Novo kit permite testar a qualidade da água do mar e bactérias perigosas em apenas 15 minutos terça-feira, 20 janeiro 2026 20:41

Novo kit permite testar a qualidade da água do mar e bactérias perigosas em apenas 15 minutos

pode revolucionar a forma como surfistas avaliam o risco de surfar após períodos de chuva.

 

Uma das maiores dúvidas de qualquer surfista depois de dias de chuva intensa é simples e recorrente: a água está segura? A linha castanha de escorrência vinda de rios e ribeiras levanta alertas imediatos sobre possíveis infeções e problemas de saúde. Até agora, responder a essa pergunta era praticamente impossível em tempo útil. Mas isso pode estar prestes a mudar.

Cientistas do Reino Unido desenvolveram o Bactiquick, um kit portátil de análise da água que permite detetar, em tempo real, a presença de várias bactérias perigosas — incluindo Salmonella, Leptospira e Vibrio — em apenas 15 minutos.

Uma ferramenta pensada para surfistas e comunidades costeiras

Ao contrário dos métodos tradicionais de análise da água, que exigem recolha de amostras, envio para laboratório e mais de 24 horas de espera pelos resultados, o Bactiquick foi concebido para ser usado diretamente no terreno. O objetivo é claro: permitir que surfistas, clubes, organizadores de eventos e autoridades tenham informação imediata antes de entrar no mar.

“Quis tornar possível que qualquer pessoa — desde entidades oficiais a utilizadores comuns — consiga realizar testes rápidos e simples à contaminação bacteriana, sem necessidade de um laboratório”, explica Simon Jackson, professor da Universidade de Plymouth, instituição responsável pelo desenvolvimento do dispositivo.

Como funciona o Bactiquick?

O processo é simples e acessível:

  • recolhe-se uma pequena amostra de água;

  • a amostra é diluída num tubo já preparado;

  • o tubo é inserido no dispositivo portátil, alimentado por bateria recarregável;

  • ao fim de 15 minutos surge o resultado, apresentado num sistema de cores tipo semáforo:

    • verde – baixo risco

    • vermelho – elevada concentração de bactérias

Os resultados podem ainda ser registados numa aplicação gratuita e partilhados publicamente, criando uma base de dados útil para toda a comunidade.

Em vez de procurar apenas bactérias específicas como E. coli ou enterococos, o Bactiquick mede endotoxinas, moléculas presentes em todas as bactérias Gram-negativas, o que permite uma deteção mais abrangente e atualizada dos riscos reais.

Um problema global que afeta diretamente os surfistas

Os surfistas estão entre os utilizadores do mar mais expostos a problemas de saúde relacionados com poluição bacteriana. Contacto prolongado com água contaminada pode causar infeções gastrointestinais, problemas de pele, infeções nos ouvidos e outros quadros clínicos sérios.

Relatórios internacionais têm vindo a identificar praias com níveis alarmantes de contaminação, sobretudo após chuva, quando sistemas de esgotos e linhas de água descarregam diretamente no oceano. Em muitos casos, os alertas oficiais surgem quando o risco já passou — ou quando os surfistas já estiveram expostos.

Uma ferramenta com potencial para mudar comportamentos

As aplicações práticas do Bactiquick são vastas:

  • clubes e associações podem testar a água antes de treinos e competições;

  • organizações de eventos conseguem tomar decisões informadas em tempo real;

  • escolas e projetos educativos podem usá-lo como ferramenta pedagógica;

  • ativistas ambientais e cidadãos ganham dados concretos para exigir responsabilidades a entidades poluidoras.

Custo e partilha como solução

O dispositivo tem um custo aproximado de 300 dólares, enquanto um pack de cinco testes ronda os 200 dólares. Apesar de não ser barato, os criadores defendem que a partilha do equipamento e dos dados pela comunidade torna o investimento acessível e rapidamente compensador, sobretudo quando comparado com os custos e riscos associados a doenças.

Mais informação, melhores decisões

O mar pode continuar a oferecer boas ondas, mas com o Bactiquick passa a ser possível tomar decisões informadas antes de vestir o fato e entrar na água. Para o surf moderno — cada vez mais consciente da saúde, do ambiente e da ciência — esta pode ser uma verdadeira mudança de paradigma.

Na próxima vez que a ondulação entrar após dias de chuva, talvez já não seja preciso escolher entre boas ondas… e a saúde.

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