Surf uma forma de proporcionar aos filhos uma possibilidade de adquirir conhecimentos para melhor lidar com o mar. Famílias inteiras experimentaram e viciaram-se de imediato. Algumas já tem visita marcada para Junho na Figueira da Foz para virem surfar as nossas ondas. A Índia foi uma viagem no tempo, foi como regressar à Figueira da Foz 30 anos atrás quando comecei a fazer Surf. Onde comprar um fato ou uma prancha de Surf eram uma aventura. Para reparar um ding na minha prancha tive de fazer uma viagem de 3h ao sul de Goa, onde fui encontrar um dos primeiros surfistas da Índia, que por sinal também faz pranchas e tem uma pequena surf shop com meia dúzia de pranchas, uns leashes e umas barras de wax. Um negócio que o Velu tem com o Socio Purna, dois dos surfistas mais influentes da Índia. A Índia já tem um Festival de Surf e algumas competições, uma Federação e uma fábrica de pranchas gerida por um australiano. Estimam-se 400 surfistas em toda a Índia, um país que há muito ultrapassou o 1 bilião de habitantes onde o Surf não tem qualquer expressão a não ser para os seus praticantes, que tal como nós nos anos 70 e 80 em Portugal são uns adeptos fervorosos deste estilo de vida.



Quais os teus planos para os próximos tempos?
Regresso a Portugal dia 15 de Abril... Matar saudades da família, dos amigos e da Alice. Surfar na Figueira da Foz e comemorar o 25 de abril com os amigos (camaradas) e com a família em Coimbra. De 1 a 3 de Maio eu e o meu filho vamos estar presentes na 3ª edição do MALPICA LONGBOARD CLASSIC na Galiza. A organização (Javi Taladrid e Dani Alvite) teve a gentileza de nos convidar, e queremos também levar alguns jovens talentos da Figueira para que ganhem experiência. Irei também, como na edição #0, ajudar na edição #1 do GlidingBarnacles 2015. De Junho a Outubro estarei de volta ao iSurfacademy no Cabedelo e ao movimento cívico que teve a sua origem naquela praia. Para o próximo ano devo ficar mais dois meses a gerir um Surf camp. Irei trabalhar com o Victor Camarneiro na gestão de um novo hostel (Single Fin Hostel na rua da Fonte na Figueira da Foz) dedicado a uma cultura de Surf mais alternativa que se identifica menos com a competição. Estamos a preparar um conceito inovador de Surf Camp dedicado àqueles que já sabem fazer surf. Por agora só te posso dizer que vamos convidá-los a experimentar pranchas diferentes e roteiros turísticos alternativos que decerto será do agrado de quem estiver interessado a sair da sua zona de conforto. E por fim juntamente com o Miguel Figueira (e a toda uma equipa de voluntários maravilhosa) para continuar a dar força ao movimento cívico de cidadãos SOS Cabedelo e contribuír ainda mais para uma nova visão do nosso Mar.

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