segunda-feira, 04 outubro 2021 10:01

Gabriel Medina está à procura de um novo formato de gestão do seu Instituto

que deixou dezenas de jovens sem apoio....
 
 
Instituto Gabriel Medina fechou portas no passado mês de setembro 
 

No passado mês de setembro, o Brasil ficou em êxtase ao ver Gabriel Medina conquistar o seu terceiro título de campeão mundial de surf. A felicidade do povo brasileiro não poderia ser maior, mas poucos dias depois o sentimento foi substituído por uma grande tristeza para a comunidade de Maresias que viu o Instituto Gabriel Medina fechar as suas portas.

O Instituto, que abriu portas em 2017, era um projeto liderado pela família Medina (Charles e Simone) e que recebeu o nome do, agora, tricampeão mundial de surf. Situado em frente à praia onde o atleta apanhou as suas primeiras ondas, em Maresias, o Instituto é uma fundação criada com o intuito de trabalhar em prol dos novos talentos do surf com idades compreendidas entre os 10 e 16 anos.
 
O Instituto Gabriel Medina foi encerrado por Simone Medina, mãe do atleta, no dia 15 de setembro, exatamente um dia após o surfista ter conquistado o seu terceiro título mundial na Rip Curl WSL Finals, em Trestles, Califórnia. Simone Medina (que está de relações cortadas com o filho) terá dito à imprensa que Gabriel Medina é o responsável pelo encerramento do Instituto uma vez que exigiu que Simone e Charles renunciassem aos cargos e os proibiu de usar o seu nome e imagem.
 
Com a mãe de Medina a abandonar o cargo, o tricampeão mundial assumiu a presidência da instituição há cerca de dois meses, mas perdeu o imóvel que acolhia o projeto, que estava em nome de Simone, deixando dezenas de jovens que eram apoiados pela instituto à espera de uma solução para o impasse em que o mesmo se encontra.
 
 
 
A fachada do Instituto Gabriel Medina antes de encerrar as portas em setembro.
 
 
 
 
A declaração de Medina em entrevista à UOL esporte:
 
"Não foi minha escolha fechar o instituto. Nunca quis isso. Estou em busca de um formato de gestão confiável e profissional — como tenho feito com a minha carreira — que possa garantir segurança às famílias. Essas pessoas merecem isso, esse é um compromisso que eu tenho e que irei cumprir."
 
 
 
 
Cerca de 60 jovens ficaram sem apoio 
 
Na inauguração do instituto, Gabriel Medina disse que sempre foi um sonho seu e da minha família ajudar e apoiar crianças e, como consequência, apoiar o desporto que tanto ama.
O instituto fazia isso mesmo a cerca de 60 jovens anualmente. Os jovens selecionados tinham aulas de natação, apneia, movimentos acrobáticos, treinos de surf com vídeo análise, inglês e espanhol. Para além disso, ainda recebiam acompanhamento psicológico, odontológico e de preparação física.
O projeto atraiu jovens talentos de todo o Brasil. Gui Fernandes, um jovem de 11 anos que foi apoiado pelo instituto, chegou a morar na casa da família Medina durante um período de tempo em que a sua mãe teve de se ausentar, tendo ela também trabalhado na casa de Gabriel Medina até ao início da pandemia.
Agora, com o impasse sobre o futuro do instituto, Gui Fernandes teve de voltar à praia de Prumirim, em Ubatuba, onde o surfista agora tenta recomeçar, sem a mesma rotina de treinos, nem apoio. 
 
Contudo, tal como os outros jovens apoiados pelo projeto, Gui vê em Gabriel Medina uma inspiração e embora nunca ninguém tenha dado uma satisfação  sobre o encerramento do instituto, olham para Medina com admiração e mostram-se gratos por tudo o lhes deu.
 
 
 
 
Alguns dos jovens que o projeto apoiou após um mês de atividade. Foto: Aleko Stergiou
 
  
 
 
Instituto recebeu milhões de reais do governo brasileiro 
 
A falta de verbas não parece ser o que levou ao encerramento do instituto. Segundo o UOL, em pouco mais de quatro anos, a entidade captou quase 6,5 milhões de reais só através da Lei de Incentivo, sem contar os apoios diretos. A verba pagava toda a estrutura de treino, mas não remunerava os atletas, que ganhavam pranchas, fatos de surf e acessórios. Além disso, também tinham taxas de inscrição de competições pagas e, nos primeiros anos, recebiam alojamento, transporte e alimentação durante as competições.
 
O Instituto Gabriel Medina tem pelo menos 1,2 milhões de reais para investir na formação de novos campeões de surf, verba doada o ano passado através da Lei de Incentivo, que a entidade tem até 2023 para usar em novos projetos. 
 
 
 
 

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