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domingo, 27 setembro 2020 12:28

Afinal "Os surfistas não são viciados em adrenalina, mas sim em Flow State e seus efeitos posteriores..."

Tudo se funde num movimento continuo e fluído

 

 

Mindset& Breathwork: Flow State, Stoked, Natural High, Adrenaline Rush



 

 

 

“The Zone” expressa aqueles momentos em que

 

nos encontramos de tal maneira envolvidos e absorvidos

 

a surfar a onda, que perdemos a noção do tempo, tudo flui..."

 

 

 

 

 







Recordam-se do filme “The Zone” de Jack Coleman? Tudo gira em torno da alegria e prazer de surfar, no fundo explorando a essência do free-surf, onde ocorre a perfeita conexão entre o surfista e a onda, fundindo-se tudo num movimento continuo e fluído.

Talvez por esse motivo, Jack Coleman se decidiu pelo título “The Zone”.

 

 

THE ZONE surf movie from Jack Coleman Surf Films on Vimeo.

 



Na cultura do Surf, a palavra “The Zone” expressa aqueles momentos em que nos encontramos de tal maneira envolvidos e absorvidos a surfar a onda, que perdemos a noção do tempo, tudo flui e sentimos que nos encontramos ao nosso melhor nível. Por norma, quando tal sucede, os efeitos posteriores que experienciarmos são uma mistura de sentimentos entre alegria, êxtase, felicidade, paz, bem estar e conexão, muitas vezes resumidos a uma única palavra “I’m Stoked”.

No mundo dos desportos de ação, não faltam exemplos de atletas que descrevem experiências idênticas. Skate, canoagem em rápidos, escalada sem cordas, wingsuit, desportos motorizados são apenas alguns exemplos. E não é só em situações extremas. Músicos, pintores, cantores, yoguis, místicos, religiosos ou simplesmente estarmos envolvidos em uma conversa interessante, tendem igualmente a experienciar o mesmo, mas em diferente grau de duração e intensidade. O que pode mudar é a interpretação e o contexto de quem experiência.

Ao longo dos séculos, filósofos e os religiosos têm procurado entender como podem aceder a este estado alterado de consciência tão ilusivo, de forma mais frequente e durante mais tempo. Na actualidade, tem sido a Psicologia e as Neurociências quem mais se tem dedicado a descodificar todo o processo para conseguirmos viver mais em Flow.

 

 

 


"Ao longo dos séculos, filósofos e os religiosos têm procurado

 

entender como podem aceder a este estado

 

alterado de consciência tão ilusivo..."

 

 

 

 

 

 

Porquê tanto interesse?

Quando o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, publicou o livro “Flow, The psychology of Optimal Experience”, chamou o interesse do mundo para a possibilidade de se aceder ao estado de Flow de forma intencional, sem ter de passar anos a meditar ou fechado em um mosteiro para o conseguir.

E o motivo do interesse era simples. Estados elevados de felicidade e ótima performance conjugados, passou a ser muito apelativo para o aumento de produtividade das grandes organizações empresariais, desportivas e militares.

Atualmente a definição de Flow ou Zona é descrita como:

“ Um estado ótimo de consciência, onde nos sentimos no nosso melhor e onde atuamos ao nosso melhor nível de performance....onde a nossa atenção e foco é total e ficamos de tal modo absorvidos no momento que tudo o resto desaparece ou perde significado. Ação e atenção fundem-se, a noção de “eu” desaparece, a perceção do tempo fica distorcida (ou acelera ou se torna mais lento). E onde todos os indicadores de performance mental e física aumentam exponencialmente” Steven Kotler

 

 

 

 

"Existe a possibilidade de se aceder ao estado de Flow de forma intencional,

 

sem ter de passar anos a meditar ou fechado em um mosteiro..."

 

 

 

 



E que indicadores são esses?

· DARPA (departamento de investigação do exército dos Estados Unidos): Incremento de 490% em aprendizagem de competências, tendo reduzido de 10 000 horas de treino deliberado dos Snipers para 6 000 Horas;
· McKinsey & Company: 500% Incremento na produtividade dos executivos;
· Universidade de Harvard: 3 dias de acesso a elevados estados de criatividade, após se ter estado em Flow;
· Universidade de Sidney: 430% incremento em solução de problemas.

Como consequência a revista Forbes já classificou “ A Percentagem de Flow State” como a métrica de gestão número um para o seculo 21.

E no lado do desporto e Surf?

A Red Bull R&D team, em 2014, iniciou a sua própria investigação com um grupo de neurocientistas e surfistas apoiados pela marca, entre eles o jovem Jack Marshall na altura com 15 anos. O objetivo era entender as alterações no cérebro, quando ocorria o estado “Stoked”, uma vez que tal acontecia quando os surfistas estavam na “Zona” e atuavam no pico do seu potencial de performance.
Conseguir que os atletas passassem a atuar em Flow sempre que necessário, era uma mais valia fantástica durante a competição e evolução dos limites do que seria possível no surf.


