Matosinhos prepara instalação de exutor submarino para reduzir impacto da Ribeira da Riguinha na zona balnear
A solução técnica poderá afastar a água contaminada da zona de usufruto da praia, mas a despoluição a montante continua a ser apontada como o passo essencial
O equipamento poderá ajudar a afastar a água contaminada da zona de usufruto da praia, mas a despoluição a montante continua a ser apontada como o passo essencial
A Praia de Matosinhos poderá vir a beneficiar da instalação de um "exutor" submarino destinado a reduzir o impacto direto da Ribeira da Riguinha na zona balnear, numa tentativa de afastar da área de banhos episódios de maior concentração de água contaminada.
A informação foi confirmada à Surftotal por Humberto Silva, deputado da assembleia de freguesia de Matosinhos e também ligado ao ativismo ambiental, que tem acompanhado de perto a situação da ribeira e os seus efeitos na qualidade da água junto à praia.
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Em causa está uma solução técnica que permitirá conduzir ou induzir a dispersão da água proveniente da ribeira para uma zona mais afastada da área de usufruto dos banhistas, aproveitando a maior capacidade de diluição do mar e evitando que a água potencialmente contaminada permaneça concentrada junto à linha de água onde se encontram banhistas, surfistas, escolas de surf e outros utilizadores da praia.
O exutor é parte da solução, não a solução final
Apesar da importância da intervenção, Humberto Silva sublinha que o exutor deve ser visto como parte da resposta ao problema e não como a solução definitiva.
A prioridade, defende, continuará a passar pela despoluição a montante da Ribeira da Riguinha, onde se encontra a origem do problema.
A instalação do exutor poderá ajudar a reduzir o impacto imediato sobre os utilizadores da zona balnear, afastando a água contaminada da área mais sensível e diminuindo a concentração de poluição junto da rebentação e da zona de banhos.
No entanto, enquanto as fontes de contaminação não forem eliminadas na origem, o problema ambiental continuará a existir.
Diluir não é despoluir
A futura intervenção poderá ajudar a dispersar melhor a descarga no meio marinho, reduzindo a exposição direta dos utilizadores da praia a concentrações mais elevadas de poluição.
Mas a lógica de diluição tem limites.
Afastar a água contaminada da zona de banhos pode ser importante para reduzir riscos imediatos, mas não elimina a contaminação em si. O objetivo final terá sempre de ser identificar e eliminar as fontes poluidoras antes de a água chegar à praia.
Essa é a diferença essencial entre uma medida de mitigação e uma solução ambiental estrutural.
Uma praia demasiado importante para continuar vulnerável
Matosinhos tem vindo a afirmar-se como uma cidade profundamente ligada ao mar, ao surf, ao turismo costeiro e à qualidade de vida urbana.
A praia é hoje um espaço desportivo, económico, social e ambiental de enorme relevância. A sua proteção exige respostas rápidas quando há risco para os utilizadores, mas também uma estratégia permanente de fiscalização, monitorização e despoluição das linhas de água que desaguam no areal.
A eventual intervenção na Ribeira da Riguinha pode representar um passo importante para reduzir episódios de maior concentração de água contaminada junto à zona balnear. Mas o desafio maior permanece: garantir que a água que chega à Praia de Matosinhos chega limpa.
Para banhistas, surfistas e todos os que utilizam diariamente esta praia, a solução não pode ficar apenas na gestão da contaminação. Tem de passar pela sua eliminação na origem.





