Zeke Lau usou a seu favor as regras da competição. Zeke Lau usou a seu favor as regras da competição. Foto: WSL/Ed Sloane

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segunda, 09 abril 2018 16:01

Treinador de Zeke Lau surge em sua defesa

A tática do havaiano em Bells Beach não caiu bem e ainda hoje é comentada… 

 

A tática escolhida por Zeke Lau e Jake Paterson, ex-atleta do CT e atual treinador de vários emergentes surfistas, para afastar John John Florence no Round 3 do Rip Curl Pro Bells Beach, não caiu bem e ainda hoje é alvo de muitas críticas. 

 

A Surftotal falou sobre o tema aqui. De um lado há quem defenda que um campeonato de surf é um jogo com regras, do outro diz-se que deve vencer aquele que apresentar o melhor surf ao longo da bateria. 

 

Na verdade, nesse Heat 7 que irá ficar para a história do surf, Zeke surfou melhor que John John e por isso saiu vencedor do confronto. O que falta dizer é que o havaiano recorreu a técnicas de intimidação, bloqueou e remou praticamente em cima do campeão mundial para atingir esse objetivo. 

 

Zeke Lau foi um autêntico “bully”, fez claramente “bullying”. Tanta agressividade que mais parecia um outro desporto - um desporto de contacto físico. A maneira de ser de JJF e ZL é tão diferente que chegou-se ao ponto de se considerar quase de mau desportivismo. As críticas têm vindo a multiplicar-se desde então… e apenas os havaianos parecem estar do lado de Zeke. 

 

 

Ora, hoje, numa peça da Stab Magazine, o treinador do “rude boy” havaiano teve necessidade de partir em sua defesa, explicando a tática usada - em suma, um campeonato de surf é um jogo que pode ser jogado. 

 

Segundo Paterson, foi precisamente isso que Lau se limitou a fazer: “A tática era apenas colocar pressão em John John. Porque ninguém o faz. Basicamente, toda a gente o deixa fazer o que quer. Talvez a ideia inicial não passasse por chegar tão longe (risos), mas a verdade é que ele vacilou. Caiu duas vezes no heat, e em Bells não podemos dar-nos a esse luxo uma vez que é muito inconsistente”. 

 

Jake Paterson salientou ainda que existem pontos, dinheiro e carreiras em jogo, e que, como treinador, interessa que os seus atletas surfem bem, claro, mas que também vençam heats. “As pessoas têm que ter noção que é disto que ele [Zeke] faz vida. É uma loucura estarem a criticá-lo por fazer tudo ao seu alcance para vencer”, rematou. 

 

Numa última análise é fácil perceber que, mesmo com toda a intimidação que teve lugar, se John John não tem caído naquelas duas ondas e tem conseguido vencer o heat, esta conversa e especulação nunca teria existido. Óbvio. 

 

No entanto, como bem sabemos, não foi isso que se passou. John John foi visivelmente afetado pelo “bullying” - ou pressão, se preferirem - do seu oponente e acabou por não apresentar a performance desejada. Sucumbiu, é certo. 

 

No final fica apenas a ideia de uma vitória conseguida "a ferros", de tática muito questionável e feia de se ver. Para os fãs, sempre foi subjacente que entre os surfistas, pelo menos a este nível de World Tour, existiria um código de honra e conduta. Isso de "vencer a qualquer custo" parecia estar enterrado no século passado. Newsflash: não está!

 

Parabéns, Zeke. Venceste o campeão mundial. Aliás, o bicampeão mundial. Mas abriste um precedente que vai ser difícil de esquecer. Só esperamos não ver lágrimas (ou críticas) quando, um destes dias, fores tu a vestir o papel de vítima. 

 

Afinal de contas, há que não esquecer: isto é um jogo que pode ser jogado. 

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  • Tomás Nunes Tomás Nunes

    Da zona oeste rumámos até à costa sul portuguesa em busca de um novo talento do surf… 

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