sexta-feira, 16 abril 2021 07:54

“A minha opinião pessoal acerca de alguns dos resultados deste evento é diferente da do painel”

A análise do Rip Curl Newcastle Cup pelo Juiz Internacional Pedro Barbosa...

 

Depois do inesperado cancelamento das provas de Sunset e Santa Cruz, o circuito voltou ao Down Under! Foi uma pena ver o cancelamento da prova de Santa Cruz. O O’Neill Cold Water, um clássico dos anos 80 e 90 que nos traz excelentes memórias dos primórdios do surf de alta performance da era moderna.

Tom Curren, Brad Gerlach, Pottz e o saudoso Chris Brow apresentavam aquele surf de linhas redondas na onda do circuito, que naqueles tempos mais parecenças tinha com o Surf Ranch…. evoluções da tecnologia!!!

Merewether, terra de campeões e onde surgiram muitas lendas do surf mundial, esteve muito bem representada com dois dos atletas mais promissores desta nova geração no circuito mundial, mas lá chegaremos.

A prova começou em condições difíceis. No entanto, parabéns à WSL e ao estado de Nova Gales do Sul por terem conseguido de forma exemplar colocar novamente o circuito mundial em funcionamento, mesmo apesar das fracas condições nos primeiros dias. A comunidade do surf mundial agradece.

 

   

Frederico Morais Foto:WSL/ Dunbar

 

 

O nosso grande representante consegue aqui um positivo nono lugar e mostra que está claramente num bom momento de forma. A prestação do Kikas em condições difíceis foi notável e evidencia uma evolução clara em alguns pormenores técnicos, ataque mais vertical a “chutar” o tail em secções críticas, combinado com os seus famosos carves, foram a fórmula mágica para eliminar com autoridade os seus adversários. Um erro estratégico do Kikas aliado à genialidade do Gabriel Medina ditaram a sua eliminação.

Richard dog March tem feito um excelente trabalho ao mesmo tempo que lhes diz “não me olhes com essa cara estranha”. Consegue dos seus pupilos resultados e níveis de performance que se começam a evidenciar no tour! Palavra de apreço também aos treinadores que tanto fazem pela carreira destes atletas…e que por vezes não são devidamente valorizados!

 

Mais uma vez a brazilian storm dominou o evento, o que já seria de esperar. Dos 4 finalistas, 3 eram brasileiros. É notável a forma avassaladora como o Brasil dominou o surf mundial.

 

 

 

“No julgamento deve ser feita uma reflexão profunda

relativamente à valorização do surf.”

 

 

 

Relativamente ao julgamento e sendo neste capítulo que mais espero contribuir: a minha opinião pessoal acerca de alguns dos resultados deste evento é diferente da do painel. Não é comum isto acontecer.

  

1ª caso - A onda de 4.87 do Ryan Callinan deveria ter sido suficiente para passar às meias finais. Três manobras na secção crítica bem encadeadas sem perder velocidade entre as mesmas. O Morgan Cibilic foi a grande sensação do evento, mas neste heat esteve mais conservador, aparentemente mais afetado pela sua lesão.

 

Ryan Callinan Foto: WSL /Meirs

 

 

2º Caso - O 7.17 do Deivid Silva, onde conseguiu realizar 2 manobras de qualidade superior, pareceu-me baixo tendo em conta o surf que se praticou no heat.

 

   

Deivid Silva Foto: WSL/ Miers

 

 

Apesar de um vencedor ser sempre merecedor desse título, os surfistas do evento foram, na minha opinião, Gabriel Medina que, apesar de aparentar estar menos consistente nos heats, tem momentos brilhantes. A forma como combina surf de linha, usando toda a amplitude da onda, bem como na forma diferente como pratica o surf progressivo, foi dele que vieram os momentos mais espetaculares do evento. Outra revelação pela qualidade de surf apresentado foi o Morgan Cibilic, mais um grande descendente do melhor do surf power australiano, escola Trent Munro.

 

 

Gabriel Medina Foto: WSL/ Dunbar

 

 

 

“Embora estejamos a falar de heats diferentes em condições distintas,

é importante separar o trigo do Joio.

Qual a diferença entre o aéreo do Medina e os que o Ítalo fez neste evento??”

 

 

  

Ítalo Ferreira Foto: WSL/ Dunbar

 

 

No julgamento deve ser feita uma reflexão profunda relativamente à valorização do surf.

Deixo aqui alguns pontos:

 - Qual a valorização de sair de uma manobra para a outra sem perder velocidade e sem alterar a trajetória da prancha, sem “bater”, como normalmente designamos? Morgan Cibilic e Wade Carmichael são bons exemplos disso. Saem de uma manobra para a outra com mais velocidade. Poucos surfistas fazem isto no tour com tanta categoria.

 

 

Morgan Cibilic Foto: WSL/ Dunbar

 

 

- Diferença entre Aerials em que se vem a onda toda a fazer o trimming no meio da onda, sem utilizar toda a amplitude desta e aéreos precedidos de um bottom em que o surfista percorre 3 metros de distância no ar!! Embora estejamos a falar de heats diferentes em condições distintas, é importante separar o trigo do Joio. Qual a diferença entre o aéreo do Medina e os que o Ítalo fez neste evento??

  

 

Carissa Moore Foto: WSL/ Meirs

 

 

Do lado feminino Carissa mostra mais uma vez que é a surfista mais completa do tour, tubos, Carves e agora aéreos reverse de alta qualidade fazem dela a mais temida e bem preparada surfista do tour. Se continuar neste momento de forma parece-me difícil que não renove o título de campeã mundial!

 

Vamos ver se as boas esquerdas de Narrabeen voltam a fazer jus ao conceito original do visionário Rabbit Bartholomew: “os melhores surfistas nas melhores ondas”.

 

 

 

 

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