Dos 12 anos à Liga MEO Surf: a história de superação de Jessica Marques terça-feira, 21 abril 2026 09:24

Dos 12 anos à Liga MEO Surf: a história de superação de Jessica Marques

Com apenas 16 anos, Jessica Marques é um exemplo de determinação dentro e fora de água...
 
....Natural de Azeitão, longe do mar, a jovem atleta construiu o seu percurso com base no esforço diário, conciliando escola, treinos exigentes e longas viagens para poder evoluir nas ondas. Em apenas quatro anos, chegou à Liga MEO Surf, a principal divisão do surf português, mostrando que a paixão e a persistência podem superar qualquer distância.
 
Nesta entrevista à Surftotal, Jessica fala sobre o início no surf, os desafios do dia a dia, o papel fundamental da família e a mensagem que quer deixar a todos os jovens que sonham alto.
 

 

Surftotal - Como começou a tua ligação ao surf? Lembras-te da primeira vez que entraste no mar com uma prancha? 

Jéssica - Eu já tinha experimentado vários desportos e nunca houve um que eu gostasse mesmo, até que surgiu a oportunidade de fazer uma aula experimental, aos 12 anos, e confesso que estava muito nervosa no início. Mas, ao entrar na água e, com ajuda, apanhar uma onda, senti-me bem, senti-me feliz de uma maneira que nunca tinha sentido em outro desporto e aí soube que era o surf.


O que foi que te fez apaixonar pelo surf ao ponto de quereres competir? 


O que me fez apaixonar pelo surf foi passar bastante tempo no mar, o que sempre gostei desde pequena, e ter de trabalhar muito para evoluir, ter sempre de me esforçar ao máximo. Quando comecei a evoluir aos poucos e a conhecer o lado competitivo, percebi que era o que queria fazer.


Em 4 anos e já estás na Liga MEO Surf. Como explicas essa evolução tão rápida? 


É querer muito, ter muita força de vontade. Quando tive mais aulas de surf e já estava a evoluir, percebi que tinha de passar para outra escola que me ajudasse ainda mais e foi aí que passei a surfar com o Pedro Carvalho na Associação de Surf da Costa de Caparica. Acho que grande parte da minha evolução foi graças a ele, porque sempre foi uma pessoa que nos apoiou muito e fez de tudo para não desistirmos. Quando infelizmente acabou por falecer devido a uma doença, comecei a treinar com o Miguel Matos, João Shorty, Lourenço Melo Gomes e agora, recentemente, o Alan Saulo, que têm sido meus treinadores até agora, dando-nos muitos recursos técnicos e trabalhando os erros para evoluirmos mais.


Houve algum momento-chave em que sentiste: “é isto que quero mesmo”?


Sim, no ano passado, no início da época, as coisas não estavam a correr bem e comecei-me a questionar se seria mesmo isto que queria fazer. Mas foi uma coisa que passei a gostar bastante, então fiz muita força para não desistir, sempre com a ajuda dos meus pais, e hoje não me vejo a viver sem o surf.


Vives em Azeitão e tens de fazer cerca de duas horas de viagem para treinar. Como é o teu dia-a-dia? 


É um pouco complicado não ter a praia mesmo aqui ao pé, mas eu aceito o esforço. Acordo todos os dias às 06:30 da manhã e entro às 08:00 na escola, saindo às 13:30, tirando terça-feira que saio às 17:20. Tive um horário bastante acessível este ano, o que faz com que consiga ir surfar 4/5 vezes por semana. Normalmente, depois das 13:30, o meu pai leva-me a prancha, muitas das vezes chego a almoçar no comboio, depois apanho o autocarro e ainda tenho de andar a pé até ao treino e fazer o mesmo para voltar. Às vezes chego a casa às 21:00 e no dia a seguir acordo na mesma bastante cedo e repito tudo vários dias.


O que é que te custa mais nesse processo? 


É só mesmo a distância e o tempo que leva, porque de resto não tenho problema nenhum em andar de transportes, mas demora bastante.


Alguma vez pensaste em desistir por causa dessa dificuldade? 


Não, nunca pensei em desistir por essa dificuldade, porque quando se faz o que amamos não importa os esforços que tenhamos de fazer.

 

 


Que papel têm os teus pais e família neste percurso? 


Os meus pais, neste caso, porque sempre me apoiaram muito independentemente de tudo, e isso faz com que queira de certa forma retribuir entregando bons resultados.


Como concilias escola, treinos e competições? 


Pronto, acabei por responder um bocadinho na outra pergunta, mas é complicado. Graças a Deus, os meus pais ajudam-me bastante e, basicamente, treino sempre que consigo e, no tempo em que não estou a surfar, estudo um pouco. Acaba por ser mais complicado focar-me na escola tendo competições, porque acabam sempre por ser ao fim de semana, que normalmente é quando uso para estudar, mas consigo arranjar tempo na mesma.


Sentes que o surf já te ensinou algo importante para a vida fora de água? 


Sim, o surf ensinou-me a ser muito mais humilde do que já era, porque não tenho certas condições que os outros têm, que é estar perto da praia. E, apesar de tudo, mesmo quando se perde deve-se sempre ir falar com as nossas adversárias no final dos heats, o que demonstra ainda mais a humildade, e que nada está garantido, daí ter sempre que trabalhar mais e mais para alcançar os meus objetivos e sonhos.


Acreditas que a tua história pode inspirar outros jovens que vivem longe do mar? 


Sim, penso que sim pode, basta quererem muito e dedicarem-se.


Que mensagem deixarias a quem tem um sonho mas sente que está “longe demais” para o alcançar?


Para quem tem esse pensamento, digo para nunca desistir. Se for algo que se quer muito, não importa o esforço e o trabalho, porque no final acaba sempre por compensar. Digo isto por experiência própria: fiz bastante esforço durante estes anos todos e agora finalmente estou na Liga MEO por mérito próprio, então nunca desistam dos vossos sonhos porque vale sempre a pena no final.


Queres acrescentar mais alguma coisa? 


Não tenho mais nada a dizer, apenas obrigada por esta oportunidade e espero que a minha história inspire outras pessoas.

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