Startup portuguesa cria prancha de surf modular que cabe numa mala e conquista o Kickstarter quarta-feira, 12 agosto 2026 12:43

Startup portuguesa cria prancha de surf modular que cabe numa mala e conquista o Kickstarter

Viajar de avião com pranchas de surf continua a ser uma das grandes dores de cabeça dos surfistas.

 

Uma startup portuguesa acredita ter encontrado uma solução: uma prancha dividida em três partes, montada em poucos minutos e suficientemente compacta para caber numa mala de porão convencional. Chama-se ATACH e o projeto já está a despertar atenção internacional.

A ATACH, startup portuguesa fundada por Simão da Câmara Manuel, desenvolveu uma prancha de surf modular pensada especialmente para quem viaja, permitindo transportar uma prancha dentro de uma mala de viagem standard.

O conceito parece simples, mas procura resolver um problema com que praticamente qualquer surfista que viaje de avião já se confrontou: custos adicionais elevados, dificuldade de transporte e o risco de encontrar a prancha danificada à chegada ao destino.

A prancha da ATACH divide-se em três secções interligáveis, que podem ser transportadas separadamente dentro da mala e novamente montadas no destino. O processo não necessita de ferramentas nem envolve peças soltas e, segundo a empresa, demora apenas alguns minutos.

De Bali às Maldivas nasceu a ideia

A origem do projeto está precisamente nas viagens de surf. Simão da Câmara Manuel enfrentou repetidamente problemas com pranchas danificadas enquanto viajava para destinos como Bali, Austrália, Brasil e Maldivas.Enquanto estudava Engenharia de Materiais na NOVA School of Science and Technology (FCT NOVA), começou a analisar as soluções modulares que já existiam e concluiu que estas continuavam a apresentar limitações: malas de grandes dimensões, ferramentas necessárias para a montagem e várias peças soltas.

A resposta passou por desenvolver o seu próprio sistema.

Os primeiros protótipos foram produzidos através de impressão 3D e o desenvolvimento continuou enquanto Simão trabalhava como engenheiro nos Países Baixos. Inicialmente financiado pelo próprio fundador, o projeto acabaria posteriormente por captar investimento externo.

Mais do que uma prancha desmontável

A proposta da ATACH não se limita, contudo, à facilidade de transporte. O sistema foi desenvolvido como uma verdadeira plataforma modular, permitindo combinar diferentes noses, secções centrais e tails.Na prática, o mesmo surfista poderá criar diferentes configurações de prancha em função das ondas ou do tipo de surf que pretende fazer, sem ter necessariamente de comprar várias pranchas completas.

A ideia passa por adquirir módulos adicionais e combiná-los entre si, reduzindo simultaneamente os custos, o espaço necessário para guardar o quiver e as dificuldades de transporte.

Objetivo no Kickstarter alcançado em menos de seis horas

O interesse pelo conceito ficou evidente pouco depois do lançamento da campanha de crowdfunding. A ATACH entrou no Kickstarter a 7 de julho de 2026 com um objetivo inicial de financiamento de 10 mil dólares.

Foram necessárias menos de seis horas para atingir esse valor.

Segundo os dados divulgados pela empresa, a campanha ultrapassou posteriormente os 25 mil dólares em pré-encomendas, com apoiantes provenientes de vários países. O Kickstarter surge depois de um primeiro passo importante no financiamento da empresa. Em 2025, a ATACH captou 100 mil dólares através de um investimento SAFE de um investidor norte-americano, numa avaliação de dois milhões de dólares.

O capital permitiu acelerar o desenvolvimento, avançar com pedidos internacionais de patente e preparar o primeiro lote de produção.

Japão entre os mercados na mira da ATACH

Com as primeiras unidades já produzidas e entregues a surfistas e criadores de conteúdos para testes, a empresa portuguesa começa agora a olhar para a distribuição internacional.

Um dos mercados que desperta particular interesse é o Japão, onde a utilização generalizada dos transportes públicos pode tornar especialmente complicado deslocar-se com uma prancha convencional.

A ATACH revela ainda estar à procura de potenciais parcerias comerciais e identifica empresas como Decathlon, Indie Campers, Roadsurfer, Sport Zone e Despomar entre os parceiros com quem gostaria de trabalhar.

Conceito poderá chegar também às escolas de surf

A tecnologia poderá igualmente estender-se para além das tradicionais pranchas rígidas.

A empresa está já a desenvolver uma prancha modular em espuma destinada às escolas de surf, utilizando a mesma plataforma e procurando aplicar as vantagens da substituição e combinação de módulos a equipamentos sujeitos a uma utilização intensiva.

Depois de validar o conceito junto dos primeiros utilizadores e superar rapidamente o objetivo definido no Kickstarter, a ATACH procura agora novo investimento para aumentar a capacidade de produção, acelerar a internacionalização e desenvolver novos produtos.

 

Se conseguir transportar para a água aquilo que o conceito promete em terra, esta ideia portuguesa poderá atacar um problema que acompanha há décadas quem gosta de juntar duas coisas: surf e viagens.

  • Créditos fotos: Beatriz Cardoso

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