Aos 54 anos, Kelly Slater dá espetáculo em Teahupo’o e derrota categoricamente Gabriel Medina
9,73 + 9,33. Slater fica a menos de um ponto da bateria perfeita.
Kelly Slater continua a desafiar o tempo. Aos 54 anos e presente no Outerknown Tahiti Pro apenas como wildcard, o 11 vezes campeão mundial protagonizou uma das grandes exibições do evento até ao momento, derrotando Gabriel Medina com 19,06 pontos numa bateria disputada em Teahupo’o com ondas de 8 a 10 pés. Agora, o norte-americano terá pela frente Jack Robinson num duelo que promete ser imperdível.
O Outerknown Tahiti Pro ainda está longe de terminado, mas aquilo que Kelly Slater acaba de fazer em Teahupo’o merece destaque por si só.

O norte-americano, que completou 54 anos em fevereiro e já não integra a tempo inteiro o Championship Tour, recebeu um wildcard para regressar a um dos palcos onde construiu parte da sua extraordinária carreira. E está a demonstrar que, quando Teahupo’o entra em cena, a idade parece ter pouca importância.
Depois de ter começado a prova com uma vitória convincente sobre Eli Hanneman, Slater encontrou na segunda ronda um adversário de peso: Gabriel Medina, três vezes campeão mundial e também ele um dos melhores surfistas de sempre em Teahupo’o.
O aguardado duelo acabou por transformar-se numa demonstração de força do veterano norte-americano.
9,73 + 9,33: Slater fica a menos de um ponto da bateria perfeita
Com ondas na casa dos 8 a 10 pés, vento cruzado e baterias alargadas para 40 minutos, Slater foi progressivamente elevando o nível.
Depois de começar com notas modestas — 1,00 e 0,23 — encontrou um 7,00 antes de atacar decisivamente na segunda metade da bateria.
Foi então que surgiram as duas ondas que decidiram tudo.

Primeiro, um enorme tubo valeu-lhe 9,73 pontos. Pouco depois, Slater voltou a colocar-se profundamente dentro de Teahupo’o e saiu novamente para receber 9,33.
Resultado: 19,06 pontos em 20 possíveis.
Medina também apresentou surf de alto nível, terminando com 16,10 pontos, graças a um 8,43 e um 7,67. Em muitas baterias, seria uma pontuação suficiente para seguir em frente. Contra este Slater, não chegou.
Resultado da bateria:
Kelly Slater (EUA) — 19,06
9,73 + 9,33
Gabriel Medina (BRA) — 16,10
8,43 + 7,67
Medina despede-se assim da prova no 17.º lugar, enquanto Slater continua a sua caminhada em Tahiti.
Slater continua a desafiar o impossível em Teahupo’o
O desempenho ganha ainda maior dimensão quando colocado em perspetiva.

Esta é já a 21.ª participação de Kelly Slater no Tahiti Pro. Ao longo dessas aparições, apresenta uma média impressionante de 16,20 pontos por bateria, venceu 66 das 86 baterias que disputou e chegou a sete finais.
Conta ainda com 47 baterias excelentes e 78 ondas avaliadas no patamar excelente em Teahupo’o. E, naturalmente, há os cinco triunfos no evento.
Poucos surfistas na história desenvolveram uma relação competitiva tão profunda com uma única onda.
Quase três décadas depois das primeiras experiências do norte-americano neste reef taitiano e já muito depois de abandonar a luta regular pelo título mundial, Slater continua capaz de derrotar um surfista da dimensão de Gabriel Medina — e de o fazer com uma bateria acima dos 19 pontos.

E agora... Kelly Slater contra Jack Robinson
O prémio pela vitória não será propriamente um caminho mais fácil.

Na terceira ronda, Slater vai enfrentar Jack Robinson, outro dos maiores especialistas em ondas pesadas da atualidade.
E Robinson chega igualmente embalado.
O australiano eliminou Callum Robson numa das melhores baterias desta ronda, vencendo por 18,20 contra 17,40, depois de conseguir um 9,70 e um 8,50.
O confronto coloca frente a frente duas gerações e dois dos maiores especialistas em tubos do planeta.
Os números históricos em Teahupo’o ajudam a aumentar ainda mais a expectativa. Slater soma 21 participações, sete finais e uma percentagem de vitórias em baterias de 77%. Robinson participou cinco vezes, chegou a duas finais e apresenta uma taxa de vitórias ainda superior: 85%.
Kelly Slater vs. Jack Robinson. Teahupo’o. Round 3.
Aos 54 anos, o maior campeão da história do surf continua em prova — e, depois de uma bateria de 19,06 pontos contra Gabriel Medina, ninguém poderá tratá-lo apenas como um wildcard.
Assiste ao heat no vídeo abaixo:
- Créditos fotos: WSL - Hannah Anderson e Matt Dunbar
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