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A Fossa das Marianas, local usado na recolha de dados. A Fossa das Marianas, local usado na recolha de dados. Foto: Google Earth

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terça, 20 novembro 2018 10:01

Haverá menos água nos Oceanos?

Acima de tudo, é preciso entender o ciclo das águas profundas da Terra… 

 

Haverá menos água nos Oceanos?

A resposta é não, mas existe algo no interior da Terra que os cientistas ainda não conseguiram entender. 

 

À medida que as placas tectónicas da Terra mergulham umas nas outras, arrastam três vezes mais água para o interior do planeta do que se pensava – e essa quantidade de água não está a ser devolvida pelas erupções vulcânicas.

 

A água que é arrastada para baixo tem necessariamente que subir — geralmente, na forma de erupções vulcânicas. A nova estimativa sobre a quantidade de água que está a ser absorvida é maior do que as estimativas da quantidade que está a ser expelida por vulcões — o que significa que algo está a escapar aos cientistas.

 

Usando os sismos naturais da zona de subducção propensa a terremotos na fossa das Marianas*, onde a placa do Pacífico está a deslizar por baixo da placa das Filipinas, uma equipa de investigadores da Universidade de Washington estimou a quantidade de água que está a ser incorporada nas rochas mais profundas sob a superfície da Terra.

 

Num estudo publicado recentemente, pela revista Nature, pode ler-se que a descoberta tem grandes implicações no entendimento do ciclo das águas profundas da Terra. Segundo é explicado, a água por baixo da superfície da Terra pode contribuir para o desenvolvimento do magma e lubrificar as falhas tectónicas, tornando os terremotos mais prováveis

 

O que acontece é que a água é armazenada na estrutura cristalina dos minerais e incorporada na crosta terrestre, quer quando as placas oceânicas se formam quer quando as mesmas fraturam.

 

Este processo de subducção é a única forma pela qual a água penetra profundamente na crosta e no manto, mas pouco se sabe sobre a quantidade de água que se move durante o processo. 

 

Os investigadores usaram dados recolhidos por uma rede de sensores sísmicos posicionados em redor da fossa central das Marianas no oeste do Oceano Pacífico. A parte mais profunda da fossa está localizada a quase 11 quilómetros abaixo do nível do mar. Estes sensores detetam terremotos e réplicas que ecoam na crosta terrestre.

 

A equipa responsável pelo estudo analisou a rapidez com que esses tremores viajavam: uma desaceleração na velocidade indicaria fraturas cheias de água em rochas e minerais “hidratados” que prendem a água dentro dos seus cristais.

 

Isso significa que a quantidade de água arrastada para o interior da crosta e a quantidade de água expelida nos vulcões deveriam ser aproximadamente iguais. O facto de não o serem sugere que há algo sobre a forma como a água se move através do interior da Terra que os cientistas ainda não conseguiram entender.

 

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A Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 11.034 metros. Localiza-se no Oceano Pacífico, a leste das ilhas Marianas, na fronteira convergente entre as placas tectónicas do Pacífico e das Filipinas. Geologicamente, a fossa das Marianas é resultado geomorfológico de uma zona de subducção.

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