Porque razão o mês de Janeiro tem sido perfeito para o Surf em Portugal ? quinta-feira, 27 janeiro 2022 20:25

Porque razão o mês de Janeiro tem sido perfeito para o Surf em Portugal ?

Este tipo de condições invernais são o santuário do surfista, as sessões de surf são geralmente excelentes,...

 

 

 

 

 

"Esta alta-pressão tem uma particularidade,

 

bloqueia a passagem das baixas-pressões sobre Portugal Continental... "

 

 

 

 

Sistema de altas pressão encontra-se estacionário sobre a peninsula ibérica. IPMA

 

 

É por altura do inverno que em Portugal Continental se observam algumas das melhores ondulações do ano, claro que tudo dependerá da configuração das altas e baixas-pressões que se observam nessa época.

No nosso inverno as condições do estado do mar e do tempo, alternam tipicamente entre um mar revoltoso, de temporal, com mau tempo associado e, noutras alturas, períodos (muitas vezes longos) de sol, frio, e vento offshore na maior parte da Costa Oeste com sets de ondulação “limpinhas” a entrar. 

Este tipo de condições invernais são o santuário do surfista, as sessões de surf são geralmente excelentes, com paredes de onda bastante suaves e em regra geral é uma situação que se mantém ao longo de vários dias, dá a sensação de um prazer continuado porque, “ontem foi bom, hoje está bom e amanhã voltarei”, é neste âmbito que muitos surfistas metem uns dias de férias e os que não podem metem baixa, aliás as constipações são uma inevitabilidade da época…

Voltando ao tema, quais são então os fatores que vão originar este tipo de condições? Ora em Portugal Continental temos duas situações muito típicas, uma em que temos baixas-pressões com sistemas frontais associados a passarem livremente de Oeste, trazendo bastante nebulosidade, precipitação, vento (muitas vezes de Oeste) e um estado do mar revoltoso com vários tipos de ondulação a entrarem ao mesmo tempo e muita vaga associada ao vento local. Por outro lado, temos estes períodos, como o que estamos a experienciar neste momento, em que uma alta-pressão se desloca sobre a Península Ibérica, muitas vezes unindo-se à alta-pressão da Europa Central originando assim um centro de altas pressões com uma assinatura bastante forte. 

Esta alta-pressão (muitas vezes) assume uma posição com o centro sobre o Golfo da Biscaia e estende-se para o interior da Europa Ocidental, tendo em conta que nestes centros a circulação atmosférica dá-se no sentido dos ponteiros do relógio, gera-se assim vento do quadrante Este. Esta circulação atmosférica tem um revés, é uma circulação bastante longa que vem desde o interior da Europa, trazendo assim uma massa de ar continental fria, com características de ar muito frio e seco. Daí que é nestas alturas que temos as temperaturas mais baixas do inverno. 

 

Final de dia num dia de Janeiro em Carcavelos. Click por Alexandre @askme.surfphoto

 

Nesta posição a alta-pressão tem ainda outra particularidade, bloqueia a passagem das baixas-pressões sobre Portugal Continental, deflectindo-as mais para Norte. Desta forma temos os centros tempestivos (baixas-pressões) a passarem mais longe sobre o Norte Atlântico e a única influencia que têm na nossa Costa é que recebemos os pulsos energéticos gerados pelo vento dessas tempestades, imprimidos no oceano sob a forma de ondulação.

Esta configuração está enunciada num artigo anterior onde se explicam os tipos de ondulação que atingem a nossa costa e também foi explicada esta dinâmica, logo no primeiro exemplo, "Mar de Fora".

Assim o resultado final de todos estes fatores é uma situação de frio, sol (céu pouco, nublado a limpo), vento offshore (quadrante Este) e ondulação que vem de longe, tendo assim tempo e distância suficiente para se organizar. Em suma estão geradas as condições para a ocorrência de mais uma situação de Mar de Fora, que de acordo com o estudo do “IPMA – Descrição de Agitação Marítima da Caracterização Climática da Costa”, este tipo de ondulação costuma de ocorrer no inverno quando se desenvolve o anticiclone de bloqueio, observando-se em média, ondulações de Noroeste/Oeste de espectro muito estreito, direção bem definida e bastante regular com tamanhos compreendidos entre 1.5 a 2.0 metros e períodos a rondar os 14 segundos. 

O IPMA tem elaborado vários comunicados de avisos relativamente ao tempo frio, portanto agasalhem-se e fiquem de olho nas tempestades que atravessam o Norte Atlântico para saberem quando chegam as várias ondulações!

 

 

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*Por Bruno Lampreia.

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