Molécula descoberta por médicos Brasileiros de nome Polilaminina dá um passo rumo a possível tratamento para paraplegia e tetraplegia
Substância desenvolvida na UFRJ foi autorizada a iniciar a fase 1 de estudos clínicos; especialistas pedem cautela e lembram que o processo até um tratamento aprovado pode demorar anos.
Avanço importante, mas ainda inicial: a polilaminina entra em testes clínicos para avaliar segurança em vítimas de lesão medular grave.
Uma substância estudada há quase três décadas no Brasil volta a colocar a esperança de recuperação de movimentos no centro do debate científico sobre lesões graves na medula espinhal. Chama-se polilaminina — um composto derivado da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — e foi desenvolvida por investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De acordo com informação divulgada pela BBC News Brasil, a Anvisa autorizou o início da fase 1 de ensaios clínicos com a polilaminina, o primeiro passo formal para avaliar a segurança de uma substância em humanos antes de avançar para fases posteriores (eficácia e confirmação em maior escala). O processo completo pode levar vários anos até existir, ou não, uma aprovação para uso generalizado.
Como pode funcionar?
Segundo os investigadores envolvidos, a polilaminina poderá actuar como uma espécie de “andaime biológico”, criando suporte para que as células nervosas lesionadas voltem a reconstruir axónios — estruturas essenciais à transmissão de sinais no sistema nervoso e frequentemente interrompidas em traumas medulares.
O que já existe de evidência?
O tema ganhou visibilidade após resultados preliminares com um pequeno grupo de doentes. Num estudo-piloto descrito como pré-publicação (ainda sem revisão por pares), foram reportadas melhorias em parte dos participantes. Ainda assim, especialistas lembram que alguma recuperação pode acontecer naturalmente em certos casos, sobretudo com cirurgia, estabilização, fisioterapia e reabilitação intensiva — razão pela qual os ensaios clínicos controlados são decisivos para perceber o real impacto do tratamento.
O que vem a seguir?
A fase 1 deverá envolver um número reduzido de doentes e tem como objetivo principal avaliar se o procedimento é bem tolerado e se não provoca efeitos adversos graves. Só com resultados positivos será possível avançar para fases seguintes, desenhadas para medir eficácia com maior robustez.
Esperança com cautela
A notícia surge num contexto em que não existe hoje um tratamento capaz de recuperar plenamente movimentos em casos de lesão medular completa, uma realidade que afecta muitas pessoas no mundo — incluindo dentro e fora do surf, um desporto onde quedas, impactos e acidentes no mar podem ter consequências dramáticas.
Ao mesmo tempo, os próprios investigadores e médicos sublinham que a polilaminina ainda é experimental e que o acesso por via judicial (liminares) levanta preocupações éticas e científicas, por não garantir recolha rigorosa de dados nem monitorização padronizada.
Para já, fica o sinal mais importante: há ciência a avançar, com um novo passo regulatório que pode abrir caminho — com tempo, rigor e reabilitação — para mudar o futuro de pessoas com lesões medulares graves.
Assiste abaixo à entrevista com a médica investigadora que explica:
Avanço importante, mas ainda inicial: a polilaminina entra em testes clínicos para avaliar segurança em vítimas de lesão medular grave.
Uma substância estudada há quase três décadas no Brasil volta a colocar a esperança de recuperação de movimentos no centro do debate científico sobre lesões graves na medula espinhal. Chama-se polilaminina — um composto derivado da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano — e foi desenvolvida por investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De acordo com informação divulgada pela BBC News Brasil, a Anvisa autorizou o início da fase 1 de ensaios clínicos com a polilaminina, o primeiro passo formal para avaliar a segurança de uma substância em humanos antes de avançar para fases posteriores (eficácia e confirmação em maior escala). O processo completo pode levar vários anos até existir, ou não, uma aprovação para uso generalizado.
Como pode funcionar?
Segundo os investigadores envolvidos, a polilaminina poderá actuar como uma espécie de “andaime biológico”, criando suporte para que as células nervosas lesionadas voltem a reconstruir axónios — estruturas essenciais à transmissão de sinais no sistema nervoso e frequentemente interrompidas em traumas medulares.
O que já existe de evidência?
O tema ganhou visibilidade após resultados preliminares com um pequeno grupo de doentes. Num estudo-piloto descrito como pré-publicação (ainda sem revisão por pares), foram reportadas melhorias em parte dos participantes. Ainda assim, especialistas lembram que alguma recuperação pode acontecer naturalmente em certos casos, sobretudo com cirurgia, estabilização, fisioterapia e reabilitação intensiva — razão pela qual os ensaios clínicos controlados são decisivos para perceber o real impacto do tratamento.
O que vem a seguir?
A fase 1 deverá envolver um número reduzido de doentes e tem como objetivo principal avaliar se o procedimento é bem tolerado e se não provoca efeitos adversos graves. Só com resultados positivos será possível avançar para fases seguintes, desenhadas para medir eficácia com maior robustez.
Esperança com cautela
A notícia surge num contexto em que não existe hoje um tratamento capaz de recuperar plenamente movimentos em casos de lesão medular completa, uma realidade que afecta muitas pessoas no mundo — incluindo dentro e fora do surf, um desporto onde quedas, impactos e acidentes no mar podem ter consequências dramáticas.
Ao mesmo tempo, os próprios investigadores e médicos sublinham que a polilaminina ainda é experimental e que o acesso por via judicial (liminares) levanta preocupações éticas e científicas, por não garantir recolha rigorosa de dados nem monitorização padronizada.
Para já, fica o sinal mais importante: há ciência a avançar, com um novo passo regulatório que pode abrir caminho — com tempo, rigor e reabilitação — para mudar o futuro de pessoas com lesões medulares graves.
Assiste abaixo à entrevista com a médica investigadora que explica:








































