
Armagedão dos Oceanos está perto
Diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente deixou o recado…
Foi mais ou menos desta forma que o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Erik Solheim, passou a mensagem recentemente. “Estamos perante um Armagedão dos oceanos: Todos os anos, despejamos pelo menos oito milhões de toneladas de plásticos nos nossos oceanos. A este ritmo, vamos acabar por ter mais plástico nos oceanos do que peixes até meio deste século”, sublinhou.
As embalagens, sacos e garrafas de plástico que usamos durante apenas alguns minutos são feitas de um material que foi concebido para durar uma eternidade. Uma vez no mar, o plástico não desaparece, pura e simplesmente. Fragmenta-se e flutua durante anos e décadas, viajando milhares de quilómetros, ou então deposita-se no fundo do mar.
Para além de poluírem os habitats marinhos, os resíduos plásticos também confundem os animais, que os ingerem por assumirem que são comida. A sua ingestão pode-lhes provocar lesões nos órgãos internos, obstrução intestinal e acumulação de químicos dos plásticos nos seus tecidos.
Os oceanos fornecem alimento e emprego a milhares de milhões de pessoas. No entanto, em troca, o ser humano asfixia-o com montanhas de lixo, resíduos tóxicos, pesticidas, águas residuais não tratadas e petróleo bruto.
Ora, o plástico também tem sido descoberto no ar que respiramos, no sal marinho, na água da torneira e até no mel. Obviamente, o plástico ingerido pelos animais marinhos entra na cadeia alimentar humana. Cientistas da Universidade de Ghent já avisaram que os consumidores europeus de peixe e marisco poderão ingerir até 11 mil fragmentos de plástico por ano, dos quais dezenas são absorvidos para a corrente sanguínea e vão-se acumulando no corpo, ao longo do tempo.
O problema, segundo o responsável das Nações Unidas, só precisa de alguma boa vontade: “Este é um desastre ambiental causado pela preguiça, que pode ser facilmente resolvido por uma boa dose de inovação e vontade política".
A solução passa então, em primeiro lugar, por mudar os hábitos e de se travar a entrada de plásticos no oceano.