Imagem que espelha bem o que se passa em Teahupoo / Frame do vídeo quinta-feira, 11 junho 2026 21:23 Caos em Teahupo’o: barcos no canal colocam surfistas em perigo
Com novo swell forte previsto para o Tahiti, aumenta a preocupação com barcos, fotógrafos e público demasiado próximos da zona de impacto
Teahupo’o é uma das ondas mais bonitas, pesadas e perigosas do mundo. Mas, nos últimos anos, a esquerda taitiana tornou-se também um dos maiores palcos mediáticos do surf mundial, atraindo surfistas, fotógrafos, filmakers, barcos de apoio, turistas e curiosos sempre que um grande swell chega à Polinésia Francesa.
Esse crescimento está agora a levantar preocupações sérias entre os locais e frequentadores habituais do spot.
Uma reportagem da Polynésie la 1ère, publicada poucos dias antes da chegada de um novo swell forte previsto para 11 e 12 de junho, alerta para o aumento do risco em Teahupo’o, onde o canal e a zona próxima da onda estão cada vez mais congestionados em dias grandes.
Segundo a reportagem, foi emitido um alerta vermelho para a comunidade surfista devido às condições significativas previstas. Mas a preocupação já não está apenas no tamanho das ondas. Está também na forma como o espaço à volta da bancada tem vindo a ser ocupado.
Barcos demasiado perto da onda
Teahupo’o é uma onda de consequência extrema. A bancada rasa, o lip espesso e a força da massa de água tornam qualquer erro potencialmente grave. Em dias grandes, o canal funciona como zona de segurança, observação e apoio. Mas quando esse espaço se enche de embarcações, fotógrafos e público, a margem de segurança diminui.
Nos últimos swells, vídeos e testemunhos mostraram barcos muito próximos da zona de ação, alguns em posições consideradas perigosas por surfistas e locais. A situação gerou pedidos para que as autoridades e a comunidade local criem regras mais claras para a circulação de embarcações.
Vários locais defendem a criação de uma zona específica para espectadores, com coimas para barcos que ultrapassem os limites definidos. Outros pedem maior presença das autoridades marítimas ou um sistema de segurança local capaz de manter as embarcações afastadas da zona crítica.
O preço da fama
Teahupo’o sempre foi uma onda lendária, mas a sua exposição global aumentou de forma significativa com o Championship Tour da World Surf League, os vídeos virais, a presença dos melhores big wave surfers e, mais recentemente, com o impacto dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
A fama trouxe visibilidade, turismo e oportunidades económicas. Mas trouxe também uma pressão crescente sobre um local que, pela sua própria natureza, não permite grande margem para desorganização.
Em ondas mais convencionais, a presença de público e câmaras pode ser apenas um fator de distração. Em Teahupo’o, onde um wipeout pode empurrar um surfista para a bancada ou para o canal em frações de segundo, a proximidade excessiva de barcos e pessoas pode transformar uma situação difícil numa tragédia.
A preocupação dos locais é simples: não esperar que aconteça uma morte ou um acidente grave para criar regras.




