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Surfing Australia Academy: um modelo de formação que mostra como se prepara o futuro do surf
A Austrália abriu as candidaturas para a sua Academia de 2027, um programa de alto rendimento com duração de 12 meses que junta treino de surf, preparação física, acompanhamento especializado e educação.
Uma estrutura que mostra como uma das maiores potências mundiais continua a investir na formação dos seus jovens surfistas.
A Austrália não é uma das maiores potências do surf mundial por acaso. Por detrás dos campeões, dos atletas que chegam regularmente ao Championship Tour e de sucessivas gerações de talento existe também uma estrutura organizada de formação e desenvolvimento.
Um exemplo é a Surfing Australia Academy, que acaba de abrir as candidaturas para 2027 e apresenta um modelo que pode servir de referência para outros países com ambições no surf de competição.
Destinada a jovens dos Years 7 a 12 do sistema escolar australiano, a Academia desenvolve um programa de alto rendimento ao longo de 12 meses, procurando conciliar a evolução desportiva com a formação escolar.
A filosofia é resumida pela própria organização numa ideia simples: não se trata apenas de ser o melhor, mas de atingir o máximo potencial enquanto atleta, dentro e fora de água.
Até 12 horas semanais de acompanhamento
A estrutura está dividida em dois níveis, permitindo trabalhar com surfistas em diferentes fases da sua evolução.
A Elite Academy destina-se a jovens que já competem a nível regional, estadual ou superior e que têm como objetivo chegar ao surf profissional. Serão selecionados apenas 12 surfistas, rapazes e raparigas, que poderão beneficiar de até 12 horas semanais de contacto com os treinadores.
Já o Development Program foi criado para surfistas que competem ao nível dos boardriders clubs e pretendem evoluir para competições regionais, estaduais e posteriormente para patamares superiores.
Neste segundo nível serão selecionados 18 jovens, com um acompanhamento que pode chegar às seis horas semanais.
No total, são apenas 30 lugares, permitindo um trabalho relativamente individualizado com os atletas.
Treinar e estudar
Um dos aspetos mais interessantes do modelo australiano é precisamente a tentativa de não colocar o surf e a educação em campos opostos.
Os atletas podem frequentar qualquer escola secundária ou estudar online, integrando paralelamente o programa de treino da Academia.
O objetivo passa por criar condições para que jovens com ambições competitivas possam aumentar substancialmente a carga e qualidade do treino sem abandonar a formação académica.
É uma abordagem particularmente relevante numa modalidade onde muitos atletas começam a viajar internacionalmente e a competir desde muito novos.
Bede Durbidge entre os responsáveis pelo desenvolvimento
A qualidade da estrutura técnica é outro dos pontos que chama a atenção.
Entre os responsáveis pelo treino estão Bede Durbidge e Michael O’Rafferty, enquanto a Academia conta ainda com especialistas em preparação física, surf, skate, acrobacia e força e condicionamento.
A estrutura anunciada para 2027 inclui ainda Christian Cook, Glenn Workman, Jay Phillips, Darryl Vandepolder, Carter Cook, Ryan Cafferkey e Nathaniel Sipple.
Mas a rede vai mais longe.
A Surfing Australia prevê recorrer ao longo do programa a treinadores do seu High Performance Centre, antigos surfistas profissionais e atletas ligados ao Challenger Series, incluindo nomes como Morgan Cibilic, Jacob Willcox e Sofie McCulloch.
Desta forma, os jovens não recebem apenas treino técnico dentro de água. São expostos a diferentes áreas da preparação necessária para construir uma carreira de alto rendimento.
Uma fábrica de talento não se constrói apenas com campeonatos
O modelo australiano deixa também uma reflexão interessante para o surf mundial.
Descobrir talento através das competições continua a ser fundamental, mas transformar um jovem talentoso num atleta capaz de competir internacionalmente exige muito mais do que organizar campeonatos.
Treino técnico continuado, preparação física, acompanhamento especializado, contacto com atletas experientes, planeamento competitivo e compatibilização com os estudos fazem parte de um processo que pode durar vários anos.
É precisamente nessa fase, entre o jovem que começa a destacar-se regionalmente e o atleta preparado para enfrentar o circuito internacional, que programas desta natureza podem fazer diferença.
A Austrália cria, assim, uma verdadeira linha de desenvolvimento, começando por atletas dos boardriders, passando pelos níveis regional e estadual e apontando, no patamar mais elevado, para o surf profissional.
Investir hoje nos surfistas que poderão chegar ao CT amanhã
O lema escolhido pela Surfing Australia para o programa é revelador da dimensão do projeto: “Supporting Australian Athletes to Become the World’s Best Surfers and People” — apoiar os atletas australianos para se tornarem os melhores surfistas e pessoas do mundo.
Não existe naturalmente qualquer garantia de que os jovens escolhidos para a Academia chegarão ao Championship Tour.
Existe, porém, uma estrutura concebida para aumentar as possibilidades de que o talento identificado consiga desenvolver todo o seu potencial.
As candidaturas para a edição de 2027 encerram a 30 de outubro, seguindo-se uma avaliação por parte dos treinadores e a elaboração de uma lista de candidatos. As propostas finais de entrada serão comunicadas até 30 de novembro de 2026.
Mais do que a abertura de 30 vagas para jovens australianos, a Surfing Australia Academy apresenta-se como um exemplo de planeamento a longo prazo na formação de surfistas.
Num desporto cada vez mais profissional e competitivo, o talento continua a ser indispensável. A diferença está também no que cada país constrói à volta desse talento para o transformar em resultados ao mais alto nível.





