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quinta, 02 janeiro 2020 09:38

ESTARÁ A EVOLUÇÃO DO SURF A DISTANCIAR-NOS DA SUA ESSÊNCIA

levando-o numa nova direção?

Em Setembro deste ano o surf será oficialmente reconhecido como um desporto olímpico no Japão, mas será que, desde a sua origem, a essência da arte do surf se tem perdido?

Apesar de não existirem factos concretos no que a datas e locais diz respeito, é universalmente aceite a ideia de que o surf terá nascido no Oceano Pacífico.

Os primeiros praticantes acreditavam que a prática seria um culto ao espírito do mar. 

No seu livro ““Church of the Open Sky” o surfista australiano Nat Young, que nunca considerou o surf um desporto, pelo menos não um desporto tradicional, refere que o surf no Havai era um ritual diário.

Mas com o surf a fazer agora a sua estreia nos Jogos Olímpicos será que podemos dizer que a sua essência se transformou ao longo das décadas, e terá essa mudança sido positiva?

A questão poderá ser controversa.

O mundo ocidental ouviu falar de surf em 1779 através dos diários do Tenente James King, que ia a bordo de uma expedição britânica liderada pelo famoso Capitão Cook.  Foto:mahalosurfexperience

No Havai o ritual, que tinha o nome de  he’e nalu, era realizado por pura diversão e para reunir comunidades, mas embora possamos dizer que hoje em dia o mesmo também aconteça sobre a forma de free surf, a introdução da vertente competitiva levou o surf numa direção diferente. A ligação espiritual com o mar perdeu-se, o surf tornou-se num negócio, mas também levou os atletas a desafiarem-se mais, a elevarem as suas técnicas e a transformarem a arte de deslizar nas ondas num espetáculo que nenhuma outra modalidade desportiva consegue proporcionar.

Contudo, com a constante evolução do surf e uma comunidade a crescer exponencialmente, novas formas de olhar o surf surgiram tornando possível hoje em dia surfar em locais sem mar, devido às novas tecnologias que deram espaço à criação de piscinas de ondas. Aqui, mais uma vez, a questão é controversa. Enquanto que para uns a criação de piscinas de ondas permite uma maior evolução para os surfistas e até, possivelmente, diminuir o crowd em surf spots naturais um pouco por todo o mundo, para outros a ligação ao mar é perdida.  A essência do surf é perdida.

 

A criação de piscinas de ondas veio alterar a forma como vemos o surf Foto: Lyon Herron

 

A possível falta de ondas no Japão durante a estreia olímpica do surf levantou a questão sobre porque razão o país não planeou fazer a competição numa piscina de ondas. Se por um lado realizar as provas de surf no mar torna a modalidade mais ligada à sua essência, por outro lado vermos a estreia do surf no Japão realizar-se em ondas de fraca qualidade trás um desapontamento para atletas e público, tornando a hipótese de assistir à competição numa piscina de ondas mais apelativa.

Mas com tudo isto, em que direção vai o surf? Estará o surf a evoluir ou a distanciar-se da sua essência original? Deixarão os surfistas de ser os guardiões dos mares e de deslizar nas ondas em busca de uma conexão espiritual com o oceano para se centrarem apenas em ser os próximos representantes das suas nações nas próximas olimpíadas, ligando-se mais ao lado da indústria do surf?

Ao entrarmos num novo ano que ficará na história do surf não podemos deixar de pensar; será que com todas as conquistas e evolução que tivemos vindo a assistir não iremos perder a essência da arte do surf?

Fica a questão...

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