O risco de transmissão do Covid 19 no Surf não está provado. Imagem Série ao Fundo O risco de transmissão do Covid 19 no Surf não está provado. Imagem Série ao Fundo

Itens relacionados

sexta-feira, 19 fevereiro 2021 20:17

Surtos de coronavírus causados pela prática de desporto e atividades ao ar livre. Mito?

“Talvez os políticos devam reavaliar sobre onde realmente residem os riscos”...

 

 

 

"A pratica de surf está proibida em algumas Praias

e não se encontra motivo aparente,

pois em nada põe em risco a propagação do vírus..."

 

 

 

Mark Woolhouse, Professor Epidemiologista da Universidade de Edimburgo Foi, hoje, assunto de um artigo do Jornal Britânico The Guardian a suposta relação (que os média fazem parecer existir) entre as atividades ao ar livre e os surtos de Covid 19, no Reino Unido.

Podemos espelhar todo este artigo na situação de Portugal. Tal como no Reino Unido, durante todo o Verão, fomos inundados, pelos vários meios de comunicação social, por imagens de areais com multidão e observações de que estas atitudes representavam um enorme risco de infeção e propagação do vírus.

 

 

"A verdade é que não foi ao longo do Verão

que pudemos assistir à segunda vaga de Covid 19..."

 

 

 

A verdade é que não foi ao longo do Verão que pudemos assistir à segunda vaga de Covid 19 (sim, a que estamos a ultrapassar agora, em pleno Inverno). A grande afluência de pessoas às praias e a prática individual de desportos ao ar livre (como o surf) não fizeram piorar a situação que o país ultrapassava nesse momento. Tanto em Portugal, como no Reino Unido ou em qualquer parte do mundo, nunca um surto foi relacionado com idas à praia ou práticas de desporto. Somos, todos os dias, levados a pensar, pelos média e pelos políticos, que o risco se encontra neste tipo de situações, mas, por vezes, as imagens de praias cheias não passam de um truque de perspetiva para lançar o pânico.

O que os políticos se esquecem é que, ao impedir que as pessoas se reuniam no exterior (onde é perfeitamente possível cumprir o devido distanciamento e as normas de segurança), estas ver-se-ão obrigadas a fazê-lo em locais fechados, onde, inevitavelmente, os riscos de transmissão são muito mais elevados.

 

 

 

"Apenas 10% dos casos de transmissão do vírus

estão relacionados com atividades ao ar livre..."

 

 

 

O Médico e Professor de doenças infeciosas e virologia médica na Universidade de St Andrews, Dr. Müge Çevik, comenta algo a respeito do Reino Unido que, mais uma vez, parece aplicar-se em qualquer país: apenas 10% dos casos de transmissão do vírus estão relacionados com atividades ao ar livre e, ainda assim, envolvem contacto próximo e prolongado e uma mistura de tempo no interior e exterior, o que nos leva a crer que o maior risco de transmissão se reverte nas condições das casas e dos locais de trabalho.

Neste momento, em Portugal, o problema coloca-se, maioritariamente, na prática de desporto individual ao ar livre. A prática de surf está proibida e não se encontra motivo aparente, pois em nada põe em risco a propagação do vírus. Esta segunda vaga, que representa um número de casos elevadíssimo, em nada se deve a estas práticas e sim aos convívios em locais fechados- milhares de portugueses ainda se deslocam diariamente para o trabalho e, grande parte, em transportes públicos sobrelotados.

Os médicos e o governo apelam a que fiquemos em casa, mas, pelo bem da saúde mental de todos nós, o desporto é necessário e o SURF pode cumprir todas as normas de segurança.

 

*Por Renata Petti

Perfil em destaque

Scroll To Top