Quando o surf virou conteúdo: a vulgarização dos vlogs e o risco de perder a essência segunda-feira, 19 janeiro 2026 20:51

Quando o surf virou conteúdo: a vulgarização dos vlogs e o risco de perder a essência

Surge agora o Anti‑Vlog...  

Durante anos, os vlogs de surf foram uma janela privilegiada para o lado mais humano da modalidade. Mostravam viagens improvisadas, sessões falhadas, amigos na água, silêncios, esperas, frustrações e pequenas vitórias. Eram imperfeitos — e exatamente por isso, verdadeiros.

Hoje, salvo raras exceções, o formato parece ter-se esgotado.

A lógica do “publicar todos os dias”, do engajamento forçado, das thumbnails exageradas e da narrativa sempre igual acabou por transformar muitos vlogs de surf numa sucessão de clichés: a mesma música, as mesmas frases feitas, a mesma tentativa de parecer “cool”, mesmo quando o surf — e o momento — não o são.

O problema não é a frequência.
Não é a profissionalização.
Nem sequer é a monetização.

O problema é a perda de honestidade.

Quando tudo é editado para parecer épico, nada o é.
Quando cada onda precisa de validação externa, a ligação pessoal desaparece.
Quando o surf é tratado como produto constante, deixa de ser experiência.

E isso é perigoso.


Perigoso porque afasta precisamente quem mais ama o surf.

Os surfistas mais apaixonados — aqueles que reconhecem o valor do silêncio, da espera, da frustração e até do tédio — começam a sentir-se desligados deste tipo de conteúdo. Não por elitismo, mas porque já não se reveem nele. Porque sabem que o surf real raramente é “cinematográfico”. E está tudo bem assim.

É por isso que projetos como Anti‑Vlog, de Luis Diaz e Sunny Giladi, ganham relevância. Não por negarem o vídeo ou a narrativa — mas por recusarem o post exagerado. Por assumirem que o surf não precisa de ser explicado o tempo todo. Nem vendido. Nem embalado como lifestyle perfeito.

O surf não precisa de ser constantemente interessante. Precisa de ser verdadeiro.

Talvez esteja na hora de aceitar que nem tudo precisa de ser vlogado. Que nem todas as sessões precisam de banda sonora. Que nem todos os dias são “insanos”.

 

Porque quando o surf se torna apenas mais um formato repetido, corre-se o risco maior de todos: desapaixonar quem nunca deveria deixar de sentir.

Menos conteúdo. Mais significado. Menos vlog. Mais surf.

Vamos assistir a esta nobre sátira:

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