Projecto Red Bull Surf Science.



Os surfistas utilizaram um aparelho de EEG à prova de água para medir as ondas cerebrais (Gama, Beta, Alfa, Teta e Delta) e os resultados da leitura correspondiam aos padrões de ondas cerebrais encontrados em estados elevados relaxativos e de meditação, onde as ondas Alfa são predominantes em relação a todas as outras.

Na altura, esta informação era um dado isolado de modo que ficaram longe do objetivo pretendido. Foi necessário aguardar mais uns anos de investigação nas universidades e centros de pesquisa, até se identificar toda a Neurobiologia do Flow, de forma a ser possível entender o que a Red Bull pretendia em 2014. Podemos resumir os pontos mais importantes a:

1. Flow é extremamente ilusivo e faz parte de um círculo composto por 4 fases. A informação obtida pela experiência da Red Bull enquadra-se na fase que antecede a entrada em Flow. O acesso poderá acontecer, desde que outras condicionantes entretanto identificadas se encontrem igualmente presentes;



2. Todas as fases têm os seus requisitos que devem de ser cumpridos. Quando tal não acontece não avançamos no ciclo o que impossibilita aceder ao estado de Flow;

3. A duração do estado de Flow, é em função do tempo que decorre a ação. A intensidade, é em função do grau do desafio e nossas capacidades;

 



4. Em Flow ou na Zona, nossa mente opera a um nível mais subconsciente do que consciente/racional, o que aumenta em muito a rapidez de atuação, o processamento de informação torna-se muito rápido e não há lugar a dúvidas nem hesitações. É puro instinto e reação.
Diversos neuroquímicos são libertados tais como a Noradrenalina (focos, atenção), Dopamina (motivação), Endorfinas (bem estar e inibição de dor) e Anandamina ( Molécula da felicidade).
São todas estas alterações, que vão potenciar o aumento de performance físico e mental de forma exponencial.

5. Oxitocina (molécula do amor e conexão) e Serotonina (satisfação, bem estar), são neroquimicos libertados após se ter estado em Flow.

 

 

 

 

“ A Percentagem de Flow State” será,

 

segundo a revisa Forbes,

 

uma métrica de gestão número um para o século 21..."

 

 

 

 

 

 

 



Um dos efeitos da presença dos neuroquímicos libertados no nosso corpo, é o que permite aos surfistas, quando saem do estado Flow, de experienciarem o sentimento “Stoked” ou “Natural High”
Com tantas drogas naturais produzidas pelo cérebro, não é de admirar que o surf é tão viciante e ao mesmo tempo espiritual.

Na verdade, os surfistas não são viciados em adrenalina, mas sim em Flow State e seus efeitos posteriores.

Uma perceção que muitos atletas têm é de que “Adrenaline Rush” é equivalente ao estado Flow.
No caso dos desportos de ação, em situações que pode haver risco de vida, ocorre uma descarga elevada de adrenalina que coloca o atleta em estado de alerta e grande foco, despoletando o Flow. No fundo, é uma maneira da natureza providenciar um último recurso de sobrevivência, para que o ser humano, quando perante situações críticas, atue no seu máximo potencial.

Gostaria de partilhar a mesma mensagem de Rob Machado no filme Natural High. Procurem o acesso a este estado fantástico de forma natural pela prática do Surf. Não o façam com recurso a drogas que estimulam estados de consciência alterados semelhantes, mas com elevados riscos mentais, emocionais e físicos.

Para os que pretendem aprender a aceder de forma intencional, partilho a minha experiência pessoal. Requere conhecimento integral do processo, mudança de rotina e hábitos, preparação gradual física, mental e emocional e experimentar o que resulta ou não para nós, de forma a aumentar as hipóteses de conseguirmos atuar em Flow.
Mais energia, foco, motivação, surf mais fluído são apenas alguns dos benefícios obtidos gradualmente.

O processo é mais fácil para desportistas profissionais, que já têm um mindset orientado para a otimização das suas rotinas de treino e competição. Quando tal não sucede, o melhor é aproveitar ao máximo o prazer de surfar e pode ser que quando fizerem um tubo ou onda especialmente desafiante, entrem em Flow e terminem o Surf a sentirem-se Stoked J

 

 

 

 

 

"Na verdade, os surfistas não são viciados em adrenalina,

 

mas sim em Flow State e seus efeitos posteriores..."

 

 







Boas surfadas e muito flow nas vossas vidas.





*Por Ricardo Gomes - Instrutor do método Wim Hof
Mindset & Breathwork para Performance no Desporto

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