Fim de uma era: Gabriel Medina e Rip Curl seguem caminhos diferentes
Medina agradeceu à marca por uma relação que, nas suas palavras, “mudou a sua vida”.
O anúncio feito por Gabriel Medina no final de dezembro de 2025 marcou oficialmente o fim de uma das parcerias mais icónicas da história do surf moderno. Após cerca de 17 anos ligado à Rip Curl, desde os tempos de júnior até ao topo do surf mundial, o tricampeão do mundo encerra um ciclo que ajudou a moldar não só a sua carreira, mas também a imagem global do surf brasileiro.
A despedida foi feita de forma emotiva, com Medina a agradecer à marca por uma relação que, nas suas palavras, “mudou a sua vida”. Do lado da Rip Curl, a resposta foi igualmente institucional e respeitosa, sublinhando os anos a “viver o The Search” e o impacto profundo do surfista na história e identidade da empresa.
Uma parceria histórica
Medina chegou à Rip Curl ainda adolescente, em 2009, e com a marca conquistou três títulos mundiais (2014, 2018 e 2021), vitórias em etapas do Championship Tour, notoriedade global e uma medalha olímpica. Durante quase duas décadas, Medina e Rip Curl foram praticamente indissociáveis — um caso raro de longevidade num mercado conhecido pela constante rotação de atletas e contratos.
Fragilidade da indústria ou mudança de ciclo?
A grande questão que agora se coloca é:estamos perante um sinal da fragilidade da indústria de surfwear ou apenas o fim natural de um ciclo desportivo e comercial?
O término acontece num momento em que o setor do surfwear atravessa um período delicado, marcado por reestruturações, mudanças de propriedade e um reposicionamento global das marcas históricas. Vários analistas apontam dificuldades em justificar contratos milionários num mercado cada vez mais fragmentado e competitivo.
Ao mesmo tempo, surge outra leitura possível: apesar dos mais de 14 milhões de seguidores no Instagram, será que a imagem de Gabriel Medina continua a ter o mesmo peso comercial direto para as marcas de surf tradicionais, quando comparada com novos perfis, narrativas e estratégias de marketing?
O que se sabe — e o que ainda é especulação
Até ao início de 2026, não existe qualquer confirmação oficial sobre o próximo patrocinador principal de Gabriel Medina. Nenhuma marca foi anunciada, nem há fugas de informação fiáveis que apontem um destino concreto.
O que a indústria admite é que existem vários cenários possíveis:
Grandes marcas globais de surfwear, interessadas em associar o nome de um tricampeão mundial ao seu posicionamento.
Marcas desportivas ou de lifestyle fora do surf, que vejam em Medina um embaixador global, para além do universo competitivo.
Empresas brasileiras de outros setores (banca digital, telecomunicações, tecnologia ou retalho), cada vez mais presentes no patrocínio de atletas de alto impacto mediático.
2026 pode ser o momento certo
Um fator pesa claramente a favor de Medina: 2026 marca o seu regresso pleno ao Championship Tour após lesão, o que devolve exposição mediática, competitiva e emocional ao atleta. Para qualquer marca, o “timing” pode ser ideal para iniciar uma nova narrativa, associada a um regresso, maturidade e legado.






