Imagem exemplo de lixo encontrado na praia / Fundação Oceano Azul / APA segunda-feira, 03 agosto 2026 09:48 Plástico representa quase 90% do lixo encontrado nas praias portuguesas
Relatório da APA revela aumento dos plásticos de utilização única e das beatas de cigarro entre 2024 e 2025...
O plástico continua a dominar de forma esmagadora o lixo encontrado nas praias de Portugal Continental. De acordo com o mais recente relatório do Programa de Monitorização de Lixo Marinho, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente em colaboração com a Fundação Oceano Azul, 89,5% dos resíduos identificados em 2024 e 88% dos recolhidos em 2025 pertenciam à categoria dos plásticos, incluindo o poliestireno expandido e extrudido.

O documento apresenta os resultados das campanhas realizadas em 15 praias distribuídas pelas cinco regiões de Portugal Continental, onde são analisadas secções de 100 metros de areal quatro vezes por ano, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Em 2024 foram efetuadas 57 campanhas de amostragem e, em 2025, um total de 58.
Pequenos fragmentos dominam o lixo recolhido
Os resíduos mais frequentes foram os fragmentos de plástico rígido com menos de 2,5 centímetros, que representaram 28% do total em 2024 e 24,4% em 2025.
Seguiram-se os pequenos fragmentos de poliestireno, com 12% em 2024 e 11,5% em 2025, e os fragmentos de plástico rígido de maiores dimensões, que passaram de 9,4% para 7,7%.
No conjunto, os fragmentos resultantes da degradação de plástico e poliestireno corresponderam a 55% de todos os objetos encontrados em 2024 e a 47,8% em 2025, revelando a dimensão do problema dos materiais que permanecem no ambiente e se vão desagregando progressivamente em partículas mais pequenas.

Plásticos descartáveis voltaram a aumentar
O relatório identifica também uma evolução preocupante nos plásticos de utilização única, que passaram de cerca de 27% do lixo recolhido em 2024 para 31% em 2025.
Entre os objetos mais encontrados estão sacos de aperitivos e guloseimas, paus de chupa-chupa e gelados, tampas e argolas de garrafas, cotonetes, embalagens de alimentos, talheres, palhinhas, copos e sacos de compras.
Apesar das restrições impostas à comercialização de vários destes produtos, os cotonetes com haste de plástico continuam a aparecer em quantidades relevantes, representando 3,8% dos itens em 2024 e 3,6% em 2025.

Beatas de cigarro voltam a subir
As beatas e os filtros de cigarro continuam entre os resíduos mais comuns nas praias nacionais.
Depois de representarem 7,2% dos objetos identificados em 2024, aumentaram para 9,8% em 2025, tornando-se um dos problemas com maior crescimento no período analisado.
O resultado reforça a ligação entre parte significativa do lixo marinho e os comportamentos individuais nas zonas balneares, apesar das campanhas de sensibilização e das medidas destinadas a reduzir o abandono de resíduos no espaço público.

Turismo, recreio e saneamento entre as principais origens
A origem da maioria dos resíduos continua, contudo, a ser difícil de determinar. Em 2024 não foi possível atribuir uma fonte concreta a cerca de 83% do lixo recolhido, valor que desceu ligeiramente para 81% em 2025.
Entre os objetos cuja origem pôde ser identificada, o turismo e as atividades recreativas foram responsáveis por 50% em 2024 e 46% em 2025. O saneamento representou 36% e 38%, respetivamente, enquanto os artigos associados às atividades marítimas passaram de 10,5% para 12%.
Os resíduos ligados à pesca, aquacultura e navegação incluem cordas, redes, boias, cortes de redes, linhas de pesca, armadilhas e materiais utilizados na cultura de mexilhão.

Monitorização abrange praias de norte a sul
A rede nacional inclui praias como Cabedelo e Arda, Estela/Barranha, Matosinhos, São Félix da Marinha, Barra, Furadouro Sul, Osso da Baleia, Paredes de Vitória, Baleal-Leste, Amoeiras, Fonte da Telha, Monte Velho, Ilha de Faro e Batata.
A classificação dos resíduos é feita através de dez grandes categorias e de um total de 193 tipos diferentes de lixo, permitindo acompanhar a abundância, a composição, a distribuição geográfica e a evolução dos resíduos encontrados ao longo do tempo.
A partir de 2026, o Programa de Monitorização de Lixo Marinho em Praias de Portugal Continental passará a ser coordenado pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, sucedendo à Agência Portuguesa do Ambiente nessa função.
Os dados agora divulgados mostram que, apesar de uma ligeira redução da percentagem global de plástico, os materiais descartáveis e as beatas continuam a aumentar, mantendo a pressão sobre os ecossistemas costeiros e reforçando a necessidade de prevenção, fiscalização e mudança de comportamentos.
- Créditos fotos: Fundação Oceano Azul / APA




