Apesar do frio, várias zonas do país deverão registar boas ondas a partir de meados de Fevereiro. Foto: DR sábado, 07 fevereiro 2026 19:24 Nova deslocação do Anticiclone dos Açores prevê “ligar o sol” a partir de meados de Fevereiro em Portugal Continental
Finalmente deverá haver uma janela importante de tréguas ...
Portugal continental vive desde o fim de janeiro sob o efeito de um verdadeiro “comboio de tempestades” atlânticas, com sucessivas depressões a varrer sobretudo o litoral Oeste e o Centro do país, deixando um rasto de cheias, vento extremo, estradas cortadas e milhares de desalojados.
Leiria, o Oeste, o vale do Tejo e zonas ribeirinhas como Alcácer do Sal tornaram‑se símbolos deste inverno extremo, com rios a galgar margens, centros históricos submersos e o Governo obrigado a decretar situação de calamidade em dezenas de concelhos.
Um anticiclone “fora do sítio” abriu a porta ao mau tempo
O cenário caótico não é obra do acaso. A explicação está, em grande parte, na configuração da atmosfera sobre o Atlântico Norte: o jato polar desceu de latitude e o anticiclone dos Açores, em vez de “segurar” as tempestades a oeste ou mais a norte, ficou mais fraco e deslocado para sul, abrindo um verdadeiro corredor para as depressões entrarem pela Península Ibérica.
Em anos em que o anticiclone se instala mais a norte e mais robusto, Portugal beneficia muitas vezes de períodos longos de tempo seco e estável no inverno. Este ano, porém, a alta pressão esteve “fora do sítio”: centros de baixas pressões sucessivos – batizados com nomes como Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta – encontraram caminho livre até à fachada atlântica de Portugal, reforçados por rios atmosféricos carregados de humidade vindos das Caraíbas.

Para esta próxima segunda feira dia 09 de Fevereiro Portugal sofrerá ainda com o mau tempo
Oeste e Centro na linha da frente do impacto
A sucessão de tempestades fez‑se sentir em todo o país, mas o Oeste e o Centro foram dos mais castigados.
Cheias rápidas em bacias já saturadas, transbordos de rios como o Sado e o Tejo, taludes a ceder, telhados arrancados e cortes prolongados de energia e comunicações transformaram o quotidiano em modo de emergência permanente, com milhares de operacionais mobilizados e medidas excecionais de apoio anunciadas pelo Governo.
A expressão “comboio de tempestades”, usada por meteorologistas e pela própria comunicação social, acabou por definir bem a situação: mal o país começava a avaliar os estragos de uma depressão, já a seguinte se aproximava no Atlântico, sem tempo para recuperar.

Previsão Windguru é favorável a partir de Sábado, dia 21 de Fevereiro
Sinais de mudança: anticiclone dos Açores começa a subir
A boa notícia é que os principais modelos de previsão começam a apontar para uma alteração importante deste padrão a partir da segunda metade de fevereiro.
Projeções de longo prazo indicam um enfraquecimento do “comboio” de tempestades e uma tendência para que essas depressões passem a circular mais a norte, deixando Portugal fora da rota direta dos sistemas mais agressivos.
Este cenário está associado a uma subida em latitude e reforço do anticiclone dos Açores, que deverá instalar‑se a oeste de Portugal continental, funcionando de novo como um “escudo” que bloqueia frentes e centros depressionários ou, pelo menos, os desvia para latitudes mais altas.
Na prática, isto traduz‑se num aumento da probabilidade de dias com mais sol, chuva mais espaçada e um regime de vento muito menos extremo em grande parte do território, sobretudo nas regiões a sul da cordilheira Montejunto‑Estrela, à medida que nos aproximamos de meados de fevereiro.

O modelo americano (GFS) antevê a subida em latitude do anticiclone dos Açores em torno de meados de fevereiro / Meteociel.fr
Do caos à estabilidade: um inverno em dois atos
Não se espera um “interruptor mágico” que desligue a chuva de um dia para o outro, mas sim uma transição gradual de um inverno dominado por tempestades atlânticas consecutivas para um padrão mais estável, típico de uma NAO positiva, com o anticiclone dos Açores de novo em posição de comando.
Depois de semanas marcadas por vento destrutivo, rios fora de leito e alertas sucessivos de proteção civil, os mapas começam finalmente a desenhar um segundo ato deste inverno: ainda com episódios de chuva, mas intercalados por janelas de sol e tempo mais calmo, tão necessárias para o país reparar feridas e recuperar algum fôlego




