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https://surftotal.com/noticias/nacionais/item/27142-abiding-madeira-alex-botelho-surf-e-a-forca-milenar-da-ilha#sigProId1e69346a5d
Abiding Madeira”: Alex Botelho, surf e a força milenar da ilha
Do realizador, João Monge ...
“Abiding Madeira” é um novo filme documental e experimental que observa a presença do surfista português Alex Botelho na ilha que o moldou, propondo uma abordagem diferente ao universo do surf e da natureza.
Realizado por João Monge, o filme afasta-se da lógica habitual do surf como confronto entre homem e oceano. Em vez disso, coloca a Madeira no centro da narrativa: uma ilha onde o mar, a rocha e o tempo moldam o território há milénios, tornando a presença humana inevitavelmente passageira.
Mais do que contar a história de um surfista de ondas grandes, “Abiding Madeira” acompanha um corpo humano a existir dentro de um sistema muito mais antigo do que ele próprio. O surf surge como linguagem de aproximação ao território, não como espetáculo nem como centro absoluto da narrativa.
A obra acompanha Alex Botelho, surfista português com percurso internacional em ondas grandes e experiência em palcos como Nazaré, Mavericks e Jaws, mas a sua presença é tratada de forma contida, quase silenciosa. O filme não procura exaltar a performance, mas antes observar a relação entre o surfista, o mar, a pedra e a memória da ilha.
Desenvolvido pela GOMA e O Monge, com realização de João Monge, o projeto nasce de uma ideia atribuída a André Carvalho e José Valente, cuja ligação prolongada à Madeira e ao universo do surf ajudou a enquadrar visual e historicamente o filme. A direção de João Monge imprime à obra uma linguagem autoral, assente na duração, no silêncio e na recusa de fórmulas narrativas previsíveis.
Na sua declaração de realizador, João Monge sublinha que “Abiding Madeira” nasceu da dúvida e da vontade de resistir ao impulso humano de dominar, explicar ou transformar a natureza em cenário. A ilha, afirma, “não negocia connosco” — permanece.
Entre falésias, mar aberto e uma geografia marcada pela força do tempo, “Abiding Madeira” assume-se como um convite a abrandar, escutar e permanecer. Um filme sobre surf, mas também sobre humildade, pertença e coexistência perante forças que nos ultrapassam.
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