Praia de Matosinhos em risco de perder estatuto de “Água Balnear” em 2026
"...divulgada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA)."
A Praia de Matosinhos poderá deixar de ser oficialmente classificada como Água Balnear já em 2026, de acordo com a proposta de lista de águas balneares costeiras e de transição atualmente em consulta pública, divulgada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
O documento, disponível na plataforma Participa.pt, identifica a praia de Matosinhos com a classificação “Má” na época balnear de 2025, condicionando a sua inclusão como água balnear no próximo ano à implementação de medidas corretivas, à identificação formal das causas de poluição por parte do município e ao acompanhamento das autoridades de saúde e ambientais.
Uma mudança abrupta após quase uma década de qualidade “Excelente”
Segundo Humberto Silva, impulsionador do Movimento Diz Não ao Paredão, esta situação representa uma quebra abrupta num histórico positivo:
“A Praia de Matosinhos apresentava água com classificação ‘Excelente’ desde 2016. As fontes de poluição conhecidas — nomeadamente ligações ilegais às ribeiras da Riguinha e de Carcavelos — são anteriores a essa data e não aumentaram nos últimos anos.”
Ou seja, de acordo com este movimento cívico, não surgiram novas fontes poluentes significativas que justifiquem, por si só, a degradação da qualidade da água registada nos últimos 3 a 4 anos.
Prolongamento do quebra-mar do Porto de Leixões volta ao centro do debate
Humberto Silva aponta diretamente para os impactos das obras do Porto de Leixões, em particular o prolongamento do quebra-mar, como um fator determinante — algo que, sublinha, já estava previsto no próprio Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da intervenção:
“O EIA era claro ao afirmar que o prolongamento do quebra-mar iria causar uma atenuação da hidrodinâmica local, da circulação e da agitação marítima, potenciando a degradação da qualidade da água pelas fontes poluentes existentes.”
Na prática, a menor renovação da água poderá estar a agravar o efeito de descargas que antes eram mais rapidamente diluídas, tornando os episódios de poluição mais frequentes e persistentes.
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Impacto direto no surf e na economia local
As consequências não se ficam pelo plano ambiental. Segundo operadores de surf locais, a situação já está a ter impacto económico direto:
“Temos escolas e operadores de surf a reportar perdas na ordem dos 30%, não só pela diminuição da ondulação, mas sobretudo pela perda de confiança dos utilizadores da praia devido aos sucessivos episódios de poluição.”
Matosinhos é uma das praias mais utilizadas do país para surf, escolas, turismo desportivo e lazer urbano, pelo que a eventual perda do estatuto de água balnear teria repercussões significativas.
Consulta pública decorre até ao final de janeiro
A proposta da APA encontra-se em consulta pública, permitindo que cidadãos, associações, clubes, escolas de surf e entidades locais apresentem contributos, observações ou objeções formais.
Humberto Silva defende que este é o momento de exigir respostas concretas:
“É fundamental que as entidades responsáveis avancem com medidas de mitigação e compensatórias. Discute-se tudo, fazem-se estudos, mas continua a evitar-se apontar o óbvio: as obras do Porto de Leixões estão a ter impactos negativos reais no território.”




