Morreu Larry Bertlemann, o lendário surfista havaiano que revolucionou o surf moderno
Conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, deixando um legado que transformou para sempre a forma de surfar.
Pioneiro das manobras aéreas e de um estilo radical que influenciou gerações de surfistas e skaters, foi uma das figuras mais inovadoras da história do surf.
O mundo do surf está de luto pela morte de Larry Bertlemann, uma das personalidades mais influentes e irreverentes da modalidade. O lendário surfista havaiano faleceu no sábado, 10 de outubro, em Honolulu, aos 71 anos, na sequência de complicações de um ataque cardíaco, segundo informação confirmada pela família à Hawaii News Now.
Bertlemann deixa três filhos, oito netos e nove bisnetos, mas também uma herança desportiva que ultrapassa largamente os resultados alcançados em competição.
O homem que mudou a forma de surfar
Nascido em Hilo, no Havai, em 1955, Larry Bertlemann descobriu o surf aos 11 anos, depois de se mudar com a mãe para Oahu. Foi nas ondas de Queens, em Waikiki, que começou a desenvolver uma ligação ao oceano que acabaria por revolucionar a modalidade.
O seu talento chamou rapidamente a atenção do lendário shaper Ben Aipa, que desempenhou um papel fundamental na evolução do jovem surfista.
Numa época em que a revolução das pranchas curtas ainda estava a transformar o surf, Bertlemann levou as novas possibilidades de manobra a um nível completamente diferente.
Com os joelhos extremamente fletidos, o centro de gravidade muito baixo e movimentos quase acrobáticos, desenhava curvas apertadas e mudanças bruscas de direção que pareciam desafiar as leis da física.
O seu estilo valeu-lhe a alcunha de “Rubberman”, o homem de borracha.
Pioneiro das manobras aéreas e inspiração para Kelly Slater
Muito antes de os aéreos se tornarem parte essencial do surf de competição, Bertlemann já experimentava tirar a prancha da água, desenvolvendo manobras que batizou de Larryials.
Martin Potter chegou a considerá-lo o padrinho do surf de alta performance, enquanto Kelly Slater o descreveu como o primeiro representante da nova escola do surf.
A sua influência estendeu-se também ao skate. Os movimentos executados com uma mão apoiada na parede da onda inspiraram alguns dos grandes nomes da cena de Dogtown, na Califórnia, incluindo Jay Adams e Tony Alva.
A manobra conhecida como Bert, executada no skate, tornou-se uma homenagem permanente ao estilo do havaiano.
Um talento muito além dos resultados
Larry Bertlemann tornou-se profissional aos 13 anos e rapidamente conquistou notoriedade internacional.
Em 1972, aos 17 anos, terminou na quarta posição do Campeonato do Mundo de Surf e alcançou o terceiro lugar no Pipe Masters. No ano seguinte, conquistou o título norte-americano.
Mas os resultados nunca conseguiram traduzir verdadeiramente a dimensão do seu talento.
Bertlemann era imprevisível, exuberante e pouco convencional. Enquanto muitos dos seus contemporâneos procuravam linhas clássicas e manobras controladas, o havaiano arriscava constantemente, mesmo quando isso significava cair.
Foi também um dos primeiros surfistas a explorar o potencial comercial da sua personalidade, estabelecendo parcerias com marcas de diferentes setores, muito para além da indústria do surf.
Uma vida marcada por altos e baixos
Apesar do enorme talento, a vida de Bertlemann também foi marcada por dificuldades.
Problemas graves nas costas afastaram-no progressivamente das ondas durante a década de 1980. Nos anos seguintes, enfrentou complicações de saúde, dificuldades pessoais e problemas com a justiça.
As lesões nas costas e no pescoço chegaram a comprometer seriamente a sua mobilidade, obrigando-o a tratamentos e intervenções cirúrgicas.
Ainda assim, manteve o sentido de humor e a personalidade irreverente que sempre o caracterizaram.
Um legado que permanece em cada geração
Larry Bertlemann pertenceu a uma geração de surfistas que ajudou a transformar o surf numa modalidade mais dinâmica, criativa e expressiva.
A sua influência pode ser reconhecida nas manobras modernas, nas curvas radicais, na abordagem aérea e até na ligação entre o surf e o skate.
Mais do que antecipar aquilo em que o surf se viria a transformar, Bertlemann demonstrou que não existiam limites definidos para aquilo que um surfista podia fazer numa onda.
Larry Bertlemann não se limitou a acompanhar a evolução do surf. Foi um dos homens que a tornaram possível.





