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terça, 29 setembro 2015 15:43

Bobby Martinez: o último rebelde do Tour?

Terá sido o talentoso norte-americano o último surfista a fugir da norma no Tour?

 

 

Nascido em 1982 em Santa Barbara, na Califórnia, Bobby Martinez começou a surfar aos seis anos de idade, e não demorou muito a destacar-se no panorama do surf norte-americano, em particular depois de se juntar à National Scholastic Surfing Association, onde venceu o que ainda é um recorde americano: sete títulos nacionais.

 

O surfista goofy, de ascendência mexicana, juntou-se ao à ASP (agora World Surf League) em 2005, e foi no mesmo ano que venceu o seu primeiro grande título, no O’Neill Coldwater Classic. No ano seguinte Bobby garantiu a entrada no Championship Tour e não tardou a deixar a sua marca, logo no ano de estreia, tendo terminado a época na 5ª posição, que lhe valeu o título de Rookie do Ano. Nessa época Martinez venceu em Teahupoo e em Mundaka. Durante quatro épocas, Martinez conseguiu terminar o Tour sempre no top 10, tendo também vencido etapas em Cloudbreak e novamente em Mundaka, num total de quatro vitórias em provas do CT.

 Bobby Martinez durante o Billabong Pro Tahiti que venceu em 2006. Foto: WSL

 

Nesta fase da sua carreira tudo sorria para o surfista americano, com patrocínios da Reef, O’Neill, Monster Energy e uma popularidade assinalável entre a comunidade. Tudo mudou em 2011, depois da célebre entrevista pós-heat que deu durante o Quiksilver Pro New York, onde atacou de forma implacável (e profana) a ASP.

 

 

Depois desta ‘explosão’ em direto, Bobby Martinez viu fugirem alguns patrocínios e acabou mesmo por sair do Tour, com a organização que tutelava o surf mundial em fúria. A partir dessa fase Bobby Martinez ainda esteve envolvido numa marca direcionada para aficionados de Mixed Martial Arts (MMA), chamada FTW (Fuck The World), que não teria sucesso. No que diz respeito ao surf, o talentoso Martinez continua a ser um dos favoritos dos fãs no que ao free surf diz respeito.

 

Ainda este ano, em entrevista à Stab, Martinez - com a frontalidade que se lhe reconhece - apontou criticou a WSL por estar demasiado “sensível”, apontando como exemplo a polémica entrevista de Gabriel Medina, num heat em que se terá desentendido verbalmente com Glenn Hall. Para Martinez é impensável que durante a entrevista, depois de Medina ter soltado um ‘fuck’, lhe tenha sido retirado o microfone. “Há alguém que não diga um ‘fuck’? Não podes ser tu próprio? O Tour nunca foi tão ‘soft’ como é agora, e é entediante ver que quando alguém vai à entrevista pós-heat e já sabemos o que vai dizer. Já não há muitos surfistas no Tour que mostrem a sua personalidade, embora a tenham. Eu conheço-os, mas o Tour não permite que a mostrem”, afirmou.

 

A realidade é que com a saída de Bobby Martinez o Tour perdeu o que terá sido, provavelmente, o último rebelde entre a elite mundial. Num circuito cada vez mais politicamente correto, pese uma ou outra polémica que rapidamente é polida pela WSL, alguns fãs sentirão, certamente, falta de algum ‘picante’ nestas andanças. Fica o surf, que Bobby nunca abandonou.


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