Rodrigo Herédia, sempre que pode, mete o surf no pé. Rodrigo Herédia, sempre que pode, mete o surf no pé. Foto: Miguel Carla

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sexta, 07 setembro 2018 16:04

Rodrigo Herédia: “Se calhar, grande parte destes nomes nunca mais estarão reunidos”

O Mundial Masters nos Açores de acordo com o organizador… 

 

É já a partir de 18 de setembro que inicia o Azores Airlines World Masters Championships. Trinta lendas mundiais do surf virão a Portugal e à ilha de São Miguel, pela primeira vez, com um desafio bem definido em mente. O evento é considerado único, daqueles que não se devem perder por nada deste mundo e junta antigos campeões dos quatro cantos do globo: Austrália, Havai, Nova Zelândia, EUA, Brasil, Reino Unido, África do Sul e Portugal.

Rodrigo Herédia, da organização da prova, campeão nacional em 1993 e um dos melhores surfistas portugueses de sempre, fez o favor de nos traçar as linhas essenciais deste tão especial campeonato. 

 

Surftotal: Antes de mais, como surge a ideia de passar de um importante QS6,000 para um Campeonato do Mundo com as maiores lendas internacionais do surf? São dois tipos de competição bem distintas… 

Rodrigo Herédia: A ideia de fazer este ano um evento Masters foi para comemorar a 10.ª edição da prova açoriana, o Azores Airlines, eu achei que fazia todo o sentido fazer algo diferente. Eventos do Qualifying são, de facto, muito importantes. O Qualifying dos Açores, nos últimos anos, praticamente quem vence no ano seguinte está no WCT, porque é realizado numa fase crucial do calendário. No entanto, considero que para o destino Açores e para comemorar este ano especial, ter cá as grandes referências, lendas e a história do surf mundial, pela primeira vez nos Açores e na Europa, é extremamente importante. 

 

Como acolheu a WSL a notícia de transição de um evento para outro? 

A WSL recebeu bem a mudança uma vez que tem vontade de voltar a ativar este evento, de o tornar anual e realizar mais frequentemente em destinos diferentes. Portanto, isto significa que tão cedo não voltará aos Açores. Em todo o caso, aceitou bem mas colocou a condição, quase, de que isto seria um interregno no evento de qualificação (QS6,000) e que este se manteria para 2019. Da parte da organização também há essa vontade. 

 

“Ter cá as grandes referências, lendas e a história do surf mundial,

pela primeira vez, é extremamente importante”

 

- Foto: WFernandes Vieira / Arquivo Pessoal

 

Em termos competitivos, o elenco está fechado e confirmado. De todos os presentes, quais os que consideras ser os cabeças de cartaz mais importantes?

Todos os nomes que estão presentes são variados e abrangem várias gerações, várias referências e ídolos. Temos surfistas como Michael Ho, Cheyne Horan, Glen Winton e Rob Bain. Depois temos atletas como Sunny Garcia, Derek Ho, Luke Egan, Tom Curren, Shane Beschen ou Fábio Gouveia. Portanto, são tantos os nomes, embora não tenha referido todos, que é difícil dizer qual será o mais importante, ainda mais sabendo que todos nós acabamos por ter o nosso ídolo e referência. Para mim, se calhar, Tom Curren, por ser o mestre do estilo e 3x campeão do mundo. 

 

Como fã de surf, qual o surfista que mais ambicionas ver a surfar nas águas de S. Miguel?

Como referi anteriormente, Tom Curren, sem dúvida. Depois Shane Beschen porque já vem da geração Kelly Slater, tem um surf mais atual e progressivo. Foi um surfista que acabou por ser vice-campeão do mundo e é muito bom, com estilo único. Apesar de não ser uma das principais referências é um dos atletas que destaco. 

 

“Se calhar, grande parte destes nomes nunca mais se irão reunir”

 

- Back in the days. Foto: Arquivo Pessoal

 

Este tipo de evento é uma oportunidade única, pois talvez nunca mais se veja tantas lendas juntas. Que tipo de apelo farias ao fãs do surf?

De facto este evento vai ser único. Vai ser único no sentido em que só acontece uma só vez e único também porque, se calhar, grande parte de todos estes nomes nunca mais se irão reunir. A última vez que este evento aconteceu foi em 2011 e, apesar da vontade da WSL em que ele se repita anualmente, não é fácil, não só como promotor, mas também reunir todos os atletas que são grandes nomes do surf. 

 

Vamos ter um português envolvido. Fala-nos de como se processou a inclusão de “Dapin” no evento. 

O Dapin foi uma escolha por ser quem foi, por ser, se calhar, o surfista a que muitos não deram o valor nem atribuíram a devida importância no panorama do surf nacional. Contudo, sem dúvida, foi um surfista que numa altura bastante difícil do surf, em que este ainda não era o desporto que é hoje em dia, era considerado quase um hobby; foi um dos primeiros a tornar-se praticamente profissional, a sair do país e a competir na Austrália, de onde regressou com um surf completamente diferente ao que se praticava por cá. Para nós foi a oportunidade de termos uma referência e um guia, um surfista que estava num nível muito superior. Isto permitiu e fez com que todos os outros também elevassem o nível. Por tudo o que ele fez e por todas as portas que abriu ao surf em Portugal, pelo seu surf em si e pelo nível que ainda apresenta, o Dapin é, sem dúvida, merecedor para estar nesta prova. 

 

“O Dapin foi uma escolha por ser quem foi e por ser o surfista

a que muitos não deram o valor nem atribuíram a devida importância”

 

- A meter para dentro em Santo Amaro. Foto: Luís Cerqueira / Arquivo Pessoal

 

Última questão. A cerca de duas semanas de ter lugar, como estão os fundos pelos Areais de Sta. Bárbara?

Os fundos estão a melhorar. Houve uma ondulação bastante grande há dias que mudou muito os fundos, mas este fim de semana entra uma nova ondulação com uma direção um bocadinho diferente que vai permitir perceber, de facto, qual o melhor spot para se fazer o campeonato. No entanto, em princípio, teremos duas estruturas montadas, uma no canto da praia e outra no lado oposto, para que caso seja necessário possamos optar. Estamos a fazer tudo por tudo para ter várias estruturas sendo que o “main site” será sempre junto ao Santa Bárbara Resort. 

 

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