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domingo, 17 novembro 2019 15:14

Os génios deixaram-se morrer !

"A excentricidade supérflua impera sem conteúdo sem emoção e sem rasgos de genialidade..."


É quase consensual que John John Florence e Gabriel Medina são os melhores surfistas do planeta. Se olharmos para John John os adjetivos são inesgotáveis, o rapaz é inteligente, educado e humilde é um  embaixador distinto do surf a nível mundial, Medina por seu lado é um competidor quase patológico mas essa agressividade competitiva tem elevado o seu surf a um nível absolutamente imaginável. Filipe Toledo e ítalo não seriam os surfistas extraordinários que são se Medina não existisse, ele é uma referência competitiva de outra galáxia e irá ficar para na história como um dos melhores de todos os tempos.

 

 

"Mas alguém segue o padrão Medina ou John John para além do surf?"

 


Mas alguém segue o padrão Medina ou John John para além do surf? provavelmente sim mas seguem os seus comportamentos e costumes como se de verdadeiras estrelas revolucionárias se tratassem? talvez mas apenas para um público demasiado restrito.
No surf como na vida todos nós precisamos de alguém que saia das normas, que surpreenda que quebre barreiras pela sua imprevisibilidade que faça a tal transformação social que molda os tempos e revoluciona os nossos estilos de vida, precisamos com urgência duma renovação metafórica no surf que vai muito além do rendimento na água.

 

"Há menos autenticidade,

mesmo dentro de água apesar de o nível estar estratosférico"

 


A evolução atual dos atletas é evidente, a sua postura, eloquência e educação perante o público é de enaltecer, hoje temos verdadeiros profissionais que valorizam a classe mas quase que se limitam a isso. Há menos autenticidade, mesmo dentro de água apesar de o nível estar estratosférico muitas vezes as manobras mais espetaculares são rotineiras e previsíveis, sobressaem pela técnica e preparação física e não tanto pelo desprendimento a “tudo e todos” próprio de surfistas carismáticos como Andy Irons, Mark Occhilupo ou Dane Reynolds, todos eles com um mágico elo emocional a surfar e que passa para todos nós, exatamente o que está a faltar neste momento, quando dizem que Dane Reynolds não se adaptou ao circuito quase que me apetece dizer o contrário, sentimos um pouco isso também com o nosso Vasco Ribeiro que retém dentro dele um cocktail explosivo de talento e emoções e que prazer seria vê-lo no WCT, Vasco é puro talento empático. Neste momento é Griffin Colapinto que vai espalhando no circuito essa genialidade transcendental aconselho mesmo a quem está deprimido observá-lo a surfar, Griffin é um anti-depressivo.

 

 

"As grandes estrelas por vezes são instáveis e não máquinas competitivas."

 


Mas as grandes estrelas por vezes são instáveis e não máquinas competitivas, pensam mais rápido e sentem de forma mais profunda, sofrem mais mas retiram mais prazer, Van Gogh cortou a sua orelha, Hemingway deu um tiro na cabeça e Kurt Cobain consumia heroína, Andy Irons no auge podia ser um quadro de Van Gogh, um livro de Hemingway ou a musica de Kurt Cobain, foi genial e quase imbatível mesmo contra a máquina intemporal do Slater mas o seu destino drástico não foi diferente destes artistas.

 

 

"os génios que já tinham dificuldade de sobreviver num mundo competitivo

com as redes sociais deixaram-se morrer de vez."

 

 


O mundo anda cor de rosa e cheio de “sorrisos insta” a excentricidade supérflua impera sem conteúdo sem emoção e sem rasgos de genialidade as redes sociais tomaram conta de nós onde cada um é absorvido por uma esfera restrita sem espaço para quem tem mérito e talento e as verdadeiras estrelas narcisicamente passamos a ser nós próprios, os génios que já tinham dificuldade de sobreviver num mundo competitivo com as redes sociais deixaram-se morrer de vez.

Texto: Bernardo “Giló” Seabra 

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