O Surf está "Cooked" - Kelly Slater e Dayne Reynolds falam em Podcast
Uma conversa rara e surpreendentemente direta sobre o estado atual do surf competitivo....
....no StabMic (Episódio 03) para uma conversa rara e surpreendentemente direta sobre o estado atual do surf competitivo — e porque é que, na opinião deles, “o surf está cooked”. O episódio, gravado com Slater a ligar da Nova Zelândia, cruza temas que vão da evolução do equipamento às guerras de prioridade no pico, passando ainda pelo futuro do surf nos Jogos Olímpicos.
Um dos pontos mais marcantes é a franqueza com que Kelly Slater fala do seu momento físico: quatro meses após uma operação à anca, admite que há dias em que mal consegue levantar o joelho para entrar no carro, mas garante que a “anca robótica” já responde melhor do que a anterior, depois de anos a competir com dores. Ainda assim, o 11x campeão do mundo não parou — e revela também que, durante o Stab In The Dark X, ficou vários dias “preso” das costas, praticamente sem conseguir andar, antes de voltar ao mar para continuar a testar pranchas.
o surf olímpico faz sentido num ambiente padronizado, e a piscina de ondas surge como solução “lógica” para uniformizar condições e tornar a competição comparável.
A conversa entra depois no território mais sensível: o papel dos shapers e a autenticidade do design. Slater assume o desconforto de avaliar pranchas num projeto como o Stab In The Dark sendo ele próprio dono de uma marca, e defende uma ideia simples: os shapers não devem tentar adivinhar o que ele “quer” — devem fazer o que realmente sabem fazer, porque caso contrário o resultado torna-se “pasteurizado” e sem identidade.
Há ainda tempo para falar da economia do line-up (ondas limitadas, egos ilimitados), das comparações com outros desportos e, inevitavelmente, do tema que dominou a semana: as mudanças no sistema de qualificação olímpica. O assunto é abordado com críticas e alguma ironia, mas Slater deixa clara uma posição que continua a gerar debate: para ele, o surf olímpico faz sentido num ambiente padronizado, e a piscina de ondas surge como solução “lógica” para uniformizar condições e tornar a competição comparável.
No final, o StabMic entrega aquilo que muitos fãs querem ouvir: dois ícones de gerações diferentes a falar sem filtro sobre o presente e o futuro do surf — entre a nostalgia do que se perdeu, a realidade do que mudou e a certeza de que o desporto está a atravessar uma fase de transformação acelerada.





