Novo movimento cívico trava destruição da Quinta dos Ingleses, em Cascais
Pela segunda vez e por nova ordem do tribunal, as obras na Quinta dos Ingleses, junto à Praia de Carcavelos, encontram-se embargadas desde outubro último.
Até agora em anonimato público, o coletivo de cidadãos 66 Pela Quinta, realiza hoje às 18h30 a sua primeira reunião de coautores e apoiantes, para fazer um balanço do processo judicial e da sua situação financeira.
O movimento convoca os seus 66 subscritores, testemunhas e simpatizantes de uma nova ação judicial contra o Município de Cascais, para confirmar que as obras dos promotores Alves Ribeiro e St. Julian´s School, iniciadas em junho de 2024 nos 52 hectares de verde adjacentes à Praia de Carcavelos, se encontram suspensas por ordem do tribunal desde outubro último, e prestar esclarecimentos sobre o processo judicial. São coautores desta ação judicial o músico Rão Kyao, a historiadora Filipa Osório Candeias e o ativista anticorrupção João Paulo Batalha (contactos no final do texto).
O 66 pela Quinta é um movimento cívico constituído com o objetivo de travar a destruição da última grande mancha verde da orla marítima entre Cascais e Lisboa. Constituído por quase sete dezenas de subscritores, o número 66 do coletivo simboliza os 66 anos de luta cívica em Carcavelos pela preservação da Quinta dos Ingleses.
A providência cautelar alega incumprimentos legais na consulta pública do projeto, elevado impacto do projeto urbanístico na qualidade de vida dos residentes em Carcavelos e na sua envolvente ambiental. Face às centenas de árvores e vários hectares de verde já destruídos na Quinta, a providência cautelar apresenta um relatório científico, preparado pelo engenheiro florestal Arnaud Gotanègre, especialista em áreas protegidas, clima e biodiversidade. De acordo com o relatório, as intervenções dos promotores já realizadas na Quinta “têm um impacto irreversível” e a sua continuidade causará: “a redução irreversível da cobertura florestal, com apenas uma fração da floresta original remanescente; alteração grave e duradoura do ciclo hídrico local, impactando a recarga de águas subterrâneas e a qualidade da água, com potenciais efeitos a jusante na praia de Carcavelos” e ainda “perda permanente de habitat para várias espécies, incluindo a destruição de micro-habitats, a selagem do solo, danos às raízes e micorrizas e relações ecológicas”. (Relatório na íntegra baixe aqui, a meio da página, botão à direita)
A próxima etapa será a ação principal, invocando a ilegalidade do Plano de Pormenor do Espaço e Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul (PPERUCS), bem como do seu subsequente licenciamento.
- Link: 66pelaquinta.net





