Morreu Robert Duvall: O actor em The Apocalypse Now, “Charlie Don’t Surf”, e a marca que deixou no surf
O coronel Kilgore e o surf no meio da guerra...
O actor norte-americano Robert Duvall morreu aos 95 anos, deixando um legado incontornável no cinema — e uma ligação inesperada ao universo do surf através de uma das sequências mais icónicas (e insanas) da história da sétima arte: o ataque à praia em Apocalypse Now.
O coronel Kilgore e o surf no meio da guerra
Em Apocalypse Now (1979), Duvall interpreta o Tenente-Coronel Bill Kilgore, comandante da Cavalaria Aérea, carismático e aterrador, que transforma uma operação militar num espectáculo de poder, ruído e excesso — ao som de Wagner — enquanto persegue obsessivamente… uma onda perfeita.
É nessa sequência que surge a frase que atravessou décadas: “Charlie don’t surf”, dita com a arrogância de quem acredita que até o mar pode ser conquistado. A cena — helicópteros, explosões, soldados a correr e pranchas a entrar na água — acabou por se tornar uma metáfora do absurdo da guerra e, ao mesmo tempo, um dos momentos mais memoráveis do surf no cinema.
Baler, Filipinas: quando um filme ajudou a acender uma cultura de surf
Há um detalhe que interessa especialmente ao surf: apesar de retratar o Vietname, a sequência da praia foi filmada nas Filipinas, em Baler (Aurora) — e, com o passar dos anos, foi-se consolidando a ideia de que a rodagem ajudou a despertar a curiosidade local pelo surf.
Alguns relatos locais e jornalísticos apontam para a “lenda” de pranchas deixadas para trás pela produção, que terão passado para mãos de miúdos da região e contribuído para o início de uma comunidade surfista em Baler — uma história repetida tantas vezes que, mesmo com variações, se tornou parte da identidade do lugar.
A praia associada às filmagens é hoje frequentemente referida como “Charlie’s Point”, numa piscadela de olho directa à frase eternizada por Duvall.
Um legado além do surf
Para a comunidade surfista, Duvall ficará para sempre ligado à imagem improvável do surf em cenário de guerra — mas o seu legado vai muito além disso. A morte do actor foi noticiada esta semana por vários órgãos de comunicação social internacionais.
Hoje, ao revisitarmos Kilgore, vale a pena lembrar que o surf também se constrói de cultura, símbolos e histórias — e poucas são tão fortes (e tão estranhas) como aquela em que o cinema colocou uma prancha no meio do caos para dizer, sem dizer, que o mar é maior do que qualquer guerra.
Descansa em paz, Robert Duvall.





