quinta, 02 abril 2020 09:57

ESPÉCIES MARINHAS PODEM ESTAR A PROTEGER-NOS DE INÚMEROS VÍRUS

Segundo um novo estudo...

 

 

Embora vários milhares de tipos de vírus tenham sido estudados em detalhes, os cientistas dizem que nem arranhámos a superfície, podendo haver triliões de espécies em geral.

A  noticia chega-nos através da Science Alert que refere que até 10 milhões de vírus podem ser encontrados nos oceanos, presentes num mililitro de água.

Contudo, nem todos os vírus infectam todos os seres vivos sendo que alguns animais atacam os vírus, de certo modo, removendo-os do ambiente. Apesar desse serviço público valioso e subestimado, muito do que está por trás deste fenómeno permanece um mistério.

Jennifer Welsh, ecologista marinha do Instituto Real Holandês de Pesquisa do Mar é responsável por um novo estudo que examinou como vários desses organismos marinhos não hospedeiros se saíram na remoção de partículas virais do ambiente aquático através de uma predação ativa ou por mecanismos passivos, como alimentadores de filtro e organismos que criam barreiras físicas entre parasitas virais e os seus hospedeiros.

Das 10 espécies animais testadas, os caranguejos, os berbigões, as ostras e as poriferas (esponjas do mar) foram as mais eficazes na redução da abundância viral. Segundo testes de laboratório as poriferas mostraram-se extremamente eficazes na remoção de vírus reduzindo a presença em até 94% em três horas. Os caranguejos foram os segundos mais eficazes reduzindo a abundância viral em 90% ao longo de 24 horas, enquanto os berbigões conseguiram 43% e as ostras 12%.

 

Testes em laboratórios mostraram que as poriferas são bastante eficazes na remoção de vírus.  Foto: biomerieux connection

 

Mas, como o próprio artigo refere, estes resultados impressionantes de testes de laboratório podem não ter o mesmo sucesso na natureza, dada a variedade de mudanças comportamentais que podem ocorrer em ambientes aquáticos bio-diversos, sem mencionar uma série de outras variáveis ambientais em jogo no fundo do mar.

No entanto, os pesquisadores pensam que essa capacidade natural de animais não hospedeiros de reduzir a abundância de partículas virais em ambientes marinhos é algo que poderemos explorar um dia - especialmente na aquicultura, onde organismos como as poriferas podem ser usados como um tipo de escudo para ajudar a proteger as populações agrícolas de agentes patogénicos virais.

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