Edifício Transparente poderá ser parcialmente demolido no Porto para requalificar a Praia Internacional
Segundo declarações da ministra ao Jornal de Notícias, já existe um entendimento entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara Municipal do Porto para partilha de custos
Ministra do Ambiente fala em reformulação do edifício e em devolução de qualidade paisagística à frente marítima. Processo está em marcha, mas continua com pontos por esclarecer.
O futuro do Edifício Transparente, na frente marítima do Porto, voltou a entrar no centro da discussão pública, depois de a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, defender a sua reformulação parcial como forma de “devolver beleza” à praia e melhorar a relação entre o espaço urbano e a zona costeira.
Segundo declarações da ministra ao Jornal de Notícias, já existe um entendimento entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara Municipal do Porto para partilha de custos e para uma intervenção que passará por baixar significativamente o volume do edifício, numa operação que visa beneficiar o ambiente, a paisagem e os utilizadores daquela zona balnear.
A intenção não surge do nada. O Programa da Orla Costeira Caminha–Espinho (POC-CE), em vigor desde 2021, já prevê a demolição do Edifício Transparente até 2028, no contexto da proteção da Praia Internacional e da requalificação da orla costeira. Em maio de 2025, a Câmara do Porto aprovou a prorrogação da concessão do edifício até junho de 2026, precisamente enquanto aguardava maior clareza sobre a forma de execução desse plano.
Também o presidente da APA, Pimenta Machado, apontou recentemente para uma intervenção na zona do Ourigo, referindo a intenção de demolir estruturas em cima da praia já na primeira semana de maio e de avançar depois com uma renaturalização da frente marítima, incluindo remoção de betão acumulado, adaptação do areal e reforço da relação entre a praia e o Parque da Cidade. O mesmo responsável admitiu ainda a hipótese de “cortar” o Edifício Transparente à cota do viaduto, mantendo em baixo apoios de praia.
Para quem olha para esta zona do Porto a partir do mar, a questão vai além da arquitetura. Está em causa a forma como a cidade se relaciona com a praia, com o litoral e com a utilização quotidiana daquele espaço por banhistas, caminhantes e comunidade ligada ao oceano. Nesse sentido, qualquer intervenção que reduza a barreira visual e física entre o Parque da Cidade e a Praia Internacional poderá alterar significativamente a leitura e a vivência daquela frente costeira.
Ainda assim, há cautelas evidentes. Apesar do discurso político mais afirmativo, não foi apresentado um projeto final detalhado nem um calendário fechado para a intervenção principal no Edifício Transparente. O que existe, para já, é uma intenção política e administrativa reforçada, enquadrada por um plano costeiro já em vigor e por uma concessão temporariamente prolongada até 2026.
Para a Surftotal e amantes do Mar e da Praia, o tema interessa porque toca num ponto cada vez mais central para o surf e para o litoral português: a forma como se gere a ocupação costeira e como se equilibra paisagem, uso público, proteção ambiental e acesso ao mar.
No Porto, a Praia Internacional poderá estar prestes a entrar numa nova fase.
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