Dia histórico em Raglan: Medina e Toledo brilham, Carissa reencontra magia na Nova Zelândia e portuguesas despedem-se cedo
O Championship Tour escreveu hoje uma nova página da sua história com a estreia oficial de Raglan no calendário mundial.
Num primeiro dia de competição marcado por ondas limpas, mas inconsistentes, Gabriel Medina, Filipe Toledo e Carissa Moore foram os grandes destaques.
O Corona Cero New Zealand Pro presented by Bonsoy, quarta etapa do Championship Tour 2026, arrancou com um momento histórico: pela primeira vez, a elite mundial masculina e feminina competiu em solo neozelandês no formato combinado do CT. Em Manu Bay, Raglan, as famosas esquerdas de alta performance mostraram o seu potencial, com ondas entre os três e quatro pés, paredes longas e limpas, embora com períodos de pouca consistência que condicionaram vários heats.
Para Portugal, o arranque não trouxe os resultados desejados. Yolanda Hopkins e Francisca Veselko acabaram eliminadas na ronda inaugural, mas deixaram bons apontamentos numa estreia exigente.
Yolanda acabou superada pela canadiana Erin Brooks, de apenas 18 anos, que encontrou na esquerda neozelandesa o palco ideal para o seu surf de frontside explosivo, terminando com 14.20 pontos contra 11.30 da portuguesa.
Já Kika Veselko entrou bem frente à bicampeã mundial Tyler Wright, mostrando fluidez e boas abordagens em backside, mas a maior experiência da australiana e a melhor seleção de ondas acabaram por fazer a diferença (12.50 contra 10.27).

Carissa Moore reencontra-se com a Nova Zelândia
Se houve uma rainha no primeiro dia, foi Carissa Moore.
A havaiana, cinco vezes campeã mundial, conseguiu finalmente o seu melhor desempenho da temporada, assinando o primeiro score excelente feminino do ano: 16.34 pontos, incluindo a melhor onda feminina do dia (8.67). Moore voltou mostrou uma ligação especial à Nova Zelândia, combinando potência, ritmo e leitura impecável nas longas esquerdas de Raglan.
Medina e Toledo reacendem duelo brasileiro
No masculino, os grandes destaques foram inevitavelmente Gabriel Medina e Filipe Toledo, que voltaram a mostrar porque continuam entre os grandes favoritos ao título mundial.
Medina, atual número 1 mundial, esteve elétrico, atacando praticamente todas as ondas com um surf altamente progressivo e cheio de energia. O brasileiro terminou com 15.20 pontos, incluindo aéreos reverses e manobras explosivas que "incendiaram" o público local.

Mas o melhor score individual do dia pertenceu a Filipe Toledo, que registou 8.83 pontos numa única onda, terminando o heat com 15.66 pontos frente a João Chianca.
Toledo competiu com uma prancha diferente do habitual, uma twin fin, e mostrou a sua assinatura habitual: velocidade absurda, ligação entre secções e fluidez total. O resultado? Medina vs Toledo novamente na ronda 3, repetindo o duelo brasileiro que já tinha marcado a Gold Coast.
Goofy footers aproveitaram a primeira grande esquerda do ano
A chegada a Raglan marcou também a primeira etapa claramente favorável aos goofy-footers.
Além de Erin Brooks, também Vahine Fierro, Alyssa Spencer e Tya Zebrowski tiraram partido das esquerdas de Manu Bay.
A jovem francesa Tya Zebrowski, com apenas 15 anos, conquistou finalmente a sua primeira vitória num heat de CT, depois de um início de temporada complicado.
No masculino, Rio Waida foi outro dos nomes em destaque. O indonésio, criado nas esquerdas perfeitas de Bali, mostrou enorme conforto em backside e afastou Connor O’Leary com um sólido 15.20 pontos.
Estreia histórica para a Nova Zelândia
Apesar das eliminações, os wildcards neozelandeses ajudaram a dar alma ao evento. A jovem local Alani Morse, de apenas 15 anos, competiu perante o seu público numa experiência inesquecível, enquanto os locais Billy Stairmand e Tom Butland também deixaram a sua marca numa estreia histórica do CT em Raglan.
Com grandes nomes já a mostrar serviço e vários confrontos explosivos ainda por acontecer, Raglan promete continuar a entregar espetáculo.
- Créditos fotos: WSL / Ed Sloane - WSL / Rambo Estrada





