João Arco e Gonçalo João Arco e Gonçalo segunda-feira, 25 maio 2026 12:09

Surfistas salvam turistas em risco de afogamento na Ilha da Fuseta e alertam para falta de nadadores-salvadores

Dois surfistas resgataram um homem e a sua esposa que estavam a ser arrastados por um agueiro para a zona de impacto.

A vítima que ficou sem sentidos acabou por ser assistida pelo INEM e pela GNR. O caso volta a levantar preocupações sobre a segurança balnear na ilha em dias de mar de levante.

Dois surfistas protagonizaram este domingo um resgate dramático na Ilha da Fuseta, no Algarve, ao retirarem da água um turista que estava em risco de afogamento após ter sido apanhado por um agueiro e arrastado para a zona de impacto.

João e Gonçalo relatam à Surftotal:

O episódio foi relatado à SurfTotal pelos próprios intervenientes, João Arco e Gonçalo Pires, que se encontravam a surfar na ilha quando perceberam que uma pessoa estava em dificuldades no mar.

Segundo o testemunho de João Arco, os dois surfistas aperceberam-se de que o homem estava no meio de um agueiro e a ser progressivamente levado para uma zona perigosa. Numa primeira fase, tentaram orientá-lo à distância, gritando para que nadasse para o lado e saísse da corrente. No entanto, a entrada de um set maior acabou por agravar a situação.

“Comecei a gritar para o senhor nadar para o lado e sair dali. Entretanto entrou um set maior e o senhor foi varrido mais para dentro”, contou João.

Durante alguns momentos, a vítima ainda conseguiu colocar-se de pé num banco de areia, mas voltou a ser arrastada pela corrente para o agueiro. Foi então que os surfistas perceberam que a situação se estava a tornar crítica.

“Voltámos a aproximar-nos e começámos a perceber que agora ele já estava mesmo em perigo. Os movimentos estavam mais lentos, cada vez saía menos fora de água”, explicou.

Perante a gravidade da situação, João alertou Gonçalo de que era necessário agir rapidamente. A vítima já tinha pouca força, mantinha apenas a cabeça fora de água e levantava um braço, num claro sinal de aflição.

Gonçalo conseguiu chegar ao homem, virá-lo e colocá-lo em segurança junto da prancha de João, que o transportou em direção à praia. Durante o trajeto, uma onda atingiu-os e a vítima caiu da prancha, obrigando João a agarrá-lo novamente e a continuar a puxá-lo até terra.

“O senhor perdeu várias vezes a consciência. Tive de gritar várias vezes para ele se manter acordado e cheguei muitas vezes a pensar que ele não ia chegar vivo a terra. Estava branco e roxo”, relatou.

Já na areia, os surfistas pediram de imediato que fosse contactado o 112. A vítima foi colocada de lado e começou a expelir água pela boca e pelo nariz. Segundo o relato, demorou algum tempo até recuperar minimamente a respiração.

Pouco depois, Gonçalo chegou também à praia com uma mulher*(esposa do homem que se encontrava em dificuldades), que se encontrava igualmente em dificuldades e que estava já próxima da zona de impacto. O INEM e a GNR acabaram por chegar ao local e prestar assistência.

*A mulher terá entrado no mar para tentar salvar o marido, mas acabou também por ser apanhada pela força da corrente e pela zona de impacto. Gonçalo conseguiu chegar até ela a tempo, evitando que a situação pudesse ter terminado também de forma trágica.

Alerta para os perigos dos agueiros na Ilha da Fuseta

O caso reacende a discussão sobre a segurança na Ilha da Fuseta, especialmente em dias de mar de levante, quando os agueiros e correntes podem tornar-se particularmente perigosos para banhistas menos experientes.

João Arco deixou ainda um alerta crítico sobre a ausência de nadadores-salvadores na ilha, apesar de existirem ligações regulares de barco para o local.

“É inacreditável como na praia da ria, junto à povoação, estão dois nadadores-salvadores a olhar e na ilha, com mar de levante, não há ninguém, mas há barcos da carreira. Já morreu lá muita gente nos agueiros da ilha com levante. Já não é a primeira vez que salvo lá gente”, afirmou.

O surfista sublinha que este tipo de situações não é novo naquela zona e que a existência de transporte regular para a ilha deveria ser acompanhada por condições de vigilância adequadas, sobretudo em dias em que o mar apresenta maior risco.

Estado da vítima

De acordo com mensagens posteriormente partilhadas pela companheira da vítima, Alain Thierstein, o homem encontrava-se estável, embora ainda sob observação hospitalar, com apoio de oxigénio. Os valores sanguíneos estavam bons e a temperatura corporal, que terá descido para os 33 graus, subiu entretanto para 35.

A companheira, Angela Kesselring, agradeceu a ajuda prestada pelos surfistas e destacou a rapidez da intervenção, considerando que a atuação no momento certo foi determinante para salvar a vida de Alain.

O caso deixa uma vez mais claro o papel fundamental dos surfistas como primeiros intervenientes em situações de emergência no mar, mas também reforça a necessidade de maior prevenção, sinalização e vigilância em zonas conhecidas pelo risco de correntes e agueiros.

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