imagem do projeto de prolongamento do molhe que irá bloquear parte da ondulação em Matosinhos imagem do projeto de prolongamento do molhe que irá bloquear parte da ondulação em Matosinhos APA

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segunda, 04 fevereiro 2019 11:42

PROLONGAMENTO DO MOLHE DE MATOSINHOS AVANÇA NA PRIMAVERA 2019

A obra que está a deixar a comunidade surfista preocupada e revoltada já tem aprovação das entidades competentes e prevê-se que arranque durante a próxima Primavera.

A Autoridade Portuguesa do Ambiente (APA) já emitiu o documento sem o qual o projeto não poderia ser concretizado. No Título Único Ambiental (TUA) a que a Surf Total teve acesso está escrito que nesta construção de prolongamento do Quebra-Mar exterior do Porto de Leixões numa extensão de 300m "não são afetadas áreas sensíveis". Perante isto, a APA emitiu a licença para que a obra avance, baseando-se no propósito único e exclusivo de melhoria das condições  do Porto de Leixões, em termos de navegabilidade, segurança, capacidade operacional e comercial uma vez que vai permitir o acesso e a receção de navios de maior porte.

 

OBRA VAI ARRANCAR DURANTE A PRIMAVERA DE 2019

A obra vai arrancar já em 2019 e só poderá ser realizada entre os meses de abril e outubro, sendo que desde que começa até que termina está previsto um período de 2 anos. Também já está definido que o novo pontão será construído com rocha e coberto por betão.

A tribo do Surf  esteve sempre contra este projecto demonstrando várias preocupações. Fonte da Associação de Escolas de Surf de Portugal (AESP), contactada pela Surf Total, refere que o prolongamento do actual molhe vai:

1) reduzir entre 40 a 60% a ondulação na Praia de Matosinhos,

2) aumentar a poluição através do Rio Leça e da Ribeira de Reguinha

3) e também intensificar a erosão a sul do areal da praia.

Estas preocupações foram referidas pela AESP num parecer desfavorável emitido em consulta pública que consta no TUA e que vai ao encontro dos pareceres manifestados por outras entidades na mesma consulta, nomeadamente pela Junta de Freguesia de Matosinhos e Leça da Palmeira. O Turismo de Portugal é outra das entidades que está ao lado dos surfistas, referindo no parecer que emitiu que o projeto "vai ter impactes, que conflituam com a actividade turística, nas condições para a prática de desportos de ondas nas Praias de Matosinhos e do Porto (Internacional), nomeadamente para o surf, e devem ser cumpridas as medidas de minimização propostas no que se refere ao desporto de ondas".

 

A NOVA POLÉMICA:

É aqui que surge nova polémica! As medidas apresentadas para reduzir os estragos, já admitidos, que vão ser feitos nas ondas de Matosinhos passam pela construção de um recife artificial. Solução que é questionada pela mesma fonte da AESP ao referir que a colocação de elementos no fundo do mar que precipitem a rebentação das ondas "nunca deu certo em lado nenhum do Mundo".

A Câmara Municipal de Matosinhos é outra das entidades consultadas a revelar reservas quanto à concretização do projecto de construção do Quebra Mar exterior do Porto de Matosinhos. Perante as dúvidas que levanta a autarquia sugere (tal como já proposto no  Estudo de Impacte Ambiental realizado) que durante os próximos 5 a 10 anos seja feita uma monitorização do impacte "na dinâmica sedimentar e possíveis consequências na morfologia local" porque, alerta, "com o decorrer do tempo são alteradas as condições físicas de simulação realizadas pelo LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), tornando todas as simulações realizadas nos estudos que acompanham o Estudo de Impacte Ambiental obsuletas". Para a fonte da AESP contactada pela Surf Total esta é uma falsa questão, uma vez que não acredita ser viável a destruição de uma obra desta envergadura, caso, passada uma década, se confirme que está a ser prejudicial. A mesma fonte conclui que se prevê "um desfecho muito mau para a Praia de Matosinhos".

 

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