WSL em Raglan em 2026: boa notícia… ou dor de cabeça para os locais?
Um vídeo do neozelandês Tui Ruwhiu (Wavecomms) faz um balanço “sem clubismos” sobre os prós e contras da chegada do Championship Tour a Manu Bay.
A confirmação de Raglan (Manu Bay) como uma das paragens do WSL Championship Tour 2026 continua a gerar discussão — e um vídeo recente, intitulado “WSL Raglan – Good or Bad?”, ajuda a colocar o tema em perspetiva, apontando tanto as oportunidades como as possíveis consequências para a comunidade local.
No clip, o criador Tui Ruwhiu (Wavecomms) apresenta uma análise direta: ter a elite mundial a competir numa onda histórica é, por si só, um marco para o surf da Nova Zelândia, mas a chegada do tour pode também acelerar problemas já conhecidos em vários destinos onde a WSL passou a deixar “marca”.
Os argumentos a favor: visibilidade, inspiração e dinheiro a circular
Do lado positivo, o vídeo sublinha o potencial de Raglan:
dar palco ao surf neozelandês, com impacto direto na motivação de groms e na comunidade (ver ídolos ao vivo “muda tudo”);
gerar retorno económico para alojamento, restauração e serviços locais, num período curto mas intenso;
valorizar a cultura do surf local, caso a organização integre a identidade da região (incluindo wildcards e vozes locais).
Nos comentários, muitos apontam precisamente essa dimensão: “ver os heróis a surfar ao vivo” e o possível impulso para a juventude.
Os riscos: crowd, acesso, logística e “efeito marketing”
Do outro lado da balança, surgem receios que se repetem sempre que o circuito chega a ondas “de culto”:
aumento de crowd(no evento e, sobretudo, nos anos seguintes, com o efeito “bucket list”);
infraestruturas limitadas numa vila pequena: estacionamento, acessos, condicionamentos e possíveis estrangulamentos;
impacto no quotidiano de quem surfa ali o ano inteiro, incluindo eventuais restrições e zonas condicionadas;
e uma dúvida que aparece com força: Raglan entrega condições épicas de forma consistente dentro da janela do evento?
Há ainda uma crítica transversal nos comentários: muitos fãs defendem que, se a WSL quer “usar” um destino, tem de deixar algo real em troca — não apenas exposição mediática.
A pergunta que fica: como fazer isto bem?
A reflexão do vídeo acaba por ir ao essencial: a vinda da WSL pode ser boa ou má dependendo de como for feita. A diferença estará em:
planeamento logístico (acessos, estacionamento, zonas para público);
respeito pela comunidade local e pela cultura;
gestão do impacto pós-evento, que é onde muitas localidades sentem o verdadeiro custo.
Raglan vai estar “no mapa” em 2026. A questão é se esse mapa vai trazer um legado positivo — ou apenas mais uma onda famosa a pagar o preço do próprio sucesso.





