Kika Veselko Kika Veselko / WSL - Thiago Diz sexta-feira, 19 junho 2026 21:24

Yolanda e Kika eliminadas no Rio Pro: permanência na elite exige melhores resultados

Portuguesas foram eliminadas na ronda inaugural em Saquarema e precisam de começar a transformar boas prestações em resultados se querem manter viva a ambição de continuar na elite mundial

Yolanda Hopkins e Francisca “Kika” Veselko despediram-se esta sexta-feira do VIVO Rio Pro, sexta etapa do Championship Tour 2026, no 17.º lugar final, depois de terem sido eliminadas logo na ronda inaugural em Saquarema, no Rio de Janeiro.

As duas surfistas portuguesas voltam assim a somar apenas 1000 pontos para o ranking mundial, num momento em que a luta pela permanência na elite começa a exigir outro tipo de resultados.

A primeira portuguesa a entrar na água foi Yolanda Hopkins, no heat 3 da ronda inaugural, frente à basca Nadia Erostarbe. A surfista algarvia nunca conseguiu encontrar as notas necessárias para assumir o controlo da bateria e acabou derrotada por 10.83 contra 9.10 pontos.

Kika Veselko entrou pouco depois, num heat que chegou a decorrer em simultâneo devido ao formato de baterias sobrepostas. A jovem portuguesa esteve mais perto de vencer e chegou aos últimos segundos na liderança frente à australiana Isabella Nichols, num duelo entre duas ex-campeãs mundiais juniores.

A 30 segundos do fim, Kika tinha 11.70 pontos e prioridade, mas Isabella Nichols conseguiu virar a bateria no último suspiro, fechando a disputa com 12.50 pontos e deixando a portuguesa fora da etapa brasileira.

Resultados que começam a pesar

Depois de seis etapas disputadas, o cenário das portuguesas no Championship Tour torna-se cada vez mais exigente.

Yolanda Hopkins soma atualmente 9000 pontos e mantém-se virtualmente no 19.º lugar do ranking. Já Kika Veselko, que chegou ao Brasil no 20.º posto, fica com 8000 pontos e deverá descer na classificação.

Mais preocupante do que a posição exata no ranking é a dificuldade que ambas têm sentido em ultrapassar as primeiras rondas. Yolanda passou à ronda 2 em três ocasiões, mas também caiu três vezes na ronda inaugural. Kika conseguiu superar a primeira ronda nas duas primeiras etapas da temporada, mas desde então foi eliminada quatro vezes consecutivas logo na estreia.

Num circuito cada vez mais competitivo e curto em oportunidades, ficar sistematicamente entre as primeiras eliminadas torna muito difícil construir uma candidatura sólida à permanência no top 23 mundial.

É preciso arriscar mais?

Tanto Yolanda como Kika já provaram ter surf para competir neste nível. A questão, nesta fase, parece ser menos de talento e mais de transformação desse talento em resultados.

No Championship Tour, surfar bem não chega. É preciso escolher melhor as ondas, construir baterias com mais frieza, procurar notas fortes mais cedo e, em determinados momentos, assumir maior risco competitivo.

Kika esteve muito perto de vencer em Saquarema, mas deixou escapar a bateria nos segundos finais. Yolanda tem experiência, potência e leitura competitiva, mas precisa de voltar a encontrar heats em que consiga impor o seu surf e não apenas responder ao ritmo das adversárias.

A partir daqui, a margem de erro fica mais curta. Se querem ambicionar um lugar na elite em 2027, as duas portuguesas terão de começar a produzir resultados mais fortes nas próximas etapas. Isso poderá passar por arriscar mais, mudar estratégias de heat, procurar maior contundência nas manobras ou até repensar pequenos detalhes técnicos e competitivos.

O circuito não espera. E, nesta fase da temporada, cada heat perdido começa a pesar de forma decisiva.

Teahupo’o pode abrir uma oportunidade, mas não será tarefa fácil

A próxima etapa do Championship Tour 2026 será em Teahupo’o, no Taiti, entre 8 e 18 de agosto.

Pelas características da onda, uma das mais exigentes e especiais do planeta, dificilmente será uma etapa simples para procurar uma viragem tranquila na temporada. Teahupo’o exige leitura, compromisso, confiança e capacidade de lidar com risco, tornando cada bateria particularmente difícil.

Ainda assim, por ser uma onda diferente de quase todas as outras do circuito, pode também abrir espaço a surpresas e a resultados menos previsíveis. Para Yolanda Hopkins e Kika Veselko, poderá representar uma oportunidade para tentar inverter a tendência, desde que consigam adaptar-se rapidamente às condições e assumir as decisões certas em momentos críticos.

O talento existe. A experiência está a crescer. Mas, depois de Saquarema, a necessidade é clara: as portuguesas precisam de transformar potencial em resultados — e rapidamente.

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