Pipeline acordou instável, irregular, mas absolutamente cativante, crónica do segundo dia do Pipe Challenger 2026

Desde o primeiro heat ficou claro que o dia seria tudo menos previsível.

O segundo dia de competição do Lexus Pipe Challenger 2026, disputado este sábado em Banzai Pipeline, no Havai, trouxe finalmente aquilo que muitos esperavam desde o arranque da prova: ondas grandes, pesadas e exigentes, com tubos de consequência a testarem ao limite wildcards, locais e candidatos ao Championship Tour.

Depois de um primeiro dia mais morno, o swell ganhou força durante a madrugada e Pipeline acordou instável, irregular, mas absolutamente cativante, oferecendo paredes duplas acima da cabeça, séries fechadas e janelas curtas de oportunidade — o verdadeiro ADN da bancada mais temida do surf mundial.

Locais em destaque num dia sem facilidades

Desde o primeiro heat ficou claro que o dia seria tudo menos previsível. Joey Johnston, especialista local, foi um dos grandes destaques ao vencer ambos os seus heats graças a dois tubos sólidos em Backdoor, com notas de 8,83 e 8,17 pontos, mostrando frieza num mar claramente intimidante.

Também Mason Ho voltou a dar espetáculo. Apesar de um primeiro heat ingrato, o havaiano respondeu na ronda seguinte com um tubo profundo avaliado em 9,07 pontos, surfando uma prancha especial de 7’6’’ em homenagem ao seu tio Derek Ho, num dos momentos mais marcantes do dia.

Outro nome em evidência foi Makana Pang, que encontrou um dos tubos mais limpos da jornada e garantiu a passagem numa bateria duríssima, enquanto Koa Smith e Benji Brand protagonizaram uma verdadeira aula de tube riding em Pipeline, incluindo combinações de tubo e aéreo que levantaram a bancada natural.

Luke Swanson assina o melhor score do dia

Apesar do domínio dos wildcards locais, houve espaço para surpresas entre os challengers. Luke Swanson, do North Shore, foi autor do melhor total do dia, com 16,17 pontos, resultado de dois tubos sólidos em Backdoor, numa bateria onde deixou para trás nomes de peso.

Também Ezekiel Lau mostrou toda a sua experiência, vencendo a sua bateria com autoridade e somando 15,37 pontos, enquanto o jovem Luke Tema arrancou a melhor onda individual do dia, com 9,23 pontos, após um tubo profundo e técnico.

Pipeline imprevisível, mas eletrizante

Nem todas as baterias ofereceram oportunidades claras. Houve heats marcados por muitos closeouts, wipeouts pesados e longos períodos sem ondas surfáveis, como no super heat que juntou Mason Ho, Jamie O’Brien, Lucas Godfrey e Eli Olson, onde a frustração acabou por ser dominante.

Ainda assim, o saldo final foi claro: Pipeline entregou espetáculo, mesmo longe da perfeição. Um mar duro, seletivo e sem concessões, que começou finalmente a separar quem está confortável neste tipo de ondas de quem apenas sobrevive.

 

Com o swell a dar sinais de ligeira descida e vento lateral previsto, a expectativa mantém-se elevada para os próximos dias, onde a prova feminina e os surfistas portugueses poderão ainda entrar em ação.

 

A Surftotal continua a acompanhar o Lexus Pipe Challenger 2026 com resultados, análises e destaque especial para a prestação nacional.

  • Créditos fotos: WSL / Heff - WSL / Hito

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