Tomás Valente vivendo a vida no Equador. Tomás Valente vivendo a vida no Equador. Foto: Pedro Santos Ribeiro

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quinta, 08 março 2018 16:20

Vivendo o Surf com Tomás Valente 

Após uma investida ao Equador, eis a entrevista exclusiva que se impõe… 

 

Tomás Valente, 30, é um dos grandes nomes do surf português. Free surfer por opção, surfista calejado que desbravou terreno num campo onde foi quase pioneiro - o dos aéreos. Aproveitámos o regresso a casa, após uma investida ao Equador, para fazer um ponto da situação. 

 

Todas as imagens de Pedro Santos Ribeiro

 

Olá Tomás. Como tem estado a correr a temporada de inverno? Alguma sessão de destaque que gostasses de partilhar connosco? 

Já foram algumas, só me consigo lembrar da surfada de hoje! (ontem) Metro, metro e meio, e tubos sem ninguém! Malta, não façam Insta Directs em direto! (risos)

 

À imagem de muitos surfistas portugueses, também tu optaste por fugir ao frio europeu rumando para lugares mais quentes e convidativos. Fala-nos da recente trip no Equador…

Bem, já tinha saudades de surfar de calções, decidi então que o Equador era o destino pela diversidade de ondas e pouco crowd. O país em si é incrível, com muita costa por explorar, comida muito boa, barata e o povo é muito amistoso.

Em alguns sítios éramos os únicos turistas e fomos sempre muito bem tratados, por isso, espero regressar e apanhar algumas ondas incríveis que, por falta de swell, não estavam a dar. Esta acabou por ser uma viagem bem positiva, pois, apesar de não termos ondas incríveis de tubos que tanto estàvamos à espera, temos bom conteúdo para um projeto que vai mixar surf e o Equador Lifestyle. 

 

“Mantive-me sempre fiel ao meu estilo.

Gosto de surfar todos os tipos de ondas, sem pressão"

 

 

Dirias então que o Equador é uma surftrip que recomendarias? Para todos os níveis de surfistas ou só para os mais experientes?

O Equador é um local pouco explorado em algumas partes da costa e, como eu gosto de procurar por novas ondas, com pouco crowd, decidi perguntar ao meu amigo Pedro Santos Ribeiro qual seria a melhor altura para irmos. Existem ondas para todos os gostos, desde “wedges”, tubos, pointbreaks e beach breaks, com ondas para todos os níveis de surf e com ou sem crowd.

 

Na tua opinião, qual o melhor destino de ondas no Mundo?

É muito difícil escolher só um sítio, mas temos ondas boas, consistentes, e tubulares na nossa costa, na Irlanda, Indonésia, Filipinas, Havai… Se for para manobrar, talvez o meu sítio preferido seja Trestles, na Califórnia, EUA.

 

"[Kikas] é dos surfistas mais power do circuito

e dos melhores competidores"

 

 

Partilha connosco um momento engraçado, divertido, que se tenha passado contigo durante uma surftrip… 

Nesta última viagem aconteceu uma muito boa! Íamos sem cinto a conduzir numa zona portuária, quando somos mandados parar pela policia. Como já estávamos no final da viagem e já tinha visto muitas cenas sul-americanas, sabia de antemão quais seriam as nossas opções. Primeiro pedem os documentos… e está tudo okay. Depois dizem que são 60 dólares de multa que têm que ser pagos no banco antes do regresso a Portugal. Eu concordo, peço o papel da dita multa para preencher e digo que a pago antes de sair do país. Enquanto choramingávamos, os policias estão cheios de preguiça e acabam por perguntar se quero saber a outra opção. Como percebi logo o que se passava, fiz-me de desentendido e esperei que ele me dissesse que aceitaria qualquer coisa. Acabou por pedir dinheiro para beber alguma coisa. Baixámos a multa para os 30 dólares, mas acabámos por pagar 20 e ainda nos guiaram até à praia que estávamos à procura. Obrigado!

