WSL acertou na chamada em Supertubos: surf de outro planeta, portugueses eliminados e meias-finais de luxo em Peniche
A decisão da World Surf League de avançar com os quartos de final do MEO Rip Curl Pro Portugal revelou-se acertada.
Apesar de um início com condições longe do ideal, Supertubos proporcionou uma jornada de surf de elevado nível, marcada pelas manobras arriscadas das melhores surfistas do mundo, pelo espetáculo de Ítalo Ferreira e Gabriel Medina e pelas eliminações dos portugueses Teresa Bonvalot e Guilherme Ribeiro.
Depois de dois dias de pausa, a competição regressou esta terça-feira, 20 de outubro, à Praia de Supertubos, com as primeiras baterias a arrancarem por volta das 11h15.
Com ondas entre um metro e um metro e meio e vento lateral, as condições não eram inicialmente as mais favoráveis. Ainda assim, a evolução do mar e vento e, sobretudo, a extraordinária qualidade dos atletas acabaram por justificar a decisão da organização.
Teresa Bonvalot começou melhor, mas Lakey Peterson aproveitou as oportunidades
A primeira bateria da jornada colocou Teresa Bonvalot frente à californiana Lakey Peterson.
A portuguesa entrou melhor no confronto, demonstrando qualidade de surf e capacidade para discutir a passagem às meias-finais. Contudo, Peterson conseguiu assumir o controlo da bateria, aproveitando melhor as oportunidades disponíveis.
A meio do confronto, Teresa deixou passar uma direita que acabou por abrir para a adversária, num momento importante para o desenrolar da bateria.
A partir daí, a portuguesa não voltou a encontrar uma onda com qualidade suficiente para recuperar a liderança.
Lakey Peterson venceu por 10,00 contra 5,10 pontos, garantindo a passagem às meias-finais.
O resultado não espelha totalmente o potencial de Teresa Bonvalot, que demonstrou ter surf para discutir a vitória. Numa bateria com oportunidades limitadas, a seleção de ondas e a gestão da prioridade acabaram por fazer a diferença.
Molly Picklum e Erin Brooks mostram porque pertencem à elite mundial
O confronto seguinte reuniu duas das surfistas mais talentosas da atualidade: Molly Picklum e Erin Brooks.
Logo nas primeiras ondas, ambas demonstraram uma abordagem extremamente agressiva, apostando em manobras de elevado risco, muitas vezes com apenas uma intervenção decisiva na onda.
A forma como atacaram o lip, com potência, precisão e compromisso, proporcionou alguns dos momentos mais impressionantes da competição feminina.
Molly Picklum destacou-se com uma onda de 6,83 pontos, à qual juntou um 4,50, terminando com 11,33 pontos.
Erin Brooks respondeu com uma onda de 5,00 pontos, mas, à semelhança do que aconteceu com Teresa Bonvalot, não conseguiu encontrar uma segunda oportunidade com qualidade suficiente para discutir a vitória.
A canadiana terminou com 6,83 pontos, despedindo-se da competição.

Mais do que os resultados, ficou a demonstração de um nível técnico extraordinário, com abordagens ao lip e manobras de risco que apenas as melhores surfistas do mundo conseguem executar com tamanha confiança.
Guilherme Ribeiro não conseguiu travar um Ítalo Ferreira inspirado
Na competição masculina, Guilherme Ribeiro, uma das grandes surpresas desta edição do MEO Rip Curl Pro Portugal, enfrentou o brasileiro Ítalo Ferreira.

O português voltou a demonstrar uma boa leitura do mar e capacidade para selecionar ondas com potencial, mas encontrou pela frente um adversário em excelente forma.
Ítalo combinou a sua habitual explosividade nas manobras aéreas com uma grande capacidade técnica nos tubos, construindo uma vantagem difícil de contrariar.
Guilherme ainda encontrou duas ondas com potencial para tubos profundos, mas não conseguiu completar as saídas. Caso tivesse conseguido concretizar essas oportunidades, a história da bateria poderia ter sido diferente.
O brasileiro venceu por 12,83 contra 6,84 pontos, garantindo a passagem às meias-finais.
Apesar da eliminação, Guilherme Ribeiro encerra uma participação de destaque, tendo alcançado os quartos de final perante alguns dos melhores surfistas do planeta.
Medina e Ítalo elevam o nível da competição
Gabriel Medina e Ítalo Ferreira foram dois dos grandes protagonistas dos quartos de final masculinos, apresentando um nível de surf impressionante.
A capacidade de combinar potência, velocidade, leitura de onda e execução técnica voltou a demonstrar por que razão ambos conquistaram títulos mundiais.
Os dois brasileiros vão agora encontrar-se numa meia-final que promete ser um dos grandes momentos da etapa portuguesa.
Na outra meia-final, o também brasileiro Yago Dora terá pela frente o norte-americano Griffin Colapinto.

Assim, três campeões mundiais brasileiros — Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e Yago Dora — e o californiano Griffin Colapinto vão disputar os dois lugares na final masculina.
Morgan Cibilic sai lesionado
Pela negativa, a jornada ficou marcada pela lesão do australiano Morgan Cibilic, durante o confronto com Gabriel Medina.
O surfista lesionou-se ao tentar executar uma manobra arriscada e acabou por necessitar de assistência para sair da água, num dos momentos mais preocupantes do dia.

O incidente recordou os riscos associados ao surf de competição, particularmente quando os atletas procuram executar manobras de elevado grau de dificuldade em secções críticas da onda.
Meias-finais femininas prometem espetáculo
Com os quartos de final concluídos, ficaram definidos os confrontos das meias-finais femininas:
Bettylou Sakura Johnson (HAW) vs. Caitlin Simmers (USA)
Lakey Peterson (USA) vs. Molly Picklum (AUS)
Quatro atletas com estilos distintos, mas com enorme qualidade técnica, vão disputar os dois lugares na final.
Uma chamada que acabou por dar razão à organização
Depois das dúvidas levantadas pela decisão de avançar com a competição no sábado, quando as condições se revelaram pouco consistentes, a chamada desta terça-feira acabou por mostrar uma realidade diferente.
Embora o mar não estivesse perfeito nas primeiras baterias, existiram oportunidades suficientes para que os melhores atletas demonstrassem o seu talento.
A evolução das condições e a qualidade do surf apresentado acabaram por proporcionar uma jornada competitiva de grande interesse.
Supertubos voltou a mostrar que, mesmo quando não apresenta os seus famosos tubos perfeitos, pode oferecer um palco exigente para o surf de alto nível.
E, desta vez, a decisão de avançar revelou-se uma aposta acertada da World Surf League, deixando tudo preparado para umas meias-finais de enorme expectativa em Peniche.





