Autoridades indonésias alertam: grande sismo nas Mentawai pode ocorrer a qualquer momento

autoridades Indonésias reforçam necessidade de preparação...

 

O Serviço Geológico da Indonésia alerta para a acumulação de energia em zonas como Mentawai-Siberut e no Estreito de Sunda. Não é possível prever quando ocorrerá um grande sismo, mas o potencial existe e a informação assume especial importância para surfistas que frequentam algumas das regiões costeiras mais expostas do arquipélago.

As autoridades indonésias voltaram a colocar o risco de grandes sismos em destaque, com particular atenção para as zonas de megathrust de Mentawai-Siberut e do Estreito de Sunda, duas regiões que atravessam aquilo que os especialistas designam por seismic gap.

Segundo informação divulgada pelo Badan Geologi, o Serviço Geológico do Ministério da Energia e Recursos Minerais da Indonésia (ESDM), estas zonas encontram-se há um longo período sem produzir um grande sismo, existindo por isso acumulação de energia tectónica.

A mensagem das autoridades, contudo, não é a de que esteja iminente um grande sismo.

Os especialistas sublinham precisamente que não é atualmente possível prever com exatidão quando acontecerá um sismo de megathrust, onde ocorrerá a rutura ou qual será a sua magnitude. A tecnologia disponível permite identificar áreas de maior risco e desenvolver medidas de mitigação, mas não determinar uma data para um futuro evento.

O que é um seismic gap?

Um seismic gap corresponde, de forma simplificada, a um segmento de uma falha tectónica ativa onde não ocorre há bastante tempo um grande sismo, apesar de outras zonas próximas apresentarem atividade sísmica.

É precisamente esta ausência prolongada de uma grande libertação de energia que leva os especialistas a acompanhar com particular atenção regiões como Mentawai-Siberut.

Isso não significa que um grande sismo vá acontecer nos próximos dias, meses ou sequer anos. Significa que existe potencial sísmico acumulado e que a região deve estar preparada para um evento que, em termos geológicos, é possível.

É também por essa razão que as autoridades indonésias apelam à população para que não entre em pânico perante notícias sobre um eventual “megathrust”, concentrando antes os esforços no conhecimento das zonas de risco, rotas de evacuação e procedimentos de emergência.

Mentawai coloca tema diretamente no radar dos surfistas

Para a comunidade internacional do surf, a referência a Mentawai-Siberut merece particular atenção.

As Mentawai são um dos destinos de surf mais procurados do mundo, recebendo todos os anos milhares de surfistas atraídos pelas ondas de classe mundial espalhadas pelas diferentes ilhas.

Muitos surf camps e alojamentos encontram-se naturalmente junto ao oceano, enquanto grande parte das deslocações entre picos é feita de barco. Algumas das zonas habitadas ou utilizadas pelo turismo encontram-se ainda a baixa altitude.

Num grande sismo submarino, o perigo poderá não estar limitado ao próprio abalo. Dependendo da localização, profundidade e características da rutura, poderá existir também risco de tsunami.

Foi precisamente a dimensão desta ameaça que o desastre do Oceano Índico de 26 de dezembro de 2004 colocou dramaticamente perante o mundo. Esse evento não corresponde, contudo, ao segmento Mentawai-Siberut agora referido pelas autoridades.

Para um surfista, os primeiros minutos podem ser fundamentais

Para quem estiver numa região costeira da Indonésia, a preparação pode ser particularmente importante porque um tsunami gerado relativamente perto da costa poderá deixar pouco tempo para reagir.Por isso, quem viajar para zonas sísmicas como as Mentawai deve procurar saber antecipadamente onde se encontram as zonas elevadas e quais são as rotas locais de evacuação.

Se for sentido junto à costa um sismo muito forte ou suficientemente prolongado para dificultar permanecer de pé, a atitude prudente é afastar-se imediatamente da praia e procurar terreno elevado, seguindo depois as indicações das autoridades. Não se deve regressar à costa até existir indicação de segurança.

Sinais naturais anormais no oceano, incluindo um recuo súbito e significativo da água, devem igualmente ser encarados como motivo para abandonar imediatamente a zona costeira.

Preparação, não alarmismo

É precisamente esta a principal mensagem transmitida atualmente na Indonésia.

Não existe uma previsão de que um megassismo esteja prestes a atingir Mentawai ou o Estreito de Sunda, nem uma data que permita antecipar quando poderá acontecer.O que existe é conhecimento científico de zonas capazes de gerar grandes eventos sísmicos e a constatação de que alguns desses segmentos acumulam energia há longos períodos.

Para os surfistas, sobretudo aqueles que viajam regularmente para regiões remotas da Indonésia, a informação não deve ser motivo para pânico ou para deixar de viajar.Deve, sim, servir para algo muito mais simples: conhecer o risco, saber para onde ir e estar preparado para reagir rapidamente caso a natureza dê os primeiros sinais.

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