 

Quiver. Sendo tu um atleta multifacetado, mas mais dado ao “air game”, temos duas questões. Por um lado, que tipo de pranchas levas numa surftrip? Por outro, tendo em conta o jogo aéreo, que tipo de características procuras nas tuas pranchas do dia-a-dia?

Depende do sítio para onde vou, mas normalmente levo pranchas para ondas grandes, normais e algumas mais alternativas. Para fazer aéreos gosto de usar pranchas mais pequenas e cheias, gosto do modelo Bigguy, Mini simmons, e skate, do meu patrocinador de pranchas NOLOGO. 

 

"Se for para manobrar, talvez o meu sítio preferido seja Trestles"

 

 

Fala-nos um pouco mais sobre isso a tua nova série de webisodes. Como surgiu a ideia e o que pretendes atingir com o seu lançamento? 

Costumo filmar com o Pedro Santos Ribeiro e, além disso, é um indivíduo com muita piada. Achei que podia ser interessante fazer uma viagem não só para surfar, mas para captar o nosso dia-a-dia “equatoriano” e a viver o que os locais vivem. Queremos lançar um video final com história, surf e a cultura do país.

 

A temporada competitiva está à porta, mas tu já não competes há muito tempo. Diz-nos o que em tempos te levou a afastar da competição e se, por acaso, poderás fazer algum campeonato este ano?

Não tenciono fazer campeonatos, a não ser que sejam de aéreos ou de tubos, ou com um formato diferente. Não gosto do formato de competição, da parte de viajar para outro sitio do mundo e de quase sempre as ondas estarem muito más. Achei que também não tinha surf suficiente para vingar numa carreira competitiva internacional e mantive-me sempre fiel ao meu estilo. Gosto de surfar todos os tipos de ondas, sem pressão.  

 

"Tiro o chapéu aos bodyboarders portugueses, pois são sempre eles

a procurarem as ondas boas e a puxar os limites dos surfistas"

 

 

 

Como vês a carreira de Kikas? Poderá ele melhorar o 15.º do ano passado? Quais os seus pontos fortes e mais fracos?

É um grande atleta, com uma preparação muito forte a todos os níveis e que nunca se dá por vencido. Acredito que ele ainda vá melhorar e manter-se muitos anos no WSL, pois é dos surfistas mais power do circuito e dos melhores competidores. Não vi praticamente um heat mau do Kikas o ano passado! Acho que, neste momento, se ele quer subir no ranking, tem que melhorar a técnica dos tubos, ficar mais “deep" e escolher as ondas certas. Acredito que com treino irá lá chegar! 

 

Voltando ao plano entre portas. Que balanço farias do Surf nacional? O que nos falta, ou o que nos falta trabalhar, para termos mais surfistas entre os melhores do mundo?

Acho que estamos no bom caminho, com cada vez melhor nível de surf na água. Gosto da atitude e o caminho que o Afonso Antunes, Gui Ribeiro, João Mendonça e o Santi Graça estão a seguir, aliando a competição e o free surf. Estas idas ao Havai penso que serão o melhor destino para quem quer ser surfista profissional. No fundo, é como surfar ondas com a qualidade de Portugal, mas de calções e com os melhores surfistas do mundo. O João Moreira também é um dos meus surfistas favoritos da nova geração que tem muito potencial da progressão. Acredito que quando acabar o 12º ano se possa tornar num grande surfista, se passar mais tempo fora de Portugal, pois tem um grande talento e diversidade de manobras. 

Um ponto negativo e que temos que melhorar muito, é haver muitos miúdos a treinar, com pouco tempo de surf, a fazer manobras do início ao fim da ondas, quando nem sequer sabem dropar uma onda decente ou assimilarem a verdadeira cultura do surf, mas muitas vezes por obrigação que os fazem parecer “robots". Tiro o chapéu aos bodyboarders portugueses, pois são sempre eles a procurarem as ondas boas e a puxar os limites dos surfistas.

 

Última mensagem?

Sejam vocês próprios e façam pela vida. 

 

Aproveita e revê aqui o episódio 1 da nova webisodes de Tomás pelo Equador. 

 

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AF

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