Finalmente em outubro! Surfistas aplaudem mudança de data do Mundial de Surf em Peniche e Supertubos promete espetáculo

o ambiente em Peniche é de grande expectativa, reforçada pelas previsões de ondulação para os primeiros dias do período de competição, entre 16 e 25 de outubro.

 

O regresso do MEO Rip Curl Pro Portugal ao mês de outubro está a conquistar os melhores surfistas do mundo. Temperaturas mais agradáveis, boas perspetivas de ondulação e uma altura do ano particularmente favorável para receber milhares de espectadores fazem da mudança uma das decisões mais acertadas para a etapa portuguesa do Championship Tour. Gabriela Bryan, Frederico Morais e outros protagonistas não escondem o entusiasmo.

A mudança era há muito desejada e, este ano, tornou-se realidade. Depois de várias edições realizadas em março, o MEO Rip Curl Pro Portugal regressa a outubro, mês em que a competição se estreou em Peniche, em 2009.

A alteração foi recebida com entusiasmo pelos atletas, que encontram agora temperaturas mais amenas, dias geralmente mais agradáveis e uma janela de competição com potencial para proporcionar excelentes condições em Supertubos.

A 1 dia do arranque da prova, o ambiente em Peniche é de grande expectativa, reforçada pelas previsões de ondulação para os primeiros dias do período de competição, entre 16 e 25 de outubro.

Gabriela Bryan: «É tão bom voltar em outubro, com o tempo mais quente»

A havaiana Gabriela Bryan, líder do ranking mundial feminino, foi uma das atletas que mais claramente manifestou a sua satisfação com o regresso da etapa portuguesa ao outono.

«É tão bom voltar, e em outubro, com o tempo mais quente. As ondas estão ótimas. Estou entusiasmada. A energia da praia é o que mais me fascina. Mesmo que esteja pequeno, dá para tubos, manobras... é muito bom voltar», afirmou durante a apresentação do campeonato.

Também Frederico Morais, um dos surfistas portugueses com maior experiência em Supertubos, considera a alteração particularmente positiva.

«É ótimo competir em casa, não há sentimento mais especial do que vermos a praia cheia, o público é fervoroso, torce, grita, apoia e sente as nossas ondas, as nossas vitórias e as nossas derrotas», destacou o português, acrescentando que «a prova decorrer em outubro é uma ótima decisão».

Para Kikas, esta edição terá ainda um significado especial, pela possibilidade de competir perante a filha.

Outubro pode ser a combinação ideal entre ondas e público

A escolha do mês de outubro apresenta vantagens que vão além das condições dentro de água.

Ao contrário de março, quando o frio, a chuva e os ventos fortes podem dificultar a experiência dos espectadores, outubro oferece frequentemente temperaturas mais agradáveis e condições favoráveis para acompanhar a competição na praia.

Do ponto de vista oceanográfico, o outono marca também uma fase interessante na costa portuguesa, com a chegada das primeiras ondulações atlânticas mais consistentes, mantendo-se ainda períodos de tempo estável.

Embora nenhum mês garanta ondas perfeitas, a combinação de swell, vento e temperaturas pode tornar outubro uma janela particularmente atrativa para uma prova realizada numa onda tão exigente como Supertubos.

As previsões para esta edição apontam precisamente para a chegada de ondulação de oeste-noroeste, com períodos interessantes e vento predominantemente do quadrante norte, criando expectativas positivas para o arranque da competição.

WSL reconhece maior importância estratégica da etapa portuguesa

Francisco Spínola, diretor-geral da World Surf League para a Europa, África e Médio Oriente, destacou também a importância da alteração do calendário.

«O posicionamento da prova nesta reta final do Circuito Mundial, de regresso a outubro, traz também aqui uma importância maior a esta etapa», afirmou.

Com a competição a entrar na fase decisiva da temporada, os resultados em Peniche terão consequências importantes para as classificações mundiais.

O brasileiro Yago Dora, atual campeão mundial e vencedor da etapa portuguesa em 2025, também destacou a sua ligação ao país.

«Já há muitos anos que venho a Portugal. Sempre gostei muito, é um lugar muito divertido, as ondas, as pessoas. É um lugar feliz», afirmou.

A canadiana Erin Brooks, que chega a Peniche depois de três vitórias consecutivas no Championship Tour, mostrou-se igualmente otimista.

«Estou muito feliz, as previsões parecem ótimas. Tem sido ótimo partilhar tubos com todos os outros surfistas», revelou.

Uma decisão que também pode beneficiar a economia e a audiência

A etapa portuguesa é hoje muito mais do que uma competição de surf.

Segundo os dados apresentados na conferência de imprensa, o evento recebe anualmente cerca de 120 mil visitantes e a edição de 2024 gerou um impacto económico estimado em 20 milhões de euros.

Ao longo de 17 anos, o impacto económico acumulado da prova ultrapassa os 300 milhões de euros, segundo os números divulgados pela organização.

O regresso a outubro poderá contribuir para valorizar ainda mais estes resultados, ao proporcionar uma experiência potencialmente mais agradável aos espectadores e reforçar a atratividade turística de Peniche fora da época alta.

O presidente da Câmara Municipal de Peniche, Filipe Sales, destacou precisamente a importância da competição para a região, lembrando que a oferta hoteleira se encontra preenchida durante o evento.

A dimensão mediática é igualmente significativa. Em 2025, a prova foi transmitida através de nove plataformas, chegando a espectadores de mais de 100 países e ultrapassando os 10 milhões de visualizações.

Cinco portugueses e uma previsão promissora para o arranque

Portugal terá cinco representantes nesta edição: Yolanda Hopkins, Francisca Veselko, Teresa Bonvalot, Frederico Morais e Guilherme Ribeiro.

A expectativa é particularmente elevada para o jovem Guilherme Ribeiro, que fará a sua estreia na etapa de Peniche.

«É algo com que sonho há anos. Desde 2009 que aqui venho e sonho em entrar neste campeonato», confessou o surfista português.

A primeira chamada está marcada para sexta-feira, 16 de outubro, às 7h30, com possibilidade de início da competição às 8h00, dependendo das condições do mar.

O regresso a outubro poderá revelar-se uma das melhores decisões para o futuro do MEO Rip Curl Pro Portugal. A combinação entre o potencial de Supertubos, temperaturas mais agradáveis, maior conforto para o público e uma fase decisiva do circuito mundial reúne ingredientes para uma edição memorável.

Agora, falta que o Atlântico confirme as expectativas.

 

  • Créditos fotos: Pedro Mestre

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