Mindset & Breathwork  - após um wipe out Mindset & Breathwork - após um wipe out

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domingo, 16 agosto 2020 22:14

"Um dos erros mais comuns de muitos surfistas é o de tentarem emergir o mais rapidamente possível"

É inevitável. Mais tarde ou mais cedo todos os praticantes de surf enfrentam aqueles momentos ...

 



5ª Artigo Mindset & Breathwork após um wipe out :




“Surfing is built on failures and wipeouts, so accept the inevitability and learn from the wipeouts” Nathan Florence

 




É inevitável. Mais tarde ou mais cedo todos os praticantes de surf enfrentam aqueles momentos em que  após uma queda na onda, a energia e o turbilhão de água nos “prende” e só pensamos em querer subir à superfície para respirar.
É como se fosse a prova ou tributo que temos por vezes de pagar, pelo prazer e privilégio de surfar uma onda, ou a consciência de que na natureza somos apenas os seus convidados e que a situação idílica pode mudar de um momento para o outro.

Quando estamos debaixo de água com reservas limitadas de oxigénio e sem possibilidade de controlarmos os acontecimentos,  a única opção que temos é controlar como reagimos, o que requere conhecimentos, treino e prática.

Consideremos dois níveis de aprendizagem. O mais básico para qualquer surfista e um mais avançado para quem gosta de surfar ondas de consequência.


A)    Nível básico:


Um dos erros mais comuns de muitos surfistas é o de tentarem a todo o custo emergir o mais rapidamente possível.

A questão é que o mar é infinitamente mais forte que nós e enquanto achar que nos quer agarrar, de nada nos vale tentarmos nos libertar. O problema é que quanto mais nos debatemos para subir à superfície, mais depressa consumimos as reservas de oxigénio que temos e aumentamos os níveis de stress. O bater das pernas e o stress mental provocado pelo medo de não conseguir respirar, são os dois maiores consumidores do precioso oxigénio. E debaixo de água, nestas condições, os segundos podem parecer minutos.

O que devemos aprender e praticar:

•    Relaxar o corpo e mente debaixo de água.
 
Felizmente foi um conselho que aprendi desde muito novo e que tem sido muito útil ao longo dos anos.
Relaxar completamente, é importante para conservar energia e oxigénio. O ideal é deixarmos o corpo ir para onde a energia da onda nos quer levar e permanecer atentos ao melhor momento para reagirmos. Dependendo da situação, podemos proteger a cabeça com os braços para evitar pancadas acidentais com a prancha ou contacto com o fundo, sobretudo se for de rocha ou coral.

•    Engolir, quando sentirmos o impulso para respirar.

Este pequeno truque da apneia, retarda a vontade de respirar e confere uns segundos preciosos debaixo de água. Para quem nunca experimentou, pode tentar prender a respiração e quando sentir o impulso de respirar tente engolir.

•    Se sentirmos o leach da prancha muito tenso, em vez de oferecer resistência, deixar ser arrastado pela prancha.

O ideal é tentar ficar o mais paralelo possível na direção que vamos, de forma a minimizar a resistência. Conservamos energias, ficamos mais afastados da zona de impacto e não corremos o risco de perdermos a prancha ou podermos ser atingidos pelo efeito elástico do leach.

•    Quando emergirmos, devemos manter a calma e respirar profundamente.

 Pode sempre existir a possibilidade de outra onda nos obrigar a emergir, pelo que relaxar e recuperar são a prioridade até conseguirmos voltar a poder remar para fora da zona de impacto. Na dúvida, quando emergimos podemos também optar por ter uma das mãos perto da face para prevenir contra um impacto inesperado da prancha.


B)    Nível avançado:




Quedas em ondas de consequência por norma significam mais tempo debaixo de água até conseguirmos voltar à superfície.

Para melhor lidarmos com estes momentos, existem treinos desenvolvidos que são praticados dentro e fora de água, com os seguintes objetivos:

•    Praticar em ambiente controlado, situações que podem ocorrer no mar e treinar para lidar com os diferentes cenários. Os treinos combinam exercícios de cardio elevado, resistência, técnicas de respiração e apneia.

•    Aumentar a nossa tolerância à acumulação do Dióxido de Carbono  (CO2) no corpo. O estímulo de querer respirar não é por falta de oxigénio no corpo, que é muito próximo dos 90 a 95% quando a vontade de respirar ocorre. É o aumento de concentração de CO2 no corpo, que provoca a vontade de respirar. Com treino, podemos aumentar a tolerância e assim retardar a vontade de respirar.

•    Desenvolver técnicas de visualização e mindfulness, que ajudam a mente a acalmar e a focar.

A este propósito, Kay Lenny, mencionou em uma entrevista que após um wipe out violento em Jaws, mesmo com o colete por vezes não consegue voltar à superfície, devido à pressão que o prende no fundo. Nessas ocasiões, a única coisa que pode fazer é aceitar e relaxar completamente, começando a imaginar que constrói uma ponte, em que cada bloco da ponte tem uma cor diferente. Diz que até hoje nunca consegui acabar a ponte e quando dá por ele está a começar a subir. Nessa altura o seu foco é em executar uma braçada de cada vez até emergir. Como resultado, poupa muito oxigénio e energia.

 




Pessoalmente, tenho vindo a complementar os meus treinos de Breathwork e Mindset, com os treinos da Wave Cruchers em piscina. O  Jójo é um instrutor muito competente, permitindo que  cada um consiga explorar os seus limites de forma segura.

NOTA: Quando realizamos exercícios na água, nunca por nunca fazer sozinhos e sempre na companhia de um instrutor certificado. O risco de morrer afogado por black out é real.

A combinação da prática regular destes exercícios, permite ao praticante de surf:

•    Ter mais confiança pessoal na hora de decidir entrar no mar com ondas de consequência;

•    Melhorar capacidade de remada, mantendo uma boa consistência e cadência em esforço aeróbico durante mais tempo;

•    Aumentar tempo em apneia, mesmo com o cardio inicial elevado e em algumas alturas com menos ar inspirado do que seria ideal.

•    Conseguir relaxar fisicamente e mentalmente debaixo de água, até poder reagir controladamente;

•    Aprender técnicas de recuperação rápida após emergir de longos segundos/minutos debaixo de água.


Convido a ver o vídeo abaixo “Surviving Big Hold Downs”, que representa as situações extremas que os surfistas poderão enfrentar, mas que com o devido treino é possível sobreviver.




*Por Ricardo Gomes, instrutor do Método Wim Hof e Breathwork




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