O movimento Não ao Paredão diz defender o ambiente e as ondas das Praias do Porto e Matosinhos O movimento Não ao Paredão diz defender o ambiente e as ondas das Praias do Porto e Matosinhos

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terça, 06 agosto 2019 13:06

EM MATOSINHOS O "NÃO AO PAREDÃO" DÁ ORIGEM À "ASSOCIAÇÃO DÉCADA REVERSÍVEL"

Os últimos desenvolvimentos relacionados com o "Não" ao prolongamento do Molhe Norte em Matosinhos.

Quem fala é Humberto Silva o líder Natural e criador deste movimento de contestação às obras de prolongamento do Molhe Norte do Porto de Leixões. Nesta construção o Ministério do Mar e APDL, entidade que gere o Porto de Leixões, pretendem construir um prolongamento do Quebra-Mar exterior do Porto de Leixões numa extensão de 300m. Este prolongamento tem a ver, segundo a APDL, com a melhoria das condições  do Porto de Leixões, em termos de navegabilidade, segurança, capacidade operacional e comercial uma vez que vai permitir o acesso e a recepção de navios de maior porte.

Após um aparente volte face encabeçado em parte pela Câmara Municipal do Porto no qual os vereadores eleitos pelo movimento Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido apresentaram e aprovaram, numa reunião de Executivo municipal, uma moção para apelar à participação cívica de todos os cidadãos na defesa de um bem colectivo que não pode ser destruído - o Ambiente e também o Surf. Tendo mesmo havido uma sessão parlamentar na Assembleia da República sobre o possível não avanço da obra, eis que a semana passada a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino veio confirmar a execução da obra, com 300 metros de comprimento isto após a Câmara Municipal do Porto ter solicitado ao governo central a extensão da obra em apenas 200 metros.

A Surftotal esteve então à conversa com Humberto Silva que nos explica o porquê da formação de uma associação de apoio ao movimento "-Não ao Paredão-"

 

 

 

CAMARA DE MATOSINHOS LIVE

 





Quando e porque motivo surge agora esta associação?

A Associação Década Reversível (ADERE) surge a partir do associativismo criado do movimento Diz Não Ao Paredão. Formar uma associação é uma evolução natural deste projeto e já há muito tempo que estava na nossa agenda, finalmente foi concretizado.

O movimento não ao paredão continua?

Claro que sim, no que toca ao projeto de modernização do Porto de Leixões, o Movimento continuará a trabalhar exatamente da mesma forma.

Porque razão esta associação e não apenas o movimento não ao paredão?

Primeiramente, porque com a associação passamos a ser uma entidade, o que nos abre portas para outros tipos de abordagem aos desafios que formos encontrando, mas mais importante, porque seria irresponsável ignorar a vontade e a sinergia que nasceu da comunidade. Esperamos desta forma, ajudar a criar condições para que este activismo cresça e se desenvolva porque a cidadania é, e sempre será, um dos pilares da nossa democracia.

 

 

"Nós não somos radicais - muito pelo contrário -

fazemos questão de pautar pelo diálogo e pela participação ativa e democrática"

 

 

Como está a relação com as instituições publicas?

Já reunimos com a APDL, com a câmara do Porto, com várias entidades independentes, outras associações, etc. e fomos participando de forma voluntária noutras iniciativas públicas. A nossa relação será sempre saudável com todas as entidades, o que nós queremos todos é encontrar um (bom) compromisso para a cidade.

Há de fato estudos credíveis que digam que a construção do molhe de 200 metros será benéfica sócio economicamente para Matosinhos?

Se os há, não são de nosso conhecimento. O Estudo de Impacto Ambiental disponível publicamente, afirma que foram feitos estudos para diferentes comprimentos e configurações, mas apenas são apresentados em detalhe os impactos para os 300 metros. No entanto, recentemente foi dito pela Ministra do Mar, que recorreram a uma das mais prestigiadas instituições mundiais, e que após estudos, essa instituição também confirma os 300 metros como a melhor opção... * Segundo o primeiro relatório do Grupo de Acompanhamento, foi pedido um parecer/revisão sobre os estudos já realizados, não foram pedidos novos estudos nem estudadas novas alternativas, mas pedir uma revisão ou pedir um estudo, são coisas bem diferentes.

 

 

 

"Daqui a 15 ou 20 anos, discutirmos novas soluções,

e perceber que o que se fez em 2020, não passou de um remendo"

 

 

Há elementos da população que dizem que o paredão deverá ser construído, temes que o movimento não ao paredão ou esta nova associação fique a ser conhecida pela sua radicalidade?

Eu acredito em diferentes pontos de vista e não crítico quem considera este projeto positivo, tudo depende daquilo que cada um valoriza. Nós não somos radicais - muito pelo contrário - fazemos questão de pautar pelo diálogo e pela participação ativa e democrática em tudo que somos convidados, mas é do nosso entender que este projeto - apesar de muito importante para a região e para o país - não é aquilo que procuramos. Claramente que o Porto de Leixões está condicionado pela sua situação geográfica e irá voltar a esgotar-se, pelo que terá de voltar a sacrificar a cidade para se manter competitivo, e é exactamente este "correr atrás do prejuízo" que não faz sentido. Que se invista no norte e em Matosinhos, mas de forma sustentável e com garantias a longo prazo, para não corrermos o risco de daqui a 15 ou 20 anos, discutirmos novas soluções, e perceber que o que se fez em 2020, não passou de um remendo.

o que foi conseguido até agora pelo movimento não ao paredão?

Que se discuta o projeto a vários níveis. O Movimento começou exatamente com o objectivo de alertar a população para o que estava em cima da mesa, e tem conseguido. Passamos de 74 participações individuais durante a consulta pública, para quase 7000 assinaturas numa petição feita em parceria com a Surfrider Foundation. A população está a despertar, embora lentamente, mas isso é só meio caminho, é necessário encontrar alternativas.




 

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