Aguas tépidas durante dois meses tornaram o Verão de 2026 inesquecivel Aguas tépidas durante dois meses tornaram o Verão de 2026 inesquecivel / Surftotal domingo, 20 setembro 2026 23:00

Costa Oeste como nunca antes: dois meses com a água entre os 18 e os 24 graus

Um verão em que o fato deixou de ser obrigatório... na Costa Oeste de Portugal Continental...

 

Durante praticamente dois meses, entre julho e o início de setembro, a Costa Oeste portuguesa(leia-se Costa Oeste Continental, de Moledo a Sagres) viveu uma situação absolutamente invulgar, com a temperatura da água a oscilar, em diferentes momentos e locais, entre os 18 e os 24 graus. Entre surfistas que frequentam estas águas há três e quatro décadas, os testemunhos recolhidos pela Surftotal repetiram uma ideia: nunca tinham vivido algo semelhante durante tanto tempo.

Há verões em que a água aquece durante alguns dias. Há semanas particularmente agradáveis em que o fato integral fica no carro e um fato curto é suficiente. Mas o verão de 2026 foi diferente.

Durante praticamente dois meses, a Costa Oeste portuguesa pareceu, por momentos, ter mudado de latitude.

Mais extraordinário do que atingir pontualmente temperaturas muito elevadas foi a persistência da água quente durante tantas semanas consecutivas. Ao longo de julho, agosto e até ao início de setembro sucederam-se os dias em que entrar no Atlântico sem fato deixou de ser uma extravagância.

Os relatos que a Surftotal foi recolhendo ao longo deste período reforçaram a sensação de estarmos perante algo verdadeiramente fora do comum. Surfistas muito assíduos, alguns com mais de 40 anos de experiência na Costa Oeste, afirmaram não ter memória de um verão em que esta situação se tivesse prolongado desta forma.

 

Um verão em que o fato deixou de ser obrigatório

A diferença era visível nas praias. Houve surfistas a entrar apenas de calções, outros de fato curto e muitos com combinações de neoprene mais leve, de manga curta ou perna curta, normalmente reservadas a períodos bastante mais reduzidos.

Curiosamente, continuaram também a ver-se muitos fatos integrais, mesmo nos dias em que a temperatura da água permitiria perfeitamente dispensá-los.

Talvez seja apenas uma questão de hábito. O fato está tão enraizado na rotina do surfista português que, muitas vezes, é vestido quase automaticamente.

E foram precisamente estes dois meses que permitiram redescobrir uma sensação que raramente se prolonga durante tanto tempo na Costa Oeste: a liberdade de surfar sem neoprene.

Sem a resistência do fato, os movimentos tornam-se mais naturais, os ombros ficam mais livres e o contacto com a água é completamente diferente. E desaparece também todo o ritual de vestir, despir, lavar e secar o fato depois de cada sessão.

Era chegar à praia, pegar na prancha e entrar no mar.

 

Poucas ondas, mas muito surf

Curiosamente, este período de água quente não coincidiu com um verão de grandes ondulações. O mar esteve pequeno durante muitos dias, mas isso não significou falta de surf.

Nas praias mais expostas e com pranchas de maior volume, fishes ou Malibus, foi possível aproveitar muitas sessões que ganharam outra dimensão com o calor e a possibilidade de surfar praticamente sem neoprene.

Durante algumas semanas, a Costa Oeste portuguesa teve um ambiente pouco habitual: mar pequeno, água quente e longos dias de verão que convidavam a permanecer dentro de água.

 

Golfinhos como companhia

Outro dos elementos marcantes deste verão foi a presença frequente de golfinhos junto à costa, com vários surfistas a relatarem encontros bastante próximos dentro de água.

Num desses episódios, um surfista encontrava-se sozinho quando começou a observar uma grande barbatana a circular a poucos metros da prancha. Sem conseguir identificar imediatamente o animal, colocou os pés sobre a prancha e ficou a observar.

Durante alguns minutos, a barbatana desapareceu e voltou a surgir até que o animal veio finalmente à superfície.Era um golfinho.A partir daí, a apreensão deu lugar ao privilégio de o observar passar repetidamente a apenas um ou dois metros de distância.

Experiências semelhantes foram relatadas por outros surfistas ao longo da costa, acrescentando mais uma particularidade a um verão que já estava longe de ser normal.

 

Até a procura por fatos mudou

O fenómeno teve também reflexos curiosos no mercado. Durante este período, a Surftotal registou através das vendas geradas pela plataforma uma procura significativa por fatos curtos e soluções de neoprene mais leves, incluindo modelos de manga curta e perna comprida e outras configurações menos utilizadas habitualmente durante tanto tempo na Costa Oeste.

Não eram fatos destinados a uma viagem para águas tropicais. Eram para usar em Portugal.

E isso, por si só, diz bastante sobre o verão de 2026.

 

Depois chegou a nortada

Por volta de 15 de setembro, tudo mudou.

 

A nortada instalou-se com força e voltou a ativar um fenómeno bem conhecido na Costa Oeste portuguesa: o upwelling. O vento persistente de norte favorece o afastamento das águas superficiais junto à costa, permitindo a subida de águas profundas, mais frias e ricas em nutrientes.

Em poucos dias, o contraste tornou-se enorme. Depois de semanas de água excecionalmente quente, as temperaturas caíram para a ordem dos 14 a 15 graus em alguns locais.

Os calções e fatos curtos regressaram ao armário. Voltaram os fatos integrais e, com eles, a realidade mais familiar do Atlântico português.

 

Um verão difícil de esquecer

Água quente na Costa Oeste durante alguns dias não é propriamente uma novidade. O que tornou o verão de 2026 extraordinário foi a duração. Sem pretender transformar testemunhos pessoais num registo científico ou histórico, há um dado que merece ser assinalado: entre surfistas que frequentam assiduamente estas águas há 30 ou 40 anos, repetiu-se ao longo destes dois meses a mesma reação — não havia memória de algo assim durante tanto tempo.

Foram semanas de água quente, surf sem fato, ondas pequenas aproveitadas com outras pranchas, encontros com golfinhos e uma Costa Oeste que, por momentos, pareceu pertencer a outra latitude.

Depois chegou a nortada. O upwelling regressou e o Atlântico voltou rapidamente ao que conhecemos. Mas para quem passou o verão de 2026 dentro de água, estes dois meses dificilmente serão esquecidos.

 
 

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