Mateus Ramos: aos 14 anos, o mar já aponta o caminho
E quando pensa no futuro, há uma certeza: quer continuar ligado ao oceano.
Tem apenas 14 anos, surfa há quatro e divide os seus dias entre Espinho e Cortegaça. Mateus Ramos pertence a uma nova geração que cresce junto ao mar, gosta da competição, mas não troca a liberdade de uma boa sessão com os amigos. E quando pensa no futuro, há uma certeza: quer continuar ligado ao oceano.
No Perfil da Semana, damos a conhecer Mateus Ramos, jovem surfista de 14 anos que encontrou no surf muito mais do que uma modalidade desportiva.
Nascido a 27 de agosto de 2011, Mateus prepara-se para iniciar o 10.º ano no ano letivo 2026/2027 e leva já quatro anos de surf. As suas praias habituais são a Praia da Baía, em Espinho, e a Vila do Surf, em Cortegaça, dois locais que fazem parte da sua formação dentro e fora de água.
Antes de chegar ao surf, experimentou outras modalidades. Nenhuma ficou.
“Escolhi o surf depois de ter experimentado várias outras modalidades. Sem dúvida, é algo com que me identifico a 100% nos dias de hoje”, conta.
Crescer junto ao Atlântico também ajudou a criar essa ligação.
“Ter a sorte de crescer numa localidade junto ao mar, com uma grande cultura de surf e rodeado de amigos com a mesma paixão, é sem dúvida o que me deixa realizado e feliz.”
Uma direita de 150 metros que ficou na memória
Quando lhe perguntamos pela surfada que nunca esqueceu, Mateus não precisa de viajar para uma ilha tropical. Aconteceu perto de casa, em Cortegaça.
O cenário ficou-lhe gravado na memória: meia maré, ondas com cerca de dois metros, vento offshore e uma direita a arrancar junto ao paredão.
Uma daquelas sessões em que tudo parece encaixar.
Segundo Mateus, a onda permitia-lhe ligar várias manobras ao longo de um percurso que chegava perto dos 150 metros.
Não admira, portanto, que a sua frase favorita seja bastante simples — e muito surfista:
“Que ganda direita...!”
O maior susto também aconteceu em Cortegaça
Mas o mesmo local que lhe proporcionou uma das melhores sessões da vida foi também palco do momento mais complicado que viveu dentro de água.
Mateus estava sozinho no outside quando o tempo mudou rapidamente. As nuvens cobriram o céu, os sets começaram a entrar progressivamente mais fora e o jovem surfista percebeu que estava numa situação difícil.
Sem conseguir furar as ondas e a ser empurrado em direção ao paredão, viveu momentos de grande aflição.
Foi aí que entrou uma das aprendizagens fundamentais no mar: manter a calma.
Sem entrar em pânico, conseguiu identificar um canal junto ao paredão, afastar-se da zona de maior perigo e regressar em segurança à costa.
Uma experiência que, aos 14 anos, já lhe mostrou as duas faces do oceano: aquela que oferece algumas das melhores sensações do mundo e aquela que exige respeito absoluto.
Competir, sim. Mas o freesurf continua a ganhar
Mateus participa em competição e reconhece a sua importância no processo de evolução enquanto surfista. Ainda assim, quando pode escolher, prefere uma sessão sem licras, buzinas ou prioridades.
“Gosto mais de fazer freesurf e de poder estar junto dos meus amigos. A competição faz parte da evolução e eu também faço parte dessa mesma competição.”
No quiver, duas pranchas aparecem com maior frequência: uma Lost F-1 5'10" e uma Sharpeye 77 5'10".
E há um destino que ocupa um lugar especial na lista de sonhos: Bali, na Indonésia.
“Fazem falta apoios aos jovens surfistas”
Apesar da idade, Mateus identifica um problema que considera importante para a evolução das novas gerações em Portugal: a dificuldade em conseguir apoios.
Na sua opinião, existe talento entre os jovens surfistas portugueses, mas nem todos dispõem das condições necessárias para avançar no percurso competitivo.
“Fazem falta no surf português os apoios aos jovens surfistas. Temos muitos talentos que não conseguem dar o passo para a competição por falta desses mesmos apoios.”
E não fala apenas de dinheiro. Para Mateus, o apoio pode surgir em diferentes áreas: financeira, material, através do patrocínio das marcas, e técnica, através do acompanhamento por escolas e treinadores.
É uma reflexão interessante vinda de alguém que está precisamente numa das fases em que esses recursos podem fazer maior diferença.
Um futuro junto ao mar — e um sonho chamado O'Neill
Perguntámos-lhe também o que gostaria de fazer profissionalmente quando chegar a altura de escolher. A resposta começa com uma certeza e termina com um sonho.A profissão terá, se depender dele, alguma ligação ao oceano, porque é junto ao mar que diz sentir-se verdadeiramente bem.
E Mateus confessou-nos ainda uma ambição muito concreta: gostaria de um dia trabalhar na O'Neill.
Aos 14 anos, ainda há muito mar pela frente, muitas ondas por descobrir e seguramente muitos planos que irão mudar.
Mas uma coisa parece já bastante definida no percurso de Mateus Ramos: seja em cima de uma prancha ou profissionalmente, é junto ao oceano que imagina o seu futuro.




