O Apple Watch será o relógio oficial da WSL já a partir de 2023 Foto: Divulgação quarta-feira, 01 fevereiro 2023 10:30

O Apple Watch será o relógio oficial da WSL já a partir de 2023

A WSL introduz um novo equipamento para uso dos atletas no Tour

 

No passado dia 18 de Janeiro a Surftotal fez um artigo onde apresentava as grandes novidades para o Championship Tour de 2023. E entre os diversos temas, apontava-se a existência de rumores de que a WSL estava a ponderar a introdução do uso de smartwtaches pelos dos atletas durante a competição.

 

Ora, confirma-se agora que os rumores eram verdadeiros, e a WSL anunciou num comunicado, a integração do Apple Watch, como equipamento oficial da WSL. A WSL torna-se assim pioneira no uso do Apple Watch como equipamento profissional no uso em contexto desportivo.

 

Para poder funcionar no Tour, a Apple desenvolveu uma aplicação própria nova, chamada WSL Sufer App, que irá sincronizar em tempo real a informação que os atletas necessitam, tal como o tempo restante do heat, os scores, e a prioridade, ao mesmo tempo que é transmitida informação biométrica para a WSL.

 

"As capacidades únicas, a facilidade de uso e a incrível resistência à água do Apple Watch tornam-no na solução ideal para apoiar nossos surfistas a competir nas condições extremas do nosso Tour mundial." Disse Erik Logan, CEO da WSL.

 

Erik acrescentou que “os surfistas precisam de informações críticas enquanto competem, e a WSL Surfer App que desenvolvemos para o Apple Watch fornece dados em tempo real que ajudarão o fluxo de comunicação da WSL Scoring System para os competidores na água. Estamos muito entusiasmados no lançamento desta tecnologia e permitir que nossos atletas do Championship Tour se concentrem no seu desempenho e melhoria da competição ao longo da temporada de 2023.”

 

O uso do relógio será mesmo obrigatório. Cada competidor receberá um relógio Apple antes de do seu heat, e os surfistas irão receber formação específica de como usar este aparelho. A WSL informa também que a aplicação tem vindo a ser testada por vários atletas do CT ao longo dos últimos dois anos, de forma a garantir que cumpre os padrões necessários para a competição.

 

“Estamos muito entusiasmados com o facto de a WSL vir a adoptar o Apple Watch para o Championship Tour, tornando simples e conveniente para os surfistas olhar rapidamente para o pulso e terem acesso instantâneo a informações vitais” diz Eric Jue, Director da Apple de Marketing de Produto do Apple Watch.

 

Verdade seja dita que muitas vezes o “barulho do vento e das ondas pode, por vezes, impossibilitar a audição dos locutores durante a competição, o que significa que se perdem informações importantes", disse ítalo Ferreira, ex-campeão do mundo. Para além disso, muitas vezes os atletas também se confundem sobre quem tem prioridade, e de facto neste sentido parece-nos que o Apple Watch irá ser muito útil.

 

Do ponto de vista estratégico para a WSL, esta é uma jogada interessante, pois permite trazer um gigante do mundo tecnológico como parceiro e patrocinador para o CT, e isso significará a entrada de muitos milhões para os cofres da WSL, e projecção da WSL num plano internacional cada vez mais elevado.

 

No entanto existem algumas questões polémicas. A primeira é o facto de ser obrigatório. O que coloca os patrocínios de marcas de relógios aos atletas em risco. Pelo menos em parte. Estas marcas poderão entender que o Apple Watch irá ganhar demasiado protagonismo, pelo que não compensa continuar a investir dinheiro na promoção dos seus produtos. E isso poderá vir afectar o bolso dos surfistas. Por outro lado vejamos o exemplo do futebol. Existem muitos futebolistas que são patrocinados pessoalmente por uma marca, e são embaixadores da mesma, e no entanto, a equipa onde jogam utiliza equipamentos da marca rival, sem que isso afecte o negócio. Na verdade o mais importante para as marcas é a utilização do relógio como lifestyle de uma atleta que nos inspira, mais do que o seu uso em competição. Veremos como o mercado vai reagir a esta questão, e se o fizer de forma negativa, como serão compensados os surfistas.

 

E o segundo ponto polémico, é que estes relógios recolhem dados biométricos, e estes dados serão transmitidos em tempo real para a WSL. Em lado nenhum no comunicado a WSL refere este aspecto, nem o que irá fazer com essa informação. Se por um lado, pode ser interessante saber a que velocidade um determinado surfista seguia numa onda, até que ponto poderá a WSL monetizar estes dados vendendo-os a terceiros?

 

Por fim, o outro lado da moeda. Como o uso será obrigatório, existirão multas para quem não cumprir. $5000 dólares para a primeira violação, $10.000 para a segunda, e $50.000 para a terceira. Fica claro que não haverá grande margem de manobra para os surfistas.

E vocês, o que acham desta medida?